quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

BABEL

O tal "retien", palavra que os franceses usam para um filme que deixou alguma coisa dentro da gente aconteceu comigo quando vi Babel.
Babel é um filme que fala da solidão humana, da nossa incapacidade de compreender quem está ao nosso redor, da condição de haver no mundo tantas verdades quantas pessoas existirem para acreditar nelas. Babel põe uma lente de aumento na vastidão do mundo interior do ser humano e trata-se exatamente da linha onde as questões internas de um se esbarram nas questões internas do outro. O grande desencontro. Inarrítu tratou a questão da intenção das personagens sem nenhuma piedade. Por melhor que elas fossem, criaram problemas insolucionáveis. Nas famílias, dentro das casas, entre um país e outro.
Tudo porque não há mais ligação entre as pessoas. Aquela ligação que independe da linguagem verbal ou gestual. Aquela conexão que só existe quando se consegue silenciar os nossos próprios interesses para captar o outro de verdade.
No fim do filme, sobem créditos do diretor: "para os meus dois filhos, minha luz brilhante nas noites mais escuras."
Eu chorei.

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