sexta-feira, 31 de agosto de 2007

DIFFICILE

"Il n' éxiste rien de plus difficile
que de s'abandonner à l'instant
Je m'abandone en mots."

FRAGMENTOS

Eu tenho medo do superlativo. Eu te amo tanto, como se estivesse sempre te dizendo adeus. Eu quando penso, estrago tudo.
AOS VINTE E POUCOS ANOS ESCREVI "MARIA"

Hoje eu sonhei contigo Maria
Com teu olhar de mulher no ônibus, viajando para um mundo sem sonhos.

Me sonhei criança,
desagasalhada da vida,
desacostumada a sofrer
te vendo sentir um frio que não existia
Era um frio que doía, não era mesmo Maria?

Maria, Maria
Sonhei com você esta noite
Eu criança no escuro tentando penetrar no desassossego do teu olhar
Era um espaço vazio que existia não era mesmo, Maria?
Mas entre quê e quê?

Foi um sonho medonho esse meu,
O sol das cinco baixava, opala branco chegava trazendo a família
e minha folha em branco você não preenchia
Maria, ô Maria, que é isso que tu sentia?

Pois olha, Maria
estava aflita de te dizer
que se hoje eu pagasse um ônibus, sentaria à janela com teu olhar tristonho

Foi o tempo que passou
Meu telefone que andou mudo
Eu andei calada, só, diferente
Ô Maria, minha florzinha
É que dói demais ser gente

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

O ÓCIO É UM PERIGO

Parece piada do José Simão, mas o fechamento do Bingo é mesmo um problema socio-cultural.
É que minha mãe que ia lá todo dia agora deu de fazer panelaço na praça da Sé para protestar a situação dos professores. Sendo que a praça da Sé está a cinco horas de Assis. Outro dia ela se enfiou em uma van e foi até Brasilia para protestar a situacão dos professores. Disse que carrega bandeiras e coloca faixas pretas no braço. Disse também que comeu um sanduiche em pé e caminhou dois quilômetros em uma passeata. Sendo que ela nunca protestou nada antes do bingo fechar e deixar suas tardes vazias.
Tudo bem, ela achou uma alternativa para se divertir e passar o tempo.
Mas o bingo exigia menos dos seus setenta anos.
29,90

Por vinte e nove e noventa comprei um amor de cobertorzinho listrado para ver tv ou para me proteger do mundo lá fora.
No Etna. Ao lado do caixa.
VOLUNTÉ

Não sei se é porque ouvi logo cedo uma negra da Virginia com voz libidinosa cantando na Eldorado. Ou porque li o que Lygia Fagundes Telles falou sobre escrever para viver, a respeito do seu último livro, escrito após a morte do seu único filho. Não sei se porque ainda hoje li a história do documentário Satori Uso, um poeta japonês que nunca existiu, assinado por um documentarista imaginário, cujas imagens, comenta-se, toca o espectador. Teve também uma passagem de um livro que estou lendo. Nela, um menino vê o atleta olímpico alemão bater o recorde mundial nos cem metros e Hitler não lhe deu a mão porque ele era negro. O menino estava tão radiante, achando aquele corredor o homem mais admirável da terra, que pintou-se com carvão e saiu pelas ruas em solidariedade.
Não sei o que foi, mas estou um pouco eufórica. Foram muitas criações originais cheias de alma numa manhã só.
Senti vontade.
Lembrei que algum filósofo dizia que a vontade é o tônus da idéia.
Não, acho que ele dizia da importância da vontade e esse tônus aí eu que inventei.
Hoje eu inventaria muitas coisas. Não posso perder hoje.

terça-feira, 28 de agosto de 2007


OS BELOS E OS EXÓTICOS

Acho inatingível e lindo um nariz arrebitado, cuja dona se deixa sempre fotografar de perfil.
Minhas filhas não têm nenhuma chance de ter um nariz desses. Eu estou londe de ter, o pai delas também. Peguei toda a nossa árvore genealógica. Os Marques, os Dugaich, os Bocchini, os Trotta. Nenhum nariz arrebitado. Nenhum nariz delicado. Nenhum nariz apolíneo.Todos grandes, árabes, italianos, proeminentes, aduncos. Nenhuma Grace Kelly na nossa linhagem. Somente Cates Blanchetts e Bethânias.
Mas minhas filhas, desde a barriga, têm um jeitinho que é só delas. São um charme só essas minhas narigudinhas.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

AS HORAS

Eu não tenho relógio. Não costumo ver as horas, não me importa que horas são.
Tento criar um relógio interno que me dê uma leve noção dos meus compromissos versus o tempo correndo. Não funciona muito bem dado que meu pior defeito é não ser pontual.
Só respeito o relógio uma vez ao dia: quando ele toca pela manhã.
Daí em diante é assim: acho que é hora de almoçar porque estou com fome. Acho que a reunião vai começar, todo mundo está indo naquela direção. Fora isso, sou sempre muito otimista com horários, acho que tudo dá tempo: o filme é às cinco e são quinze para cinco? Ora, então ainda não são cinco, portanto dá.
Outra questão: tenho que ir mas está tão bom aqui. Então vou ficando. Fico no café da manhã com os amigos, fico um pouco mais com a Lolô. Vou ficando, achando que controlo o tempo.
Pois o Tin é o oposto. Dorme com o relógio e os óculos na cabeceira. Olha as horas a cada meia hora.
No cinema costuma dar duas olhadas no relógio, verificando se as voltas do roteiro estão no momento que ele previa.
O cinema é às cinco, sai às quatro porque calcula os faróis, o tempo para achar vaga, o café que toma antes.
Se toca o celular, ele antes de atender olha no relógio.
Meu marido é um inglês de tão pontual. Eu sou uma soteropolitana, tuuudo teeem que caber nos espaços que eu estabeleeeço.
Agora mesmo, tem um post it colado sobre o relógio do computador. Arranquei. São 17h13.
A VIDA É JÁ

Foi aniversário do Tin no sábado.
- Lolô, espera aí. Antes de cortar o bolo feche os olhinhos e faça um pedido. Peça o que você mais quer que aconteça e a fadinha do aniversário vai te atender.
Ela ficou me olhando atenta, pensativa.
- Pediu? Já sabe o que você mais deseja?
Ela:
- Sei, comer o bolo.

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

COMEÇA O SEXTO MÊS

Ontem vi Manuela no ultrassom. Bem charmosinha, mexia as mãos, espreguiçava-se, encolhia os joelhos e depois se esticava toda, bem certa de que minha barriga é toda dela. Aliás, bem certa de que sou toda dela.
De novo aquele sentimento: só o que importa é que ela esteja bem, coraçãozinho a 148 batimentos por minuto, coluna, rins, bexiga, mãos, cérebro, dedos, vida pulsando.
Taí, queria entender porque hoje acordei tão feliz. Liguei o rádio bem alto para cantar "Rita" com o Chico.
Lembrei o motivo: é que ontem o médico falou que está tudo perfeito com a nenê. Melhor impossível, ele disse.
Cheguei em casa e mostrei o ultrassom para a Lolô. Então sentamos no chão e começamos a fazer um livro de colagem para a Manu. Começa com a foto dela ao completar vinte semanas na barriga, meu amor e os rabiscos da Lolô, depois partimos para a colagem de tecidos e por fim, Lolô lotou a primeira página de bolinhas amarelas. Acho que era um jeito de dizer que estamos em festa.
ETERNIDADE - CLARICE LISPECTOR

E agora que é que eu faço? - perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver. - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto que você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. - Acabou o docinho. E agora? - Agora mastigue para sempre. Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chcile mastigado cair no chão de areia. - Olha só o que me aconteceu! - disse eu fingindo espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! - Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente por ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá. Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envorganhada da mentira que pregava dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim."

quinta-feira, 23 de agosto de 2007



CRIANÇA

"Você é o infinito
Em que todas as coisas do mundo
surgem e desaparecem como ondas

Oh, criança
Não há nada a ganhar
Nada a perder
Você é pura consciência"

ASHTAVAKVA GITA 15:11-12

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

IMORTAIS

Será que o ato de escrever é de alguma forma uma vontade de ser imortal?
Hoje me veio este pensamento. Aconteça o que acontecer, seja lá com que idade for, se estiver escrevendo e praticando yoga estarei fazendo o que me diz respeito. (Fefê concorda. Mas diz que nossa diferença é que ela se salva com a escrita e a boemia).
Nada nos pertence na realidade. Somente nós mesmos nos pertencemos e qualquer forma de expressar nossa percepção de mundo é legítima. Veja, até outro dia escrevi em cadernos. Agora escrevo no blog. Não me importo com tornar as coisas públicas, preciso só desabafar para ir me descobrindo. E falando o agora, fala-se do eterno.

terça-feira, 21 de agosto de 2007



(...) Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

Ficou um pouco de tudo
no pires de porcelana,
dragão partido, flor branca,
ficou um pouco
de ruga na vossa testa,
retrato.

(...) E de tudo fica um pouco.
Oh abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.
DISSE UM AMIGO POR E-MAIL:

“Singelices” é uma límpida e cristalina fonte que sacia qualquer sede de doçura. "

Fabio Reis. Fabiota, meu amigo, foi surpresa boa saber que você lê meu blog. Mas singelíssimo mesmo é o seu comentário que me deixou contente e esperançosa. A escrita é necessária, urgente e fonte inesgotável de auto-conhecimento. Principalmente se com ela a gente não quiser alterar as coisas. "Escrevendo a gente só está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."

FALA-SE DE...

Tem Cininha de Paula, Marcia Cabrita, Vera Mancini. Tem até Dercy Gonçalvez, o mito agitando "Toalete".
Mas basta abrir um jornal ou uma revista, basta zapear a TV e lá está ela, Antoniela, em qualquer divulgação da peça. A Forrest Gump das mídias.
As câmeras escolhem a Diva, fazer o quê?

GENTE DISTRAÍDA

Não tem nada mais comovente do que gente querida distraída. Gente distraída no geral. Distraídas de si mesmas.
Ontem fiquei olhando o Tin aproximar a revista bem perto do rosto, perdia ali uns instantes, afastava a revista e virava a página. Daqui a pouco repetia igualzinho aquele trejeito, deitado de lado, bem sendo ele. Soube depois que ele faz isso para ver no olho das modelos dos editoriais de moda qual é a luz que o fotógrafo usou naquela cena. A luz fica refletida nas pupilas delas." Olha aqui: uma octagonal. Olha aqui: dois refletores."
Uma hora ele virou para mim e disse: você está me olhando com cara de Lorena assustada.
Ver o outro distraído, cru, vazio de intenção é mesmo um espanto.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

O CARINHO CHEGA MESMO SEM OS PASSARINHOS

Às vezes eu me recolho. Às vezes floresço. Mas estou sempre com as memórias muito vivas. E a cena dos instantes se colando um no outro e formando a história da minha vida parecem os frames do filme entrando no projetor.
Tenho vontade de falar com pessoas que passaram. A Ju Affonso, uma grande amiga de infância, o Maurício, bem loiro e gordinho, com seus dentes encavalados, a Marizete, que trabalhou em casa e me fez muita companhia. Os mais recentes, a Paty Priester, o Marcelô, grande amigo que faz bem um ano e meio que não vejo, a Ceci, queridíssima amiga da faculdade, o Cristian Duarte, outro grande amigo bailarino que se mudou para a Bélgica e hoje não sei mais por onde dança. O Mumu que eu gosto muito e ele não sabe. O seu Antonio, porteiro bem velhinho da Rua Lisboa. O Freitas, porteiro bem alegre da rua Harmonia. O Baiano, professor de literatura do Xereta que tocava violão na aula. O Gilson, que me abriu as portas da poesia, a Isadora, meu pequeno sopro. O Caetano que vai embora para a Holanda. O Caetano, suas armações de óculos, seu sotaque, suas camisetas, sua irmna Clarinha, suas fotos no Copan. O Caê. Abro o msn e lá está ele: vendo tudo. Não me contive:

Ana Paula says: (3:29:59 PM) Caê, pensei tanto em você no yoganidra de sábado...

Vendo tudo. says: (3:29:55 PM)
ei menina linda

Ana Paula says: (3:29:59 PM)
na sua risada, no quanto você é querido, livre e sábio por viver os instantes

Vendo tudo. says: (3:30:33 PM)
e eu fiquei imaginando o quanto vc deve estar linda gravida mais uma vez...

Vendo tudo. says: (3:30:50 PM)
o eric tava me dizendo aq.

Ana Paula says: (3:30:55 PM)
às vezes eu penso: tem uns poucos que passaram pela minha vida

Ana Paula says: (3:31:13 PM)
e eu queria que um passarinho soprasse no ouvido deles de vez em quando

Ana Paula says: (3:31:37 PM)
que eles são amados!

Vendo tudo. says: (3:33:30 PM)
ah aninha... mas eu tbm to sempre pensando em vcs... pode ter certeza que o carinho chega ate sem os passarinhos... :)

Por isso repito: "o que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo."





CRIANÇAS, DIA DE SOL E ESTRADA. EU GOSTO.

Foi um domingo lindo. Eu e a Fê pegamos nossas florzinhas, botamos no banco de trás do carro e pegamos a estrada. Fomos a uma fazendinha em Itu, depois mais estrada, fizemos uma visita para as criancas em Sorocaba e no fim do dia estávamos de volta. As meninas iam inventando brincadeiras para passar o tempo, com o biscoito polvilho grudado nas perninhas e o vento nos cabelos.
Adoro olhar para trás na estrada e ver o sol se pôr. Sempre gostei. Imagine agora que tenho o sol e os outros solzinhos...

terça-feira, 14 de agosto de 2007

TENHO UM SEGREDO

Tenho achado todas essas sacadas publicitárias, todos os virais, os updates, os termos em inglês, os adesivos em forma de xícara, de pires, de mecânico, de ração, de trave colada onde homem faz pipi, tudo muito besta. Tenho achado tudo o que tem gordo e japonês, e imagens emblemáticas com texto corpo nove que você tem que entender logo, antes que o amigo do lado ria e você fique para trás na piada muito desnecessário. Tenho achado a febre das séries americanas, os avatars, o Second Life, os kid robots, os mais vistos no you tube, os novos termos usados à exaustão, as palavras gringas que viram mantras, os neguinhos achando que são profetas da comunicação, a palavra comunicação usada ao desgoverno, tudo uma bobagem.
Tenho achado que querer estar sempre conectado, plugado, multimidiado, informado, descolado é muito exagerado.
Tenho achado que se você juntar tudo o que está escrito em todas as revistas do mercado publicitário e torcer, torcer, torcer, não sai dali uma única idéia, há apenas elocubrações e infinitas variações do mesmo tema.
Saio dessa vertigem, deito na minha cama e vou ter com a Clarice, o Quintana, o Drummond, chego até a fazer carinho neles...

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

TEATRO

A teoria da sincronicidade é mesmo maluca.
Hoje fui almoçar com uma paraense chamada Angela que provavelmente virá trabalhar aqui no lugar da Toty. Pois ela é atriz, está no grupo Satyrus, acabou de entrar no Antunes e escreve peças...
Sei dizer que o almoço acabou e eu disse: ah, sobre o motivo no nosso almoço, você topa vir trabalhar comigo na agência?
Quem adapta peças do Chico Buarque e fecha texto com ele não precisa me mostrar portifólio.
ATÉ QUE ENFIM!

Desde o dia que chegamos da FLIP aguardava os posts da Fefê sobre o evento.
Hoje eles foram postados e são imperdíveis. Entra lá: palomices.blogspot.com

LOLOBO MAU
250 ml

Quem tem nenê sabe: temos 250 ml de leite na mamadeira para fazer o pequeno dormir. O ideal é que se chegue aos 150 ml com os olhos do baixinho virando de sono. Aí você não se mexe mais, não dá um pio. Com sorte nos 220 ml ele já caiu no sono e o leite termina com a criatura já entregue.
Mas, caso o leite acabe e o sono não chegue começa uma epopéia. Com a Lolô é assim. Parece que ela venceu a batalha da mamada contra o sono e se põe a falar todas as palavras que conheceu em dois anos. Conta histórias, inventa que fez cocô, que fez xixi, que tá dodói e precisa sair do berço. Tudo mentira. Ontem ela dizia que estava muito dodói na bochecha.
Na primeira meia hora a gente acha graça. Mas aí vem um sono, uma vontade de sair daquele quarto, de ver a Scarlet Johanson no David Letterman, de ler um livro, que você é capaz de tudo para a criança dormir.
Conta-se histórias, canta-se músicas, finge-se que se está dormindo (e dorme-se).
Daí a paciência vai acabando.
- Dorme já. Deita e fecha o olho!
Ontem nessa hora a Lolô abriu um berreiro, queria o Julio do Cocoricó, dizia que seu cheirinho estava sujo. Arremessou para fora do berço o hipopótamo e a vaca. Jogou também o travesseiro e queria dar um fim no protetor de berço.
Chorou tanto que deitou.
Silêncio. Bernardo, o cachorro, abre a porta para bisbilhotar. Ela dá um pulo com o barulho da porta e fica em pé de novo.
A vida dele é salva pela rede que temos nas janelas.
Última tentativa: outra mamadeira.
Mais 250 ml de leite e pessoas e animais juradas de morte se ousarem abrir aquela porta.
Posso dar um conselho? não fale com uma mulher depois dela ter ficado duas horas pondo um filho para dormir. É perigoso.

domingo, 12 de agosto de 2007


DIA DOS PAIS

Na véspera nos divertimos assistindo " Leis de Família," o último filme de Daniel Burman. O filho torna-se pai, tenta não cometer os mesmos erros que imagina ter havido na sua criação mas descobre que às vezes a omissão está no gene.
Demos boas risadas com o personagem na reunião de escola do pequeno filho de dois anos, impermeável e sem a menor conexão com a questão do teatro e da fantasia de Saltimbancos

No dia seguinte lá estavam Tintin e Lolô no parque Vila Lobos para um passeio ciclístico com a turma da Esquilinho, com direito à roda, polichinelos no aquecimento organizado pelo professor de educação física, palmas para cima, pernas para o alto.

Amo o Tin porque ele não quer fazer tudo melhor do que a referência que ele tem. Ele faz.

"O momento mais importante da vida de um homem é quando ele descobre que seus filhos são mais importantes do que seus pais". Truffaut

SIMPLESMENTE NÃO HÁ PALAVRAS

"O que não sei dizer é mais importante do que o que eu digo."
(CL)

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

DESEJO SINCERO

Lolô fica pensando antes de dormir. Depois olha pra mim e fala:
- Mamãe, não fica dodói não. Não chora não.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007


POST DA CICE SOBRE O ANIVERSÁRIO DA LOLÔ

Domingo dia 5 foi dia de aniversário. 10h30 da manhã e muitos amigos juntos. Foi dia de festa de aniversário, e uma festa tão linda que aqueceu minhas melhores lembranças.

Tinha o essencial. Vela que apaga num assopro só, bexigas coloridas, tinha chapéuzinho de papelão amarelo e rosa, resta 1 de lembrancinha. Tinha família sentada em sofá, que veio de longe, da terra do santo. Tinha os primos, os amigos de todo dia e os de vez em quando, e também aqueles que já foram de todo dia e hoje são de vez em quando. Máquinas de fotografia cada um tinha a sua e registrava a alegria a seu modo. Tinha a celebração do céu em lágrimas de felicidade, e até o vento queria dar o seu alô. Tinha brigadeiro e pão de queijo. Um monte de livrinhos espalhados despreocupados se alguém pudesse estragá-los, e por isso ninguém estragou. Tinha os brinquedos da casa, que desceram sozinhos para o salão durante a madrugada. Tinha pula-pula e amor.

Ah, também tinha uma flor vermelha na lapela. Sofisticadamente simples, aquela florzinha circulava pelos nossos olhos e fazia a gente derreter até os joelhos para alcançar a grandeza daquele tamanho todo de gente.

Na hora do parabéns tinham vozes e palmas... lembram das palmas nos parabéns? Então, tinha também. E junto delas tinha uma graça. 3 mulheres fortes e um homem sábio. Uma paisagem.

As vozes simples adormeciam os pensamentos corriqueiros e a sensação que se tinha era que tudo podia parar por ali.

No domingo dia 5 foi dia de aniversário. 10h30 da manhã. Fui convidada pra festa e ganhei o presente.

PS: para mais textos deliciosos www.cdejaboticaba.blogspot.com

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

FILHA

Hoje eu sonhei você linda, de bochechas cor-de-rosa, risonha e bem à vontade.
Tudo para você era fácil: nascer, mamar, dormir, viver.
Manuela ensolarada, você me encheu de calor.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

UMA AMIGA COMENTANDO A CHUVA

O céu às vezes não aguenta de alegria e chora.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

ORDINÁRIO

Hoje fiz tudo igual.
Tão ordinariamente igual que não consegui um assunto para contar no jantar.
Acabei comentando o que li no jornal.
GRAND AMI

Os livros sempre me salvam. Eu me percebo depois que observo a leitura que escolhi. Ela define o meu estado antes mesmo de eu me dar conta do que sinto.
Guimarães, Bandeira, Machado de Assis. Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Tolstoi, Flaubert. Cada um no seu tempo.
E o meu tempo hoje é o "Le petit Nicolas." Uma obra prima para quem quer leveza e graça.
INSPIRAÇÃO

"O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for a tua vontade, assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino."
Brhad Aranyaka Upanishad

O SEGREDO...

"É não correr atrás das borboletas.
É cuidar do jardim para que elas venham até você."
SURYA NAMASKAR

Eu não fiz festa de casamento, nem festa de quinze anos, nem de formatura.
Fiz muitas reuniões em casa que nunca me tiraram o sono porque eram informais,
e eram minhas, e sei lá...
Mas aí veio a Lolô e o aniversário dela passou a ser o evento mais comemorado da casa. É uma delícia, a gente faz lista, pensa nos preparativos, discute o tema, providencia atrações que ela curta de verdade e reza, reza de joelhos para o dia amanhecer lindo e mágico.
Mas pela segunda vez no aniversário dela fez muito frio, caiu uma garoa fina e gelada, o tempo fechou mesmo.
E a Lolô amanheceu resfriada, com uma tosse braba.
Mas ela, sabia que é, não questionou o clima e nem pensou no que poderia ter sido. Viveu o presente, pulou, pulou, pulou, até olhar para o céu e rugir feito um leãozinho. Era pura alegria de viver.

QUERO A VIDA SEMPRE ASSIM

quinta-feira, 2 de agosto de 2007





2 DE AGOSTO

Hoje é dia de festa. Lolô faz dois aninhos.
Acontece que o Tin e eu estávamos atolados de trabalho.
Mesmo assim Lolô foi muito feliz nessa tarde de inverno.
Vieram comemorar com ela seus dois melhores amigos. Meu coração veio junto .