quarta-feira, 8 de novembro de 2006

MEU ANIVERSÁRIO

Tenho na memória muitos aniversários que fiz. Lembro pelo vestido que usei: com um de crochê azul feito pela vovó Martha comemorei meus cinco anos, com um outro de crochê rosa assoprei seis velinhas. Teve um longo até o pé, cheio de passamaria que usei aos quatro anos. Me lembro até do meu terceiro F-E-L-I-Z A-N-I-V-E-R-S-Á-R-I-O com o Pluto e o Pateta interagindo com as letras que penduradas lado-a-lado enfeitavam a sala. As sodinhas sobre a mesa encaixadas numa luva do Zé Carioca. Um bolo branco e alguns presentes como um telefone de plástico, uns blocos de igrejinhas de madeira e um relógio.
Daí pra frente minha mãe iniciou a tradição de contratar um carrinho de sorvete e outro de algodão doce todo santo aniversário. Era aquela criançada se lambuzando com sorvete de brasinha e sagu. Fazia calor e a gente podia tomar quantos quisesse. Desde aquela época vivia uma certa melancolia toda vez que me sentia na obrigação de ser feliz e comemorar e dançar, mas desde esta época também gostava de ver meus amigos contentes na minha casa. Gostava de receber e acolher e fazer todo mundo se sentir bem à vontade.
Não mudei nada. Aos trinta e três anos recebi meus pais queridos na véspera do meu aniversário. Jantamos juntos, tomamos um vinho e depois da meia-noite fiquei sentada à mesa com meu pai, ouvindo-o contar um pouco sobre sua juventude. Que sensação maravilhosa. A Lolô dormindo como um anjinho, meus pais cheios de saúde, o Tin tão meu marido. Meus tios ao telefone.
Para completar vieram os amigos festejar comigo e me deram de presente a alegria de sentir prazer ao celebrar a amizade. Sentados pelos sofás contavam histórias, em pé na cozinha falavam alto, as bochechas meio rosa do vinho e o riso muito fácil. Fui muito feliz nesse dia primeiro de novembro.

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