LOLA VAI À ESCOLA
Nessa véspera de início de aula virei pra lá e pra cá a noite toda. Sonhei com a Lolô na Esquilinho dando boas risadas enquanto eu a espiava por um vidro.
Não foi muito diferente.
Com o uniforme azul e maria-chiquinha no cabelo, lá foi a Lola, lancheira pendurada no pescoço, olhar curioso e o mantra Mãma! Mãma! para todo mundo que pôs os olhos nela.
Já que ela chegou às nove e meia, que é porque acorda tarde e não se tira nenê da cama para ir para escola, pegou a hora do lanchinho. Sem saber direito o que estava acontecendo, atravessou o páteo de brinquedos e chegou a uma salinha onde cinco nenês meninas comiam sentadinhas em mesinhas coloridas. A tia Dê a recebeu com carinho e ela até que entrou no clima. Difícil era a Adri sair de cena e aceitar que a Lorena está dando os primeiros passinhos para a independência.
Eu fui forte, torci para ela se bastar, devagar fui me afastando e a hora que vi lá estavam as pequenininhas em uma grande sala de brinquedos. A Lolô encontrou uma boneca neguinha que elegeu para ser sua e ficou entusiasmada com uma borboleta que voava toda colorida.
Pronto, me esqueceu. Eu me juntei com as mamães amigas do lado de fora da sala e, enquanto "O cravo e a rosa" ficava tocando em looping na árvore falante, nós comentávamos a maravilhosa experiência de ser mãe e viver estes momentos.
Acabou a manhã com as meninas no parquinho. Eu tentava numerar quantas vezes a Lolô quase caiu, ou quase bateu a cabeça, ou quase trombou com uma criança maior. E torcia para a tosse da sua amiguinha Paola não ir bem na cara dela. E para que o nariz escorrendo da amiguinha Eloísa não seja uma gripe braba. Torcia também para parar de torcer e aceitar que a vida tem essas imperfeições perfeitíssimas.
A Lolô, muito sábia, às vezes procurava meu olhar e abria um grande sorriso ( coisa de coração pra coração). Outras vezes me procurava para dar um forte abraço nas minhas pernas e depois correr de novo para brincar.
Por dentro eu sentia assim: pode ir conhecer o mundo, filha. A mamãe está sempre aqui.
Óculos escuros. Importantíssimos nesses primeiros dias de aula.
chorei.
ResponderExcluirpronto falei.
ou melhor, pronto escrevi.
chorei e pronto. E daí?!
Quem disse que meninas de Balzac, só por que são de Balzac, não tem instinto materno?
Aliás, A Fefe esqueceu de mais uma:
Que mulher nunca desejou ser mãe só pra ver como é mas sem a responsa de vida inteira?
Mil Beijos Ana.
Miss you lots.
Dani Spino
Ana, chorei...lí muitos textos lindos q vc escreveu, mas esse tocou na alma, no coração e na minha cabeça cheia de razão...Que pessoa vc se tornou, hein? Ou melhor, se transformou...sempre foi ótima, mas agora percebo que é uma mulher plena, realizada...Continue nos brindando com essas coisas que a gente sente mas nem sempre sabe idenficar...Bj Ju Rizzo
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