sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007


ADHO MUKHA SVANASANA

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

UM CHEIRO

Dar um cheiro em quem a gente gosta é uma atitude instintiva. Fica-se olhando para o ser amado e pumba, cheira-se o cangote, o pescoço, bem atrás da orelha. O rosto também dá vontade de cheirar.
Quando tem-se um filho, a gente cheira ele todo. A toda hora. Às vezes a gente chega em casa e o nenê está dormindo. O jeito é entrar no quarto na ponta dos pés, na ponta dos pés ainda debruçar-se no berço e com a maior delicadeza dá-se duas fungadinhas nele.
Minha memória olfativa é impressionante. Se penso em alguém que não vejo há muito tempo a lembrança do cheiro daquela pessoa me vem imediatamente.
Cheiro dá saudade.
O cheiro que está por trás dos perfumes, dos talcos e das lavandas. O cheiro que a gente não cheira, mas sente sem querer.
O cheiro dos amigos da natação, misturado com um pouco de cloro. O cheiro da nossa casa em Assis. Cheiro da casa da vovó Martha. Cheiro dos táxis em Nova York. Cheiro dos franceses. Cheiro do Dr Sang. Cheiro da casa do tio Jango. Cheiro da Bruna criança, doce como o olhar que ela tem até hoje. Cheiro do moletom preto que a Gi me emprestou num dia de frio. Cheiro do inverno no Xereta, quando a gente deitava na grama para se esquentar no sol. Cheiro do apartamento da rua Madalena, das roupas da Fefê. Cheiro do Tintin chegando da filmagem. Cheiro dos trigêmeos e do Dobló da Cice. Cheiro da casa da Loira, na JV da Cunha e Silva e que, me causa surpresa, permanece até hoje lá no Morumbi.
Gosto também desse cheiro que estou sentindo agora. O cheiro da minha casa.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007


PRA DORMIR

Um dia desses pintei esta fronha.
É que havia lido o diário de Frida Kahlo e fiquei muito entusiasmada com o seu jeito de enfeitar a casa e enfeitar seu casamento com singelas declarações de amor.


SONHO

Um poema que ao lê-lo, nem sentirias que ele já estivesse escrito, mas que fosse brotando, no mesmo instante, de teu próprio coração.

Mario Quintana

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007




OS REIS DA SINGELICE

Pois registro aqui a mais singela das tardes. Se passou no Rio de Janeiro, especialmente no Outeiro da Glória.
A cena começa na subida dos paralelepípedos que nos leva ao Solar da Mari e do Para, como ela apelidou carinhosamente sua casa, tombada pelo patrimônio nacional, tão charmosa e especial. A variante azul bebê cujo nome próprio me fugiu fica estacionada logo em frente, anunciando que o casal está em casa. (Doralice se não me engano). Kundum, o cachorro tibetano vem nos receber ao pé da porta.
Na vitrola a Arca de Noé, Os Saltimancos e alguns chorinhos viram trilha sonora nas brincadeiras do tio Para. Eram teatros de sombras, bonecos feitos à mão, peões feitos de jornal e tecido, tudo para a Lolô se divertir.
Não posso dizer por ela, embora sua feição fosse de pura alegria, mas para mim aquilo tudo era a glória.
E a pequena só de fralda dançou, bateu palmas, agradeceu dobrando os joelhinhos e ficou lá, bem criança vivendo como criança.
E teve a pausa para o café da tarde, servido na mesa da cozinha, com pão quentinho e amigos doces.
Falou-se de poesia e samba.
E na hora de ir embora, Para e Mari dão adeus da sacada.
Os reis da singelice.


DOMINGO NA FEIRA DA LIBERDADE EU ACHEI OUTRA CIDADE
(Como cantou meu amigo Rodrigo Leão.)

Fomos almoçar em um chinês da Liberdade.
Não adianta ir sem indicação. Há uma portinha chinesa ao lado da outra, sem diferença alguma. É preciso saber em qual entrar. Uma vez lá, não pague o mico de dizer o seu nome porque ninguém quer saber. Há uma fila e pronto acabou. A fila deste tal restaurante chinês é silenciosa e organizada pelas próprias pessoas que vão chegando.
Em dez minutos estávamos numa daquelas deliciosas mesas redondas giratórias. As garçonetes só falam chinês e estão sérias e apressadas. No meio do pedido elas se viram e saem andando. Mas voltam com tudo na bandeja: camarão, peixe com gengibre, lula com nirá, carpas e outras iguarias delirantes. Nas mesas ao lado chineses e um paulista abelhudo ou outro.
E no meio de todos aqueles olhos puxados havia um clima de celebração.

Eis que o grande dragão entrou anunciando a chegada do ano 4.704. O ano do porco, da fartura e da prosperidade.
Que assim seja.
Era dia de festa na Liberdade.

domingo, 11 de fevereiro de 2007





A SÓS COM O MAR

Mar em francês é substantivo feminino. La mer.
Sim, o mar é mulher.

sábado, 10 de fevereiro de 2007


SINGELICES DE VERÃO

E tinha o sol brilhando
E o mar brincando de ser piscina

TATUAGEM

Que é pra me dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

SAPO ARGENTINO

Hoje não está fácil.
Não é TPM, não é nada específico, é o meu lado B que quis ficar tocando o dia inteiro.
Tocando um sou-chata-às-vezes-tenho-mau-humor-paticumbum-dou-respostas-atravessadas-não-sorrio-à-toa.
Nesses dias a gente atrai o perrengue. Vai estacionar não tem vaga, bate a canela na quina, dá topada no chão, borra o esmalte, esquece que tinha consulta no médico, entra no chuveiro e esquece o xampú do lado de fora, liga para as amigas e ninguém atende.
Queria sair mas a Adri foi embora e o Tin está filmando. Nesses dias também me aparece uma capacidade de ser implicante perigosíssima - as filmagens são a salvação do Tin e a folga a sorte da Adriana.
Tive o que mereci: uma sexta -feira quente de verão, de férias, em casa, com a Lolô dormindo e o pobre Bê ainda enfermo. Na tv, Globo Reporter sobre feras de boca imensa.
O sapo argentino é diabólico. Sempre.
Eu pelo menos sou isso, mas não sou só isso.

PARECE QUE FOI ONTEM

Mas hoje faz um ano e meio.
NO MSN: CAPÍTULO LXXXVI Amai, rapazes!

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007


EU VOU TORCER PELA PAZ. PELA ALEGRIA, PELO AMOR

Imagine um serzinho que mede uns setenta centímetros de altura andando pela casa, distraída da vida, cantarolando Jorge Ben no maior estilo nenezês. Pea Pá. Gui. Amô ô ô.
E aí o serzinho põe a boneca no sofá, levanta as perninhas dela e diz: totô. Caca. Totô.
E volta para a cantoria: pea pá. Amô ô ô.
MUTANTE

Acordei às seis e meia com vontade de fazer tudo diferente. Vou pôr uma roupa improvável, tomar café em outro lugar, reservar hotel em outra cidade e ir onde eu não iria se não quisesse mudar os ares.

Queria escrever um post falando do que eu não falaria, escrito com um estilo que não o meu.
Seria alguma coisa assim:

arrasta multidões quetais às arrastadas pelos mutantes!), e tal, e coisa,
mas, bem, o que vimos agora talvez
esteja sendo visto, finalmente, profecia que se autocumpre, pela primeira
vez... e eu continuo feliz à beça de
ter estado lá no meio, mesmo com toda minha (para sempre?) crescente
multidãofobia e com toda minha (por ora?)
decrescente preguiça de revivals.

Mas este é o Pedro Alexandre descrevendo o show dos Mutantes no aniversário de São Paulo.

AS ANTIGAS AMIGAS SÃO SEMPRE NOVÍSSIMAS

Fomos jantar. Eu, Fefê e Toty.
Discordamos de algumas coisas, mas concordamos com as essenciais. Mudamos de opinião. Falamos das intimidades das famílias, dos planos para daqui a pouco, da terra do nunca e de babel. Embora cada uma tenha uma história, quando nos encontramos somos avulsas e disponíveis.
Nenhuma de nós se inventou e achou que já estava pronta.
Estamos nos inventando ainda e será assim até o fim.
Por isso, nosso encontro tem sempre um gosto de amizade antiga envolvida pela novidade dos instantes acontecendo e modificando a gente ali mesmo, naquele tailandês.
Chá de jasmim.
Eles passarão e nós passarinho.
NÃO CONSIGO ESQUECER A MACABÉA