sábado, 29 de dezembro de 2007



MUITA CALMA PARA SONHAR

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

TUDO PRONTO, ATÉ O CÉU

Agora o solzinho já pode nascer.
Embora eu sinta que ela vai é esperar para nascer em 2008, um ano novinho em folha, todo em branco para a gente escrever.

O NATAL

Depois da ceia posta, a família na sala, os presentes no chão, Lolô se punha na minha frente com a mão na cintura e repetia a pergunta:
-Mas mamãe, cadê o Na-tal? hein? Cadê?

domingo, 23 de dezembro de 2007



O TEMPO DA DELICADEZA

sábado, 22 de dezembro de 2007

LOST IN TRANSLATION

Adoro aquelas pessoas que, independente do que fazem, de onde vivem, de que idade têm, estão ligadas a mim. Não é uma ligação social, não é conveniente, é mais sutil que isso. É uma questão energética.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

PARA UM AMIGO

A presença de algumas pessoas aquieta o coração.
E um dia elas vão, porque todo mundo vai. E tudo se ajeita, e um tempo depois percebe-se que todo mundo ficou feliz porque a vida pede mudanças e é preciso reconhecê-las e dar o impulso para vivê-las.
Daí, a lembrança delas é que aquieta o coração.
Não é a mesma coisa.
Sua presença vai me fazer falta. Sempre encontro paz no seu olhar.
QUASE

Quase entendo quando ele diz que não tem urgência.
Mas a vida é hoje e o instante não volta.
Hoje fiquei triste.
ONDE VOCÊS PENSAM QUE VÃO?

Todo ano nesse exato dia 21 estou no meio de um turbilhão. Festa da firma, presentes, viagem para Assis, tudo na mesma semana, o que me deixa zonza mas à vontade pois é assim desde que me mudei para São Paulo, dezesseis anos atrás.
Pois agora estou assistindo à correria dos outros. Não comprei presentes e estou perdoada porque não tenho condições de levar minha barriga ao shopping, estou de licença, não vou viajar e não sei onde pôr as mãos, nem os pés.
Sei que vou acordar amanhã e cada um estará encaixado em seu Natal. Assis, Bauru, Linhares, Campinas, Rio de Janeiro, Juquehy, foram todos. E nós teremos um Natal aqui em casa mesmo, bem íntimo.
Queria muito muito estar em Assis. No Natal a gente quer nossa família.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

5h16

No fim da gravidez não se dorme. Eu não consigo mais dormir. É um incômodo, nenhuma posição está boa, a cabeça quer descansar e eu sinto muitas coisas ao mesmo tempo. Contração, o ar faltando, um desconforto que não passa enquanto está escuro.
De manhã bem cedinho pego no sono.
Aí chega o Tin da filmagem, exausto. Cai na cama e dorme roncando, o que não combina com meu sono de passarinho.
E depois tem o pessoal da agência. Nove ligações no meu celular até às onze da manhã. E reuniões e discussões.
Hoje, agora, às cinco e vinte de quarta acabo achando que os limites quem dá é a gente. E eu não ando dando.
Vou dormir e não quero pensar em nada daqui até o parto.

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

BOAS-VINDAS

Acordei cantarolando esta música do Caetano.

Lhe damos as boas-vindas
Boas-vindas, boas-vindas
Venha conhecer a vida
Eu digo que ela é gostosa
Tem o sol e tem a lua
Tem o medo e tem a rosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a noite e tem o dia
A poesia e tem a prosa
Eu digo que ela é gostosa
Tem a morte e tem o amor
E tem o mote e tem a glosa
Eu digo que ela é gostosa
Eu digo que ela é gostosa
DO TRABALHO

Eu me despeço do trabalho feliz. Mais comigo do que com a agência.
Feliz porque eu me reinventei. Recomecei do zero sem nem saber que seria capaz.
Agora chega. Quero ir descansar.
Os bichos descansam antes do parto. Não sou diferente.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

BOM DEMAIS

Ter uma amiguinha de dois anos que passeia comigo de mãos dadas nas ruas da Vila Madalena e me ajuda a escolher um lindo presente para a tia Bibi. E que sente tanta satisfação porque estamos ali, e é Natal, e as luzinhas piscam e um ventinho sopra e hoje é hoje. Ela anda decidida, curiosa. Às vezes olha pra mim e sorri. Nada me falta.
9 MESES

Minha gravidez tem sido linda e solitária.
TEMPO

Agora que tenho minhas filhas, meu marido, minha casa, quero ter tempo para vivê-los.
DUAS

Duas almas femininas habitando o mesmo corpo. Acho que é por isso que estou assim. Assim.
BEM QUERER

Ontem fui me despedir dos amigos da yoga. E consegui entender porque gostaria de estar no meio deles até o último dia da minha gravidez.
Todos; os mais velhos, os mais novos, as mulheres, os homens, Rui, meu professor amigo e os que mal sabem da minha vida me transmitem um otimismo inexplicável. Um desejo sincero, ou melhor, uma certeza de que a vinda da Manuela ao mundo será um ritual lindo, como o surya de cada aula.
Perto deles me sinto apta, pronta, capaz. Sei ir ao essencial. Eles me encorajam.
Eu gosto de mim quando estou com eles.
Natural, simples e sempre.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007





LOLÔ, APRESENTANDO O QUARTO DA MANUELA

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

SEM FRALDAS

Lolô está saindo das fraldas, o que, preciso dizer, dá um trabalho do cão.
Ela vive sentada no pinico. Faz dezesseis xixis e seis cocôs por dia porque fraciona as porções. Assim: ela mal acaba de fazer e já se levanta eufórica para olhar o que saiu dela. E lá vamos nós limpar o chão, o bumbum, o pinico e levar aquela obra prima à privada, promovendo o ritual da despedida que ela adora. E mal acabou um ciclo e o outro já começou.
Nos restaurantes, pode cronometrar, cinquenta por cento do tempo dentro do toalete.
No shopping, a cada dez minutos uma ida ao banheiro. E ela que é sem-vergonha inventa sempre que está precisando ir ao banheiro.
Às vezes fico com vontade de botar a fralda outra vez e deixar que a vida a tire sozinha, quando ela tiver uns seis anos, sete anos. Ai, tô exausta!




LEÃO, LEÃO, LEÃO ÉS OS REI DA CRIAÇÃO

EU E O TIN VENDO SHOW DO POLICE (PELA TV)

"A man feels towards a woman he admires. The shyness and distance is evoked in his line about standing with her under a big enough umbrella, but he becoming wet, climaxing in the all-time classic fears: "I resolve to call her up a thousand times a day/And ask her if she'll marry me in some old fashioned way."

Foi bom assim mesmo. Do sofá, namorando.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

CLARICE SOBRE SER MÃE

" Quanto a meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres."
BANDEIRA PARA CLARICE

"Você é poeta, Clarice querida. Faça versos, e se lembre de mim. Você nunca é falante, barulhenta. O que você escreve nunca dói nem fere os ouvidos. Você sabe escrever baixo."
Manuel Bandeira.
CADA DIA UM PEDIDO NOVO

- Mamãe, sabe o que o Papai Noel vai me dar?
- Não, o que?
- Um fundo do mar. E para a Manuela, para a Manuela ele vai dar- e olhou para cima pensando- ele vai dar uma parede e um paninho pra ela limpar.
LEMBREI

O Zé Eduardo é meu amigo das antigas. De quase vinte anos atrás. Amigo de quando eu era adolescente (e ele já era um homem barbado). O Zé sempre quis que todos a sua volta se sentissem bem. É aquele tipo que torcia para o Bagá, nosso amigo que tocava MPB nos barzinhos de Assis, cantasse a música que todos gostassem para todo mundo cantar alto junto com ele, e que nossos pais nos deixassem sair, e que as piadas fossem boas para arrancar gargalhadas na mesa e que toda a galera se encontrasse, e que houvesse festas e eventos para que a gente curtisse a vida ao máximo. Sua casa de Assis estava sempre aberta. Lá ele juntava os amigos e graças a isso tivemos os melhores carnavais das nossas vidas, já que a casa da XV de novembro era um QG da galera de São Paulo, misturada com a de Assis numa química inacreditável.
Quando mudamos para São Paulo o Zé veio também.Vendeu mousse com a Toty, fez pós no Mackenzie. Fez minha prova de estatística também. Sempre dormia em casa e nossa intimidade era tanta que ele pegava os tênis da Toty emprestados e ficava puto quando a gente ia na casa dele e acabava com as rosquinhas e as tubainas que a dona Catarina mandava de Assis. Eu, o Zé e a Toty não nos desgrudávamos.
Corta a cena.
Mostra a vida passando. O Zé se casou, mudou para o Rio, teve filhos. Eu me casei e virei mãe. A Toty se casou. A Dani veio trabalhar comigo, o Zé praticamente virou o marido da Dani pra mim e nós passamos a nos falar (religiosamente) nos aniversários e conviver socialmente, nos vendo muito menos do que poderíamos. Durante anos e anos.
Corta novamente. Entra em cena nosso encontro de ontem no shopping Vila Lobos.
Sentamos todos no Ráscal para uma pizza. E lá estava o mesmo Zé, agora querendo que os seus filhos se divirtam e sejam felizes. Chamando a mãe da Dani de "minha sogra". Radiante cada vez que via que a turminha de crianças se entendeu, fotografando os bons momentos dos pequenos na casa do Papai Noel, preocupado se Claudinha, a babá dos filhos dele estava comendo e bebendo e sentada.
Terminamos a noite assim: - Pô Zé, queria tanto ver o show do The Police.
E a Fê Jabur, que estava conosco como nos velhos tempos, respondeu:
-Eu quero que o The Police exploda em mil pedaços. Vou no show fazer o que? Angariar fundos para o azilo deles?
E o Zé soltou aquela gargalhada gostosa, lotou o carro com sua família e foi embora feliz da vida que eu sei.
Ontem eu relembrei porque eu gosto tanto do Zé.
PEDIDO DE NATAL

- Mamãe, sabe o que eu vou pedir pu Papai Noel?
- O que?
- Uma Chapeuzinho Vermelho, uma cobra azul e um caixa de molango.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007


O QUARTO DA MANU COMEÇA A TER UMA CARINHA

DODÓI DE FILHO DÓI

Lolô com febrão em um fim-de-semana.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

DOMINGO

Domingo sempre foi o dia que eu menos gostei da semana. Porque no dia seguinte tinha aula, eu tinha que ir para a cama sem sono, e tinha o barulho da música do Fantástico ou a TV ligada no Silvio Santos. Quando penso em mim no domingo me imagino sozinha ouvindo música no meu quarto, escrevendo em agendas, me perguntando por que as pessoas que até sexta estavam tão unidas se dissipavam no domingo. É que domingo é dia de passar com a família.
Domingo tinha almoço na casa da minha avó. Mas assim como sábado acabava para ser domingo, o almoço também chegava ao fim e cada um ia para sua casa dormir um pouco, ler o jornal, desistir de inventar o que fazer.
Um dia escrevi: há um domingo, um silêncio, um nem tchum.
Hoje, anos depois, continuo achando que domingo foi feito para eu ter comigo. O Tin trabalha aos domingos. Quase todos. É raro ele em casa. E agora ficamos eu, Lolô e a Manu. Uma dentro de mim, a outra me querendo tanto para ela que não há separação. Aos domingos nós três somos uma.
Não fosse o peso que é preciso carregar, diria que é muito bom e melancólico ao mesmo tempo. No domingo sinto o passar das horas. A vida acontecendo no silêncio da casa.
Mas, confesso, ontem mesmo até chorei à noite porque sou tão responsável por nós três e no domingo me dou conta disso.
Acho que domingo é dia de chorar um pouquinho, para agradecer ou pedir. Domingo é o dia que se morre. Minha avó morreu num domingo, eu me lembro. Ayrton Senna também. Domingo é uma pausa. Domingo rebaixa times para a segunda divisão. No domingo, às quatro da tarde, tias de cabelos tingidos e batom entram nos carros levando um pouco do que restou da sobremesa do almoço.
No domingo o ar é parado.

sábado, 1 de dezembro de 2007

O PARTO

Agora, na trigésima quinta semana, penso bastante no parto. A hora vai se aproximando e o mais saudável é soltar esse pensamento no Universo. Mas antes de confiar que tudo sairá perfeitamente gosto de imaginar o parto, assim como em toda prática do sankalpa na yoga repito que confio em mim para fazer a vinda da Manu ao mundo ser tranquila e alegre. Me imagino com as contrações, imagino que será um dia lindo, que eu ficarei calma e estarei cheia de energia e coragem. Imagino a Manu nascendo perfeita, linda, chorando bem alto. Daí sim, solto esta idéia para o mundo.

NO PARTO DA LOLÔ

Teve um momento que vivi com a Lolô que dá um frio na barriga só de pensar. Foi quando eu já está lá na sala de parto, quase me virando no avesso de tanto fazer força há bastante tempo e o médico disse: agora não dá mais para esperar, ela tem que nascer. Nessa hora, meu Deus, nessa hora eu entrei em transe de tanta entrega, força, fé, amor, responsabilidade, tudo misturado. Sim, nessa hora eu dei à luz.