quarta-feira, 5 de setembro de 2007

SEU NAUEF

Bem pequena na casa da minha avó vivi momentos de deixar qualquer menina de seis anos sem fôlego.
Era aquele árabe joalheiro que chegava com sua misteriosa bolsa preta da qual saiam os ouros vindos do Líbano. Pulseiras muitas, pedras fartas, broches, anéis, alianças, todos de uma cor de jóia de outras terras, meio avermelhadas.
Eu não entendia bem o quanto aquilo valia, embora relacionasse com um tesouro, portanto esplêndido. A experiência era puramente sensorial. As pedras mais quentes que os metais. As pulseiras juntas tilintando. Os brilhantes, brilhando. Os nomes dramáticos: solitária, camafeu, rubi.
E tinha a Titá eufórica, experimentando tudo e querendo juntar os dinheiros das aulas para ter as jóias, uma por uma.

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