
NATAL
Me lembro quando criança e dezembro vinha chegando cheirando a nectariana e pêssego. Meu pai tirava do armário uma caixa retangular que nos acompanhou anos e anos. Lá estava nossa árvore de Natal, sem charme nenhum, hoje eu sei. Mas para mim era motivo de euforia. Lembro do cheiro que ela tinha, cheiro de enfeite laminado. Primeiro colocávamos a base, depois era só ir tirando os galhos de dentro dos cilindros e enfiando nos buraquinhos daquela base. Depois era preciso pegar linha para pendurar as bolas, aquelas mais comuns de todas. Eram vermelhas. No topo da árvore deixávamos sempre uma bola mais gordinha com a imagem do menino Jesus, a minha preferida. Por último meu pai colocava o pisca-pisca, o que tornava tudo mágico aos meu olhos.
Esse ano vi a Lolô se deliciar com nossa árvore. Fomos juntas comprar os enfeites e o pinheiro e fiz questão de caprichar nas luzinhas. Escolhi uma de duzentas lampadinhas. Que noite feliz foi aquela!
Cada enfeite que pendurava no galho era uma exclamação da Lolô. - Olha mamãe, que linda.
Muito, mas muito concentrada ela me ajudou de verdade. Pendurou os brinquedos de madeira cuidando de não pôr dois no mesmo galho. Quando não alcançava me pedia ajuda: - Põe esse aqui mamãe, e apontava com o dedinho. E eu fiquei tão feliz à medida em que a árvore ia surgindo.
Quando ela estava pronta coloquei as luzinhas e liguei na tomada.
Ficamos olhando nossa árvore sem cansar.
E ontem antes de dormir fui até a sala apagar a luz. Ficou somente a árvore iluminada anunciando que ali morava uma família.
Fiquei pensando nisso olhando minha imensa barriga, os brinquedos da Lolô no chão da sala, o cachorro dormindo, o Tin lendo no quarto e o cheiro de pêssego e nectarina perfumando esse tempo bom.
Nica minha linda, molhei teu texto? Não?? Pois estou em prantos. Cice.
ResponderExcluirarrivederci? sí sí?
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