REFLEXÕES DE ANIVERSÁRIO
No dia do meu aniversário a questão da existência sempre me vinha à tona.
Havia festas e gente mas eu não me incluia na minha própria comemoração. E não sabia muito receber nem dar amor. Nem respeitava muito a minha natureza, que sempre foi branda, sem exaltações.
Estava conversando com a Pazita sobre isso e outras aflições humanas. Concluimos que uma delas, e talvez a maior, é não se sentir parte das coisas. Ela falou e eu entendi, porque alguma vez na vida já me senti fora de contexto, estranha, sem ligação com o que estava ao meu redor. Já quis ser diferente do que eu era, para ser mais igual aos outros.
A segunda aflição maior é a culpa. Nasce-se culpada e achando que o que pode haver de bom na vida não está reservado para você. Também entendi que este sentimento é muito comum. Lidar com as coisas que nos colocam para baixo vai ficando tão familiar, que, olha o perigo, nos deixa acostumadas a viver assim, sem merecer.
Pois já faz uns anos que essas dores passaram. Há outras, porque sem elas não existimos, mas essas não.
Ando sempre com uma gostosa sensação de plenitude. Minha casa, minhas filhas, meu marido, minha família, meu trabalho, meus amigos, minha yoga, tudo está perfeitamente bem.
O melhor lugar do mundo é aqui e agora.
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