quarta-feira, 31 de janeiro de 2007




LOLA VAI À ESCOLA

Nessa véspera de início de aula virei pra lá e pra cá a noite toda. Sonhei com a Lolô na Esquilinho dando boas risadas enquanto eu a espiava por um vidro.
Não foi muito diferente.
Com o uniforme azul e maria-chiquinha no cabelo, lá foi a Lola, lancheira pendurada no pescoço, olhar curioso e o mantra Mãma! Mãma! para todo mundo que pôs os olhos nela.
Já que ela chegou às nove e meia, que é porque acorda tarde e não se tira nenê da cama para ir para escola, pegou a hora do lanchinho. Sem saber direito o que estava acontecendo, atravessou o páteo de brinquedos e chegou a uma salinha onde cinco nenês meninas comiam sentadinhas em mesinhas coloridas. A tia Dê a recebeu com carinho e ela até que entrou no clima. Difícil era a Adri sair de cena e aceitar que a Lorena está dando os primeiros passinhos para a independência.
Eu fui forte, torci para ela se bastar, devagar fui me afastando e a hora que vi lá estavam as pequenininhas em uma grande sala de brinquedos. A Lolô encontrou uma boneca neguinha que elegeu para ser sua e ficou entusiasmada com uma borboleta que voava toda colorida.
Pronto, me esqueceu. Eu me juntei com as mamães amigas do lado de fora da sala e, enquanto "O cravo e a rosa" ficava tocando em looping na árvore falante, nós comentávamos a maravilhosa experiência de ser mãe e viver estes momentos.
Acabou a manhã com as meninas no parquinho. Eu tentava numerar quantas vezes a Lolô quase caiu, ou quase bateu a cabeça, ou quase trombou com uma criança maior. E torcia para a tosse da sua amiguinha Paola não ir bem na cara dela. E para que o nariz escorrendo da amiguinha Eloísa não seja uma gripe braba. Torcia também para parar de torcer e aceitar que a vida tem essas imperfeições perfeitíssimas.
A Lolô, muito sábia, às vezes procurava meu olhar e abria um grande sorriso ( coisa de coração pra coração). Outras vezes me procurava para dar um forte abraço nas minhas pernas e depois correr de novo para brincar.
Por dentro eu sentia assim: pode ir conhecer o mundo, filha. A mamãe está sempre aqui.
Óculos escuros. Importantíssimos nesses primeiros dias de aula.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007


O JANTAR

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007


ARARAS

Se não fosse pela moda eu teria mais bens materiais do que tenho.
Seria uma senhora economia não consumir novas peças de roupas a cada estação. Porque comigo é sempre assim: essa eu mereço, essa é de aniversário, essa é porque eu estou sem blusa com decote nadador, essa é porque é a minha cara.
Gosto muito de roupas, bolsa, sapato e óculos.
No fundo acho que essa vaidade é meu pecado, mas neste exato momento estou deixando ele me dominar. Sigo os conselhos do meu china-guru Alex: seja mais do mundo. Não existe só yoga e espirutualidade nessa vida.
Ando comendo pimenta e curry, tomando vinho, adorando dançar, namorar e, claro, me vestir.
Bom, de férias vi todos os desfiles do SPFW. Agora quero ver as araras. O Ronaldo Fraga e sua China, a Isabela Capetto e sua feminilidade, a Fabia Berseck e seus tricôs e a Huis Clos, que eu achei podre de chique.
QUE PRAZER

"E receber o telefonema do amigo, e a comunicação de vozes e alma ser perfeita? Quando se desliga: que prazer dos outros existirem e da gente se encontrar nos outros. Eu me encontro nos outros."

Trecho de "A descoberta do mundo" - CL

MEDO

Fiquei pensando no que escrevi sobre projetar as singelices. Imagine se a Lolô, que só usa vestidos longos e havaianas, ou um casaquinho de crochê sobre uma batinha, ou uns vestidinhos indianos sobre a calça jeans me inventa de gostar da Barbie, de strass na sandalinha, de saltinhos cor-de-rosa e mochila do Pokemón e aqueles tênis de rodinha que todas as crianças do shopping Iguatemi têm.
Estou confiante que os amigos da Esquilinho não fariam isso comigo.

SER MÃE É VIVER TUDO DE NOVO

E lá fomos nós matricular a Lolô na escolinha. Eu confesso que queria adiar mais este dia, mas a Adri anda falando muito em sair daqui, o que nos obriga a ir cortando devagar os tão fortes laços que unem a babá e a bebê.
Eu sonhei em colocar a Lolô numa escola Waldorf, muito humana, natureba, onde as crianças fazem pão, cantam para o sol, para a chuva e vivem um mundo de faz-de-conta. Quero que ela precise do simples para ser feliz, que os amigos toquem violão, de preferência no sofá de casa, que ela viva sem sapato na areia. Quero que ela faça teatro, dança, artes plásticas e seja bem solta, bem livre. Quero também não ficar projetando minhas singelices nela o tempo todo.
Bom, fui até a Quintal do João Menino ( a Waldorf mais perto que encontrei) no fim do ano passado, conversei com a diretora, mas não matriculei a Lola e perdi a vaga.
Agora nos restou a Esquilinho, bem tradicional, bem pertinho, bem escolinha mesmo.
Conhecer a Esquilinho me trouxe memórias muito vivas dos meus primeiros dias no Xereta.
Uma coordenadora que lembrava a tia Vanessa começou a nos mostrar o páteo, os brinquedos, o banheiro com suas piazinhas tamanho pp. Os ganchos onde se penduram as lancheiras, que tem o nome da criança escrito numa fita crepe. A areia, as estantes com caixas encapadas com contact. E as bonecas sem roupas, os desenhos nas paredes, a foto do Maternal 1 no mural, a horta, os livros de histórias, a salinha de descansar, onde se ouve disquinhos, os bilhetes que a professora manda na lancheira, o cheiro de giz de cera misturado com massinha. Fiquei com um nó na garganta de imaginar a minha pequena ali, sendo uma criaturinha do mundo. Cada vez que a coordenadora começava a falar sobre o lanchinho, a lista de materiais, o uniforme (uniforme, santo Deus, como vou suportar?) eu metia os óculos escuros para disfarçar minha vontade de cair em prantos.
E agora mal consigo dormir, ansiosa com o meu primeiro dia de aula da Lola.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

BABEL

O tal "retien", palavra que os franceses usam para um filme que deixou alguma coisa dentro da gente aconteceu comigo quando vi Babel.
Babel é um filme que fala da solidão humana, da nossa incapacidade de compreender quem está ao nosso redor, da condição de haver no mundo tantas verdades quantas pessoas existirem para acreditar nelas. Babel põe uma lente de aumento na vastidão do mundo interior do ser humano e trata-se exatamente da linha onde as questões internas de um se esbarram nas questões internas do outro. O grande desencontro. Inarrítu tratou a questão da intenção das personagens sem nenhuma piedade. Por melhor que elas fossem, criaram problemas insolucionáveis. Nas famílias, dentro das casas, entre um país e outro.
Tudo porque não há mais ligação entre as pessoas. Aquela ligação que independe da linguagem verbal ou gestual. Aquela conexão que só existe quando se consegue silenciar os nossos próprios interesses para captar o outro de verdade.
No fim do filme, sobem créditos do diretor: "para os meus dois filhos, minha luz brilhante nas noites mais escuras."
Eu chorei.
JUPITER NA CASA 2

Uma amiga me disse que tenho Jupiter na casa 2. Não sei bem o que isto significa, mas quis guardar algumas poucas palavras da explicação que recebi... "as coisas sempre dão certo para quem tem Jupiter na casa 2."
Acreditei na hora. Isso virou um mantra pra mim.
Me lembrei de uma cena de "Big Fish" do Tim Burton, em que o garoto viu no olho da bruxa qual seria o motivo da sua morte e passou a vida se arriscando porque não tinha medo de nada, exceto daquilo que realmente o mataria.
Estou um pouco assim, protegida e achando que ter Jupiter na casa 2 faz todo sentido na minha vida.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007



UMA TARDE CHUVOSA MARAVILHOSA

Reuni os melhores amigos da Lolô nesta tarde cinza. Só para vê-los existindo, descobrindo, brincando desajeitados. Todos na sala, mais especificamente dentro de um siri inflável enorme que mal deixa a gente andar aqui em casa.
De repente ouviam um avião e voavam os quatro para a janela. Lá mandavam beijos para o céu e acenavam com a mãozinha. Depois iam para o chão, os pezinhos gordinhos do Tom marchando rápido e o corpo tentando acompanhar este novo movimento. A Lolô era pura alegria. Comigo também era assim, eu adorava receber os amigos em casa. Isabel, sua amiga de todos os dias, pois os olhinhos azuis em tudo quanto foi história dessa tarde mágica. Enquanto a Nanda observava os outros quietinha e de repente até assustava a gente com um sorriso escancarado, lindo, iluminado.
E eles conversam sem parar: papo, bapo, não, aaahhhhhh!, ai! êti, nêne, nêne, tau.

Da esquerda para direita: Lorena Trotta, 1 ano e cinco meses, Maria Fernanda Jabur, 1 ano e dois meses, Isabel Araújo, 1 ano e três meses, Tom Leão, 1 ano e um mês.
ESTOU DE FÉRIAS. E AGORA?

Esperei um ano por esse dia. Ficar de pernas para o ar. Curtir a Lolô o dia todo. Ir ao cinema, ao teatro, fazer cursos, estudar francês, viajar, viajar. Quem sabe visitar meus pais, ir ao contador, transferir minha cota jurídica, trocar um sapato, me matricular no curso de yoga do Pedro Kupfer, visitar uns amigos, visitar uns bebês de uns amigos. Ir ao dentista, enquadrar algumas gravuras, retornar ao ginecologista, dar as caras no dermatologista, ir ao Museu da Língua Portuguesa, ao desfile do Ronaldo Fraga, à loja da Gi que está em liquidação. E retornar alguns telefonemas, enviar um presente pelo correio, comprar calcinha e soutien. Cortar o cabelo da Lolô, fazer supermercado, limpeza de pele, massagem. Voltar para a natação, terminar três livros que eu comecei, assistir a uns filmes, ler um roteiro que o Tin me pediu e o livro do Mamet que ele me recomendou.
Visitar minha afilhada no Tatuapé, resolver uma questão de uma cortina da sala. Trocar o sofá, receber o Bê convalecendo de sua segunda e terceira cirurgias feitas hoje. Ir ao consulado italiano para assinar uns papéis, levar o carro na oficina, visitar umas escolinhas para quem sabe matricular a Lolô. Transformar singelices em camisetas para bebês, comprar presente de aniversário para o Che mandar fazer vitaminas e ferro.
Então, hoje é meu primeiro dia de férias e eu já estou exausta!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

A FEIÚRA DA VOZ E A TERNURA DO CONTEÚDO

Estou gostando das surpresas e dos contrastes. Explico.
A Cosacnaify acaba de lançar uma pequena edição de luxo com 50 poemas do Manuel Bandeira acompanhado de um CD onde ele lê seus próprios poemas.
Acontece que sua voz é feia e sisuda. Me lembra um pouco Fernando Trotta, meu sogro. Mas conforme vamos ouvindo a feiúra da voz se harmonizando com a ternura do conteúdo percebe-se a simplicidade da sua obra. O só isso que ele quis dizer.
E no meio da Marginal Pinheiros, tendo ao meu lado esquerdo o grande buraco do metrô atrapalhando tudo, levo Bandeira por companhia, dizendo que vai-se embora para Pasárgada. Diz em tom agressivo, o que o deixa muito frágil. E eu, me sentindo bem amiga do rei, acho que ele está sempre coberto de motivos para partir.

Chego em casa e não desço do carro. Fico esperando o poeta acabar de contar sobre o Recife em "Evocação ao Recife." E, já com a chave na mão fico mais um minuto para ouvir a saideira "Namorados". Chego em casa ainda rindo do jeito dele dizer" Antônia, você é engraçada! Você parece louca."

Deu vontade ligar para a Fê e contar tudo o que eu ouvi pra ela.
SÓ FALO UMA COISA: "A CASA DOS BUDAS DITOSOS."

domingo, 14 de janeiro de 2007


SÁBADO

sábado, 13 de janeiro de 2007


OS CACHORROS, VOCÊ E TODOS NÓS

O Sivuca e o Bê são amigos de infância. Um é grande, outro pequeno, um briguento, outro pacato, mas a verdade é que eles sempre se gostaram muito. Viviam juntos. Dormiam abraçados. Neste Natal por exemplo, um fez companhia ao outro num hotelzinho para cachorros. Depois veio a viagem ao sítio. Bom, nessa hora entraram em cena a Zelda e o Bacana, dois cachorros conhecidos.
Não sei se a presença desses outros cães tem alguma influencia no que vou contar: certo dia o Bê e o Sivuca brigaram pra valer.
Um horror. Sairam muito machucados, um rumo ao hospital, outro ferido só no sentimento.
Eu não me conformava... mas estava tudo tão bem, havia espaço para todo mundo... que irracionais!
Até que aconteceu comigo. Briguei como fez o Bê. Uma briga feia com a Cice no trabalho. Os outros dois cães assistindo. Mas nós duas muito concentradas naquele momento interminável de tensão.
Ninguém conseguiu separar.
E eu acabei o dia deitada na grama, sem latir nem abanar o rabo. Sem raciocinar também. E cheia de dores.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

ISSO IRRITA

Tem umas coisas que me irritam nessa vida. Ficar chateada com o trabalho e motoqueiro que passa por mim e faz não com a cabeça são duas delas.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

COISA MAIS BONITA

Eu me derreti no sofá da minha casa ontem quando assisti ao dvd "Encontro marcado com o cinema", que é uma série de curtas-metragens dirigidos por Fernando Sabino sobre os maiores escritores do Brasil.
A começar por Manuel Bandeira em seu apartamento no Rio, tomando uma xícara de café, caminhando até a padaria e recitando aqueles versos singelíssimos e desconcertantes. E quando eu vi estava dentro do seu apartamento, olhando através da sua janela, observando os seus móveis, ouvindo sua voz e fitando seu olhar doce e sincero. Eu estive com Manuel Bandeira ontem.
Depois vinham João Cabral, Guimarães Rosa, Vinícius, Jorge Amado, Drummond e muitos outros amados escritores.
Quem gosta de singelices literárias não pode deixar de ver.

sábado, 6 de janeiro de 2007


A DIFERENÇA É QUE ANTES EU QUERIA SENTIR, AGORA EU SINTO

Não gosto de pôr responsabilidade nas costas da Lolô, mas a verdade é que eu me transformei depois que ela nasceu. Antes eu queria sentir paz, agora sinto. Queria alegria sincera, queria o coração tranquilo só por estar ao lados dos meus pais e de toda a minha família e hoje, sem querer, me pego transbordando de felicidade no jardim de inverno da nossa casa em Assis, onde todos os anos na noite de Natal nos sentamos para ouvir as crianças e a Titá contarem histórias engraçadas. Sempre quis muito um amor, eu que tenho meu Tintin todo distraído, sem nem imaginar o quanto sou feliz por ele existir. Sempre quis ter uma filhinha que dormisse durante a festa de Natal e depois fosse para a cama carregada, com o cabelinho molhado de suor. Sempre quis uma respiração tranquila e uma ceteza de que o melhor lugar do mundo é aqui e agora.
Queria também me sentir bem com meus amigos. Sempre quis inclusive saber o que é ter amigos, eu que tenho os melhores desse mundo e brindo com vinho cada encontro que tenho.
Eu quis também encontrar a dose certa de amor pelas coisas e a sabedoria de não pôr nelas mais emoção do que precisam. Acho que consigo quando vejo a pequena Bruna virar uma mocinha que mal quer saber de mim. E vejo o Be, meu cachorro, sofrer um acidente na véspera de Ano Novo e partir para o hospital no colo do Tin. E dias depois vê-lo voltar sem nenum pêlo e uma cicatriz e achar que tudo vai ficar bem. Sofro menos pelo meu irmão ter aquele gênio difícil. Sofro menos pelo amanhã. Lamento menos o que deu errado ontem.
Mas o mais importante é que eu soltei um pouco a rédea da vida, que sempre levei em punho firme, achando que assim controlaria o mundo.
Eu já disse isso e repito: eu nasci no dia 02 de agosto de 2005.

" SE QUERES SENTIR A FELICIDADE DE AMAR, ESQUECE A TUA ALMA."
(Manuel Bandeira)

"QUERO A DELÍCIA DE PODER SENTIR AS COISAS MAIS SIMPLES"

Este é um instante impregnado de eternidade.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007


"MAS QUE CÉU PODE SATISFAZER TEU SONHO DE CÉU?"


2007

Todo ano escrevo aos céus uma carta cheia de esperança para o ano que vai começar. Gosto dos rituais da virada desde pequena quando via a Titá abrir todas as portas e janelas para a sorte entrar, acender todas as luzes para a alegria não faltar e à meia-noite quebrar um copo de vidro. Tinham as romãs e a sopa de lentilhas também. E uma sensação de renovação e otimismo, parecida com a que eu tinha quando começava caderno novo.
Para 2007 nada escrevi. Acho que é um sinal de fé soltar e deixar vir.
Guardei somente as palavras saúde, sabedoria e alegria. Desejei também saborear sempre os instantes. E agradeci pela minha família e meus amigos.
Recomeçar é a mágica da vida. O calendário é mesmo uma invenção sábia.