quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

A FEIÚRA DA VOZ E A TERNURA DO CONTEÚDO

Estou gostando das surpresas e dos contrastes. Explico.
A Cosacnaify acaba de lançar uma pequena edição de luxo com 50 poemas do Manuel Bandeira acompanhado de um CD onde ele lê seus próprios poemas.
Acontece que sua voz é feia e sisuda. Me lembra um pouco Fernando Trotta, meu sogro. Mas conforme vamos ouvindo a feiúra da voz se harmonizando com a ternura do conteúdo percebe-se a simplicidade da sua obra. O só isso que ele quis dizer.
E no meio da Marginal Pinheiros, tendo ao meu lado esquerdo o grande buraco do metrô atrapalhando tudo, levo Bandeira por companhia, dizendo que vai-se embora para Pasárgada. Diz em tom agressivo, o que o deixa muito frágil. E eu, me sentindo bem amiga do rei, acho que ele está sempre coberto de motivos para partir.

Chego em casa e não desço do carro. Fico esperando o poeta acabar de contar sobre o Recife em "Evocação ao Recife." E, já com a chave na mão fico mais um minuto para ouvir a saideira "Namorados". Chego em casa ainda rindo do jeito dele dizer" Antônia, você é engraçada! Você parece louca."

Deu vontade ligar para a Fê e contar tudo o que eu ouvi pra ela.

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