segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007




OS REIS DA SINGELICE

Pois registro aqui a mais singela das tardes. Se passou no Rio de Janeiro, especialmente no Outeiro da Glória.
A cena começa na subida dos paralelepípedos que nos leva ao Solar da Mari e do Para, como ela apelidou carinhosamente sua casa, tombada pelo patrimônio nacional, tão charmosa e especial. A variante azul bebê cujo nome próprio me fugiu fica estacionada logo em frente, anunciando que o casal está em casa. (Doralice se não me engano). Kundum, o cachorro tibetano vem nos receber ao pé da porta.
Na vitrola a Arca de Noé, Os Saltimancos e alguns chorinhos viram trilha sonora nas brincadeiras do tio Para. Eram teatros de sombras, bonecos feitos à mão, peões feitos de jornal e tecido, tudo para a Lolô se divertir.
Não posso dizer por ela, embora sua feição fosse de pura alegria, mas para mim aquilo tudo era a glória.
E a pequena só de fralda dançou, bateu palmas, agradeceu dobrando os joelhinhos e ficou lá, bem criança vivendo como criança.
E teve a pausa para o café da tarde, servido na mesa da cozinha, com pão quentinho e amigos doces.
Falou-se de poesia e samba.
E na hora de ir embora, Para e Mari dão adeus da sacada.
Os reis da singelice.

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