sexta-feira, 30 de março de 2007

DESCONFIANÇA

Acho que serei uma velhinha bem silenciosa.
EU VEJO FLORES

"Conhecer alguém aqui e ali que pensa e sente como nós, e que embora distante, está perto em espírito, eis o que faz da Terra um jardim habitado".
ABAS KIAROSTAMI -
DIRETOR DE "O GOSTO DA CEREJA"

"Com o passar do tempo, minha atração por muitas coisas diminui, dia após dia. Quero dizer que já não tenho o mesmo grau de preocupação com os meus filhos, que meu apetite por comida é menos intenso, que o desejo de ver meus amigos é menor. O que substituiu tudo isso e que se torna cada vez mais forte, embora não me atraísse em minha primeira juventude ou eu não o percebesse, é o desejo de estar na natureza, de contemplar o céu, o outono, as quatro estações.
Essa é a única coisa que me faz temer a morte. Não o medo de morrer, mas a idéia de perder a natureza que ainda tenho, a possibilidade de contemplar o mundo. Porque o único amor que aumenta de intensidade a cada dia, enquanto os outros amores perdem sua força, é o amor pela natureza.
Temos, normalmente, tendência a lamentar as coisas que nunca fizemos. Às vezes o tempo parece tão curto que somos levados a pensar que não há, de fato, tempo. Mas esse remorso também não me faz sofrer, porque acho que sempre fiz aquilo que quis."
PALAVRAS

Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.
Devemos modelar nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos.
OS LIVROS QUE NOS SALVAM

"Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."

Nelson Rodrigues

quinta-feira, 29 de março de 2007

DELETE

Apaguei o post do trabalho.
Não quero desvirtuar meu blog.
AMBIÇÃO

Queria ensinar o mundo a falar com clareza.
A CARTA MAIS LINDA DO MUNDO

Ando lendo meus bons e velhos poetas.
Mas o que anda me encantando mesmo é um poetinha de 8 anos.

Ele, que perdeu a mãe tão cedo, escreveu uma carta dizendo o que é uma mãe para um filho.
Aprendi muito com suas palavras.

A vida é hoje. Amanhã "o tempo passa e puf".
CASTIGO

Desde o dia que escrevi o post abaixo chego no trabalho às oito e não saio antes das dez da noite.

segunda-feira, 26 de março de 2007

EU AMEI

Ver o Tintin subir ao palco da cinemateca e ganhar o prêmio de melhor diretor de fotografia em videoclipe.
Ele estava contente em mangas de camisa, calça preta e calçando sapatos novos.
Agradeceu gentilmente o prêmio com olhar verdadeiro e úmido.

MEU TEMPO

Não quero jamais lamentar um tempo perdido.
É que a Maitê Proença disse no Saia Justa que lamenta não ter estado mais com sua filha Maria.
Eu fiquei muito tocada.
O tempo não volta.
Passou, passou.

Ô SEMANA

Então, se vocês acham que o episódio dos pontos da Lolô acabou ali, enganaram-se. Teve virose junto, com o pacote completo: febre, dor de garganta, tosse (à exaustão) e, para completar uma otitezinha.
Foram noites sem dormir mesmo.
Quando o orador da turma de formandos da faculdade de cinema da Lolô agradecer aos pais pelas noites mal dormidas, certamente me lembrarei desta semana.
Assim como meus pais devem ter se lembrado um dia de quando eu era criança. Dr Airton, uma girafa que havia em seu consultório, termômetro, termômetro quebrado, eu com febrão deslumbrada com o mercúrio caído no chão. Banho morno. A mão da minha mãe na minha testa, meu pai com a lista telefônica aberta, o abajur aceso e os óculos na ponta do nariz ligando para o pediatra. Os ilosones, novalginas, remédios na madruga e, o mais importante de tudo: a sopa de pão. Isso mesmo, bastava eu ficar jururu que já conotava como doença e um prato fundo de café com leite e miolo de pão me era servido bem quentinho.
E a Titá uma vez me salvou de uma terrível dor de ouvido bem quando meus pais viajaram para os Estados Unidos. Ela me salvou também no dia em que a minha orelha inflamou tanto que o fecho do brinco ficou dentro do furo e ninguém podia encostar em mim. Lá fomos nós na farmácia passar um anestésico e tentar tirar aquilo de lá.
A Titá chorou de dó. A gente chora mesmo, Titá.
Isso quer dizer que estamos muito entregues ao instante. Estamos inclusive dispostos a trocar de lugar com o outro. Estamos abertos e amando.

quarta-feira, 21 de março de 2007

MOLHAR A PALAVRA

Mari convidou os amigos para comemorar seu aniversário.
Diz que haverá cervejas para molhar a palavra.
Eu quis pegar um avião e voar para a Glória.

ESPELHO

Às vezes me olho no espelho e tomo um susto. Parece que meus olhos estão me escondendo alguma coisa. Parece que eles riem e eu não sei do que. Parece que eles são mais jovens do que eu. Parece que eles são mais velhos do que eu. Parece que eles sabem o que eu não sei. Parece que eles não sabem nada. Parece que eles andam muito transparentes. Parece que eles sabem fazer olhar neutro e deixam o outro sem saber que estou pensando. Acontece que eu não mando nos meu olhos.
Ponho os óculos escuros e saio.

terça-feira, 20 de março de 2007

PAPO CABEÇA

Quer se conhecer? Então preste atenção nas suas prioridades.
Elas definem seu destino, seu presente, sua razão de existir.
Quem elege nossas prioridades não é nossa razão. É nossa natureza.
Nossas prioridades são coisas que fazemos com prazer e sem esforço. O mundo inclusive abre alas para você passar e ir ter com sua prioridade. Acredito que essa energia que se emana sendo feliz com as próprias escolhas tem o poder de mudar tudo a nossa volta.
...
Sem isso o homem é um papel em branco, já dizia Dr Sang.
GENTE DO SUL

Preciso contratar um diretor de arte.
Só sei de uma coisa: tem que ser uma gaúcha e pronto acabou. No máximo um gaúcho menino, para não fechar tanto as possibilidades.
A Paty me deixou saudade. Daí veio a Ione que chegou recém em São Paulo, caiu na Ponto no susto e me conquistou de cara com seu portifólio e seu jeito de falar a verdade. Mas, como o mundo é uma ervilha lá se foi a Ione, a gaúcha 2 trabalhar com a a Paty, gaúcha 1, não sem antes me indicar uma terceira gaúcha. Camis. Que queria mais grana e mais tempo para pensar em moda na casa dela, não aqui.
Estou querendo trabalhar com gente bem transparente. Que chame brigadeiro de negrinho. Que cuide do trabalho como a mãe cuida da chimia. Que chame descida de lomba e diga não sem constrangimento.
Estou muito cansada de rebuscamentos.
Quero só o essencial, quero a índole do povo do sul.

domingo, 18 de março de 2007

AI, COMO DÓI

Lolô caiu. Estava dançando contente na sala, parou para fazer graça, sacodiu a cabeça de um lado para o outro, perdeu o equilíbrio e pumba de boca no móvel da televisão...silêncio, tudo escuro, choro, câmera lenta, e agora? eu quero a minha mãe! E Lolô queria a dela, que no caso era eu, toda mole, tremendo por dentro, muda, branca.
E dói, dói, dói ver a pequenininha na maca. O médico costurou o corte enquanto o Tin falava paizices amorosas para a Lolô. Foram cinco pontos no lábio superior.
Assim que acabou uma calmaria tomou conta de mim. Peguei a Lolô no colo e saí com ela nos braços, materníssima.
Vim embora pensativa e com vontade de ter outro filho.
A gente é besta mesmo.

terça-feira, 6 de março de 2007

SADNESS

Não há como negar que somos alegres e tristes na mesma medida.
Mas é que a tristeza não cai bem em algumas pessoas. Fica um número maior e todo mundo nota.
Porque há que se saber vestir a tristeza. É como andar de salto.
E aconteceu de uma grande amiga, a mais alegre de todas, deixar a tristeza escapolir pelos olhos.
Acabo de me lembrar de outras amigas deixando a tristeza dominar o andar, elas que pareciam ter uma felicidade sem fim.
Sei que depois que ela passa, tudo fica melhor do que era.
Estou inclusive interessada no que vem depois que a tristeza passar.
A SEPARAÇÃO

Voltei a trabalhar e me separei do blog, dos livros, da rotina da casa. Não levo mais a Lolô na escola. Não busco também. Por sorte chego a tempo de vê-la antes de dormir quase todos os dias, o que significa que às vezes não a vejo acordada. O tempo quando se trabalha passa de outro jeito. É como se eu piscasse e chegase sábado. Mais uma piscada, já é outro sábado.
E lá se foi o ano. Vão-se anos assim.
Por isso os intervalos são tão vitais. Inclusive para a gente recomeçar sempre, sempre.
O MEIO

As lembranças de estar no meio estão na gaveta da segurança. Andar de carro, no meio. Se possível, com a cara no meio dos bancos da frente, onde estão nossos pais. Sentar no meio de duas amigas. Na montanha russa: o meio. Na prova, no meio de quem estudou mais que a gente.
Mas nada se compara a dormir no meio das pessoas em quem a gente mais confia no mundo. Porque dormir é um ato de coragem. Perde-se o controle, vai-se embora não sei pra onde e, por sorte, volta-se.
Pois a Lolô andou doentinha e veio se aninhar entre a gente umas noites dessas. Fazia calor, todos nós transpirando sobre o lençol. Um calor humano que importa muito.

OI MEU AMOR

Saber fazer com que alguém se sinta bem-vindo, querido e aconchegado é um dom.
Minha avó Martha, quando abríamos o portãozinho cinza da sua casa logo batia palmas e exclamava Arhlasaha! Arhlasaha!
A Titá herdou isso dela. Sabe fazer alegria de verdade quando pressente a nossa presença. Meus pais, ao telefone, quando escutam minha voz exclamam um : Oi filha! dulcíssimo e amoroso. E eu fico cheia de certezas.
A Gi também tem esse dom e o Tom vai sempre lembrar disso. A Lolô mesmo não esquece que toda vez que Ieiê chega, Iêiê canta: Oi meu amôôôôr!
É tão singelo e especial que virou música.