A DIFERENÇA
A diferença entre fazer o que gosta e gostar do que faz é tudo na vida.
Eu achei bacana a idéia de preparar um curso de redação publicitária no SENAC. Mas depois que aceitei o desafio comecei a me agoniar com a responsabilidade, os prazos, o problema de achar agenda para ir aos encontros, o trabalho que esse curso vai dar. Fiquei com vontade de desistir.
Daí pensei em ir por outro caminho, o caminho que parece piegas do lado bom de tudo.
Hoje acordei às seis e meia, nem peguei trânsito, conheci o pessoal do SENAC gente muito boa, conheci a orientadora pedagógica do curso que trabalha há quase quarenta anos com educação, é inteligente e um amor. Fui ouvindo ela falar sobre a forma de se estruturar um curso que não subestime o aluno, que o faça agir e ser crítico... fui aplicando tudo aquilo ao meu trabalho, à educação da Lolô e à vida. Comecei a achar que dei sorte.
E vim embora com aquela sensação gostosa de ter prazer em fazer.
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
SONHOS: RECEBI ESTES TRÊS E-MAILS HOJE
Oi querida, como está a vida e as filhotas....sonhei com vc e achei engraçado como o nosso cérebro funciona...Sonhei que lhe perguntava do seu bebê e vc indignada dizia que ele já havia nascido e tinha sido no dia 10. Assim, me deu uma curiosidade em saber como está sua gravidez, se eu já acertei qqqler coisa ( era menina) e dizer que já tô chegando louca para marcar um daqueles almoços de sábado após a academia com vc , toty e fefe. Sonhava que estávamos fazendo yoga, claro, e conversávamos na sala de aula. bjos enormes, e tudo de bom !!!! fabá
Aninha, tudo bem?
Sonhei com vc a noite toda...que eu sei lá pq, fui dormir com a Lolô na sua casa...eu dormi com ela na cama e vc em uma poltrona...eu e ela conversamos muito e vc pedia para a gente ficar quietas.
Acordei com muitas saudades...vamos almoçar na sexta? Bjs Gri
Oi Aninha.
Ontem sonhei com vocês: mamãe, Lolô e Manu. Era uma cena cotidiana, nada de surpreendente. Uma cena gostosa de ver. Acho que a pequena que está vindo já está mandando seu recado: tô chegando para o bem. Lá vem, lá vem.
Um beijo para vocês
da Vanz
Oi querida, como está a vida e as filhotas....sonhei com vc e achei engraçado como o nosso cérebro funciona...Sonhei que lhe perguntava do seu bebê e vc indignada dizia que ele já havia nascido e tinha sido no dia 10. Assim, me deu uma curiosidade em saber como está sua gravidez, se eu já acertei qqqler coisa ( era menina) e dizer que já tô chegando louca para marcar um daqueles almoços de sábado após a academia com vc , toty e fefe. Sonhava que estávamos fazendo yoga, claro, e conversávamos na sala de aula. bjos enormes, e tudo de bom !!!! fabá
Aninha, tudo bem?
Sonhei com vc a noite toda...que eu sei lá pq, fui dormir com a Lolô na sua casa...eu dormi com ela na cama e vc em uma poltrona...eu e ela conversamos muito e vc pedia para a gente ficar quietas.
Acordei com muitas saudades...vamos almoçar na sexta? Bjs Gri
Oi Aninha.
Ontem sonhei com vocês: mamãe, Lolô e Manu. Era uma cena cotidiana, nada de surpreendente. Uma cena gostosa de ver. Acho que a pequena que está vindo já está mandando seu recado: tô chegando para o bem. Lá vem, lá vem.
Um beijo para vocês
da Vanz
RELATÓRIO DO QUARTO BIMESTRE
"Lorena é uma florzinha que alegra nossas manhãs com seu jeito meigo de se expressar." Assim começou minha reunião com a professora da Lolô que acontece na mesinha do maternal do Jardim Escola Esquilinho.
Lolô quando se sente frustrada não chora, me chama e conta baixinho o que aconteceu. E ela faz castelos, adora a brincadeira do atchim, na aula de música canta e toca instrumentos com animação e briga para conseguir os brinquedos que quer.
Ela gosta de abraçar a Mariane, a aluna mais nova da escola e sempre foge da sala de blocos para dar carinho para a nenê que acaba chorando de tanto receber abraços e beijinhos.
Já é a quarta reunião do ano e eu continuo não contendo as lágrimas.
Quanta coisa acontece longe dos meus olhos. Quanto a tia Bibi gosta da Lolô e vice-versa. Como ela criou seu jeito de relacionar na mini-sociedade que é a escolinha.
Nessa hora você se dá conta que seu filho não é seu, é do mundo.
Vou sentir saudade da Esquilinho.
"Lorena é uma florzinha que alegra nossas manhãs com seu jeito meigo de se expressar." Assim começou minha reunião com a professora da Lolô que acontece na mesinha do maternal do Jardim Escola Esquilinho.
Lolô quando se sente frustrada não chora, me chama e conta baixinho o que aconteceu. E ela faz castelos, adora a brincadeira do atchim, na aula de música canta e toca instrumentos com animação e briga para conseguir os brinquedos que quer.
Ela gosta de abraçar a Mariane, a aluna mais nova da escola e sempre foge da sala de blocos para dar carinho para a nenê que acaba chorando de tanto receber abraços e beijinhos.
Já é a quarta reunião do ano e eu continuo não contendo as lágrimas.
Quanta coisa acontece longe dos meus olhos. Quanto a tia Bibi gosta da Lolô e vice-versa. Como ela criou seu jeito de relacionar na mini-sociedade que é a escolinha.
Nessa hora você se dá conta que seu filho não é seu, é do mundo.
Vou sentir saudade da Esquilinho.

TRINTA E QUATRO SEMANAS
Eu hoje vim ouvindo Arnaldo Antunes porque ganhei da Marieta na academia o cd novo e o dvd que o Tin fotografou.
"Socorro eu não estou sentindo nada... nem vontade de chorar, nem de rir." Lembrei que já cantei muito essa música.
Mas hoje, hoje eu estou sentindo tudo.
Eu estou me sentindo a mãe do mundo.
terça-feira, 27 de novembro de 2007
LEITE COM CAFÉ. EU FALEI RUSSO?
Eu não gosto de tomar café puro. Pior ainda se for expresso. Peço sempre leite com café.
Pois tirando três estabelecimentos em toda a grande São Paulo, todo o resto não entende isso.
Já tentei de tudo: pingado? leite... e dou uma pausa no texto, com um pouquinho de café e faço com a mão sinal de pouquinho, mas não adianta, vem um café expresso com uma espuma de leite. Já pedi só o café e o leite à parte, mas fui tentar preparar na mesa e virou um horror. Já fiz cara de caridade, já dei uma de fresca, já deixei o café na mesa e não tomei, já me ofereci para falar com o moço que prepara o café.
Tão fácil e tão difícil. Tão sintomático da nossa gente que não ouve, não se comunica bem.
Eu não gosto de tomar café puro. Pior ainda se for expresso. Peço sempre leite com café.
Pois tirando três estabelecimentos em toda a grande São Paulo, todo o resto não entende isso.
Já tentei de tudo: pingado? leite... e dou uma pausa no texto, com um pouquinho de café e faço com a mão sinal de pouquinho, mas não adianta, vem um café expresso com uma espuma de leite. Já pedi só o café e o leite à parte, mas fui tentar preparar na mesa e virou um horror. Já fiz cara de caridade, já dei uma de fresca, já deixei o café na mesa e não tomei, já me ofereci para falar com o moço que prepara o café.
Tão fácil e tão difícil. Tão sintomático da nossa gente que não ouve, não se comunica bem.
ISMAEL, O ALFAIATE
O Tin está eufórico como uma criança que ganhou um videogame. Porque achou sozinho o senhor Ismael, um alfaiate, e lá mandou fazer seis calças bem cortadas.
E, meu Deus, como ele admirou as calças e seu feitio e a etiqueta com o nome Ismael costurada com esmero no cós. E o acabamento, e a costura, e o fato dele, o sr Ismael ter um sotaque e admirar os tecidos, e usar fita métrica e tratar a confecção de uma calça como se fosse arte. E entregar as calças no cabide dizendo que são para a vida toda, e que se o Tin engordar, que volte lá porque ele ajusta as calças às medidas do cliente.
Fiquei pensando que ele sente esta estranha felicidade também quando vai consertar as cordas do baixo na oficina de um outro senhor, amante dos instrumentos. E que gosta dos analógicos, dos relojoeiros, dos processos de ampliação fotoquímicos, do mecânico mal-humorado que ouve o barulho do motor da nossa Mercedes 73 e sabe o que ela tem, dos restaurantes tradicionais, da arquitetura dos anos cinquenta.
Ele gosta que as coisas tenham alma.
O Tin está eufórico como uma criança que ganhou um videogame. Porque achou sozinho o senhor Ismael, um alfaiate, e lá mandou fazer seis calças bem cortadas.
E, meu Deus, como ele admirou as calças e seu feitio e a etiqueta com o nome Ismael costurada com esmero no cós. E o acabamento, e a costura, e o fato dele, o sr Ismael ter um sotaque e admirar os tecidos, e usar fita métrica e tratar a confecção de uma calça como se fosse arte. E entregar as calças no cabide dizendo que são para a vida toda, e que se o Tin engordar, que volte lá porque ele ajusta as calças às medidas do cliente.
Fiquei pensando que ele sente esta estranha felicidade também quando vai consertar as cordas do baixo na oficina de um outro senhor, amante dos instrumentos. E que gosta dos analógicos, dos relojoeiros, dos processos de ampliação fotoquímicos, do mecânico mal-humorado que ouve o barulho do motor da nossa Mercedes 73 e sabe o que ela tem, dos restaurantes tradicionais, da arquitetura dos anos cinquenta.
Ele gosta que as coisas tenham alma.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
ESTADO DE GRAÇA
(De Clarice para Cice)
"Só quem já tivesse estado em graça, poderia reconhecer o que ela sentia. Não se tratava de uma inspiração, que era uma graça
especial que tantas vezes acontecia aos que lidavam com arte.
O estado de graça em que estava não era usado para nada. Era como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se
existia. Nesse estado, além da tranqüila felicidade que se irrairradia de pessoas lembradas e de coisas, havia uma lucidez que
ela só chamava de leve porque na graça tudo era tão, tão leve. Era uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço,
sabe. Apenas isto: sabe. Que não lhe perguntassem o que, pois só poderia responder do mesmo modo infantil: sem esforço,
sabe-se."
(De Clarice para Cice)
"Só quem já tivesse estado em graça, poderia reconhecer o que ela sentia. Não se tratava de uma inspiração, que era uma graça
especial que tantas vezes acontecia aos que lidavam com arte.
O estado de graça em que estava não era usado para nada. Era como se viesse apenas para que se soubesse que realmente se
existia. Nesse estado, além da tranqüila felicidade que se irrairradia de pessoas lembradas e de coisas, havia uma lucidez que
ela só chamava de leve porque na graça tudo era tão, tão leve. Era uma lucidez de quem não adivinha mais: sem esforço,
sabe. Apenas isto: sabe. Que não lhe perguntassem o que, pois só poderia responder do mesmo modo infantil: sem esforço,
sabe-se."
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
SAUDADES DO CHICO
Hoje acordei louca para ouvir "Todo o sentimento" do Chico Buarque. Era de pura saudade dos versos dele.
Procurei, procurei. Nos discos, na internet, achei.
Tô ouvindo.
TODO O SENTIMENTO
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado
Ao lado teu
Hoje acordei louca para ouvir "Todo o sentimento" do Chico Buarque. Era de pura saudade dos versos dele.
Procurei, procurei. Nos discos, na internet, achei.
Tô ouvindo.
TODO O SENTIMENTO
Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo
Da gente
Preciso conduzir
Um tempo de te amar
Te amando devagar
E urgentemente
Preciso descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente
Doente
Prefiro então partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente
Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei como encantado
Ao lado teu
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
DESEJO
Risoto de peru com aspargos, alho-poró, raspas de laranja e champanhe, preciso de você no meu prato.
Para aprender a preparar é preciso fazer uma aula lá no Madame Aubergine no dia 27 de novembro às 19h30.
Alguém quer vir comigo? Toty? Fefet? Gi? Cice? Sogra?
Aula para doze pessoas:
"Aprenda receitas e entradinhas lindas para deixar suas confraternizações de fim de ano mais gostosas. Arrumação e apresentação também serão ensinadas com as dicas descoladas da chef."
No cardápio:
Tabule de quinua com frutas secas
Mil-folhas de brandade de bacalhau e berinjela
Tartelete de massa fillo com brie e figo fresco
Risoto de peru com aspargos, alho-poró, raspas de laranja e champanhe
Rabanada de brioche com frutas vermelhas e sorvete de baunilha
Silvia Sivieri é formada pela Cordon Bleu Paris e tem passagens por Nova York, com Bob Flay, e pela França, com Alain Pégouret, do restaurante Laurent, duas estrelas no Guia Michelin.
Aula demonstrativa com degustação.
Investimento: R$ 149,00
Risoto de peru com aspargos, alho-poró, raspas de laranja e champanhe, preciso de você no meu prato.
Para aprender a preparar é preciso fazer uma aula lá no Madame Aubergine no dia 27 de novembro às 19h30.
Alguém quer vir comigo? Toty? Fefet? Gi? Cice? Sogra?
Aula para doze pessoas:
"Aprenda receitas e entradinhas lindas para deixar suas confraternizações de fim de ano mais gostosas. Arrumação e apresentação também serão ensinadas com as dicas descoladas da chef."
No cardápio:
Tabule de quinua com frutas secas
Mil-folhas de brandade de bacalhau e berinjela
Tartelete de massa fillo com brie e figo fresco
Risoto de peru com aspargos, alho-poró, raspas de laranja e champanhe
Rabanada de brioche com frutas vermelhas e sorvete de baunilha
Silvia Sivieri é formada pela Cordon Bleu Paris e tem passagens por Nova York, com Bob Flay, e pela França, com Alain Pégouret, do restaurante Laurent, duas estrelas no Guia Michelin.
Aula demonstrativa com degustação.
Investimento: R$ 149,00
quarta-feira, 21 de novembro de 2007

NATAL
Me lembro quando criança e dezembro vinha chegando cheirando a nectariana e pêssego. Meu pai tirava do armário uma caixa retangular que nos acompanhou anos e anos. Lá estava nossa árvore de Natal, sem charme nenhum, hoje eu sei. Mas para mim era motivo de euforia. Lembro do cheiro que ela tinha, cheiro de enfeite laminado. Primeiro colocávamos a base, depois era só ir tirando os galhos de dentro dos cilindros e enfiando nos buraquinhos daquela base. Depois era preciso pegar linha para pendurar as bolas, aquelas mais comuns de todas. Eram vermelhas. No topo da árvore deixávamos sempre uma bola mais gordinha com a imagem do menino Jesus, a minha preferida. Por último meu pai colocava o pisca-pisca, o que tornava tudo mágico aos meu olhos.
Esse ano vi a Lolô se deliciar com nossa árvore. Fomos juntas comprar os enfeites e o pinheiro e fiz questão de caprichar nas luzinhas. Escolhi uma de duzentas lampadinhas. Que noite feliz foi aquela!
Cada enfeite que pendurava no galho era uma exclamação da Lolô. - Olha mamãe, que linda.
Muito, mas muito concentrada ela me ajudou de verdade. Pendurou os brinquedos de madeira cuidando de não pôr dois no mesmo galho. Quando não alcançava me pedia ajuda: - Põe esse aqui mamãe, e apontava com o dedinho. E eu fiquei tão feliz à medida em que a árvore ia surgindo.
Quando ela estava pronta coloquei as luzinhas e liguei na tomada.
Ficamos olhando nossa árvore sem cansar.
E ontem antes de dormir fui até a sala apagar a luz. Ficou somente a árvore iluminada anunciando que ali morava uma família.
Fiquei pensando nisso olhando minha imensa barriga, os brinquedos da Lolô no chão da sala, o cachorro dormindo, o Tin lendo no quarto e o cheiro de pêssego e nectarina perfumando esse tempo bom.
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
PARA LOLÔ E MANU
"Sentir que existe sempre uma força benevolente no universo, guiando a nossa vida a cada momento, mobiliza não somente coragem e tranquilidade, mas também saúde em todo o nosso ser. Um dos tesouros mais preciosos da vida é a convicção de que, em qualquer ciscunstância nós nunca estamos sós. A força que guia as estrelas está nos guiando também."
Gurumayi Chidvilasananda
"Sentir que existe sempre uma força benevolente no universo, guiando a nossa vida a cada momento, mobiliza não somente coragem e tranquilidade, mas também saúde em todo o nosso ser. Um dos tesouros mais preciosos da vida é a convicção de que, em qualquer ciscunstância nós nunca estamos sós. A força que guia as estrelas está nos guiando também."
Gurumayi Chidvilasananda
segunda-feira, 12 de novembro de 2007

aervilhacorderosa.com
Achei sem querer uma portuguesa chamada Rosa Pomar que escreve o blog acima. Uma artista com trabalho lindo e sensível capaz de selecionar as maiores fofuras do mundo.
Veja uma.
CORES DO MUNDO
A E. teve esta boneca de presente mas eu é que tenho andado a brincar com ela sem me cansar de a admirar. Foi feita em Moçambique mesmo diante dos olhos da Carla e, apesar de parecer muito simples, dá-me uma sensação de movimento e de vida totalmente fora do vulgar. Tem um braço a segurar uma trouxinha que leva à cabeça e outro a amparar um bebé atado às costas. É deliciosa. Gosto imenso de bonecas de pano africanas (já tínhamos algumas) e de bonecas tradicionais em geral. Depois das da minha mãe, são sem dúvida as que mais me inspiram.
TRILHA SONORA
Hoje vim trabalhar ouvindo Eldorado. Tocou essa música do seu Jorge que ele fez para a mulher dele e eu fiquei toda contente, me achando a própria Mariana.
MARIANA
Niguém tem o dengo
Que tem minha preta
E nem o gênio
Que ela também tem
É ela quem dá ordem
Aqui na nossa casa
Mas quando ela relaxa
Fica tudo bem
A vida tá beleza
Aqui com a nossa filha
Agora tem mais uma
Que acabou de chegar
É mais uma menina
Pra nossa alegria
Que o nosso dia-a-dia vai se completar
Quem tem verdade
Tem valor
E bom é ter a sua mão
Na alegria ou na dor
Mariana para sempre meu amor
Hoje vim trabalhar ouvindo Eldorado. Tocou essa música do seu Jorge que ele fez para a mulher dele e eu fiquei toda contente, me achando a própria Mariana.
MARIANA
Niguém tem o dengo
Que tem minha preta
E nem o gênio
Que ela também tem
É ela quem dá ordem
Aqui na nossa casa
Mas quando ela relaxa
Fica tudo bem
A vida tá beleza
Aqui com a nossa filha
Agora tem mais uma
Que acabou de chegar
É mais uma menina
Pra nossa alegria
Que o nosso dia-a-dia vai se completar
Quem tem verdade
Tem valor
E bom é ter a sua mão
Na alegria ou na dor
Mariana para sempre meu amor
sábado, 10 de novembro de 2007
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
DECLARAÇÃO DE AMOR
Faz nove anos que eu me sentei com a Toty no Valadares. Tintin chegou com o Che e o Alessandro do ensaio do Professor Antena, sentou ao meu lado e nunca mais saiu.
Amar alguém é muito bom. Eu descobri que poderia viver minha vida toda com o Tin logo no começo, quando ele usava umas correntes presas na calça que faziam barulho quando ele andava. E sempre que eu ouvia aquele barulho sentia uma sensação de aconchego. Até hoje sinto isso. Quando estou dormindo, ouço o barulho da sua Mercedes antiga entrando na garagem tarde da noite, voltando da filmagem e gosto. Gosto do jeito que o Tin dorme, do formato dos tênis dele, e da camisa que ele escolhe para jantar comigo. Gosto quando ele ouve Foo Fighters e canta junto, gosto dele gostar do Ira! e do U2, mas gostar também de coisas improváveis. E ele ama o cinema e pesquisa tudo, sabe tudo, assiste a tudo,o que é insuportável e adorável ao mesmo tempo.
Gosto dele ler o jornal todinho mas deixá-lo sempre bem arrumadinho como se ninguém tivesso encostado nele. E quando eu não posso esquecer de pagar uma conta ou levar alguma coisa em algum lugar ele acorda antes e deixa essa coisa enfiada na minha bolsa, meio pra fora para eu saber que está lá.
O Tin nunca interfere na natureza de ninguém. Ao lado dele já fui vegetariana, capoeirista, fiz yoga na dona Iara, fiz hidroginástica numa academia de bairro, fui adepta inveterada da medicina oriental, fiz meditação devotamente indo aos encontros todos os sábados de muitos anos, mudei de emprego, de peso, de cabelo, de carro, de salário, fui a dois retiros yogis. E pensei: existe liberdade ao lado de alguém!
O Tin por sua vez foi junk, foi duro, foi botequeiro, foi músico, foi diretor, foi fotógrafo. Comprava um carro, três meses depois se arrependia e trocava por outros. Teve muitos de todas as espécies. E trocou de celulares também. E de armacão de óculos. E de computadores. E ele imita o Wanderleizinho, um amigo de Catanduva que tacava mamona nele. E trata sua mãe com doçura e seu pai com leveza e seus irmãos com gentileza.
E aí, teve um dia que eu estava lá na maternidade e o médico disse: daqui a pouco a Lorena vai nascer. Então o Tin saiu do quarto e voltou depois de touca, avental, máscara e roupa azul, com o olhar bem dentro do meu. Pensei que ao lado dele teria muitos filhos e muitos sonhos.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
MERECE UM POST
Peguei um táxi porque meu carro estava preso na garagem. Eu atrasada. O taxista lerdo. O taxista sorridente. O taxista um senhor mulato e sincero. O senhor trabalha por mês, assim, indo buscar minha filha na escola? Não, não vou me comprometer doutora. Acaba aparecendo um cliente na hora do compromisso, a gente fica agoniado, eu não pego o que não posso cumprir.
Silêncio.
Começou não sei porque a contar sua história. Que a mulher não é dada a muita intimidade. E que teve duas filhas que já são moças. Que ganhou uma cama e mobília nova tão bonitas das filhas.
Disse que sua mulher é dura na queda e não deixava as filhas namorarem. Um dia uma delas arranjou um moço e pediu ao pai que estivesse em casa às 14h00 para recebê-lo e ouvi–lo pedir sua mão em namoro. A mãe concordou. O taxista voltou para casa às 13h15, a tempo de tomar banho, se vestir e sentar-se ao lado da esposa e das filhas para esperar o moço. Que não apareceu. O taxista entrou no quarto calado, fechou a porta e chorou escondido. Chorou enquanto me contava também.
Desilusão de filho parte o coração, ele disse.
Ficamos em silêncio, pensando nisso.
Chegou.
Tchau doutora. Desculpe aí a comoção.
Eu continuaria com ele passeando no seu táxi limpinho e ouvindo mais prosas o dia todo.
Peguei um táxi porque meu carro estava preso na garagem. Eu atrasada. O taxista lerdo. O taxista sorridente. O taxista um senhor mulato e sincero. O senhor trabalha por mês, assim, indo buscar minha filha na escola? Não, não vou me comprometer doutora. Acaba aparecendo um cliente na hora do compromisso, a gente fica agoniado, eu não pego o que não posso cumprir.
Silêncio.
Começou não sei porque a contar sua história. Que a mulher não é dada a muita intimidade. E que teve duas filhas que já são moças. Que ganhou uma cama e mobília nova tão bonitas das filhas.
Disse que sua mulher é dura na queda e não deixava as filhas namorarem. Um dia uma delas arranjou um moço e pediu ao pai que estivesse em casa às 14h00 para recebê-lo e ouvi–lo pedir sua mão em namoro. A mãe concordou. O taxista voltou para casa às 13h15, a tempo de tomar banho, se vestir e sentar-se ao lado da esposa e das filhas para esperar o moço. Que não apareceu. O taxista entrou no quarto calado, fechou a porta e chorou escondido. Chorou enquanto me contava também.
Desilusão de filho parte o coração, ele disse.
Ficamos em silêncio, pensando nisso.
Chegou.
Tchau doutora. Desculpe aí a comoção.
Eu continuaria com ele passeando no seu táxi limpinho e ouvindo mais prosas o dia todo.
BLOGUEM MOÇAS E RAPAZES
Ontem estive lendo as correspondências do Mario de Andrade com o Manuel Bandeira. Pensei que escrever para um amigo uma impressão, uma opinião ou mesmo contar um fato organiza a vida de quem escreve. As palavras salvam.
Por isso ter um blog vicia. Posts são lentes de aumento que colocamos sobre os fatos do nosso cotidiano.
A sensação é a de andar com uma moldura vazia. E então você enquadra o que quiser. E assim acha graça em mais assuntos e tem uma visão mais lírica ou mais ácida de tudo.
Ter um blog vicia.
Blog dos amigos vicia. Ler um post espirituoso é uma delícia. Eu entendo a ansiedade do Mario de Andrade por receber logo a resposta do amigo Manuel Bandeira.
Quando as autoras dos meus blogs preferidos não postam nada eu fico puta. Quero saber delas. Não só por telefone, mas pelas palavras escritas.
Gosto do detalhe do dia que não se falou na mesa, mas se registrou no blog.
Ontem estive lendo as correspondências do Mario de Andrade com o Manuel Bandeira. Pensei que escrever para um amigo uma impressão, uma opinião ou mesmo contar um fato organiza a vida de quem escreve. As palavras salvam.
Por isso ter um blog vicia. Posts são lentes de aumento que colocamos sobre os fatos do nosso cotidiano.
A sensação é a de andar com uma moldura vazia. E então você enquadra o que quiser. E assim acha graça em mais assuntos e tem uma visão mais lírica ou mais ácida de tudo.
Ter um blog vicia.
Blog dos amigos vicia. Ler um post espirituoso é uma delícia. Eu entendo a ansiedade do Mario de Andrade por receber logo a resposta do amigo Manuel Bandeira.
Quando as autoras dos meus blogs preferidos não postam nada eu fico puta. Quero saber delas. Não só por telefone, mas pelas palavras escritas.
Gosto do detalhe do dia que não se falou na mesa, mas se registrou no blog.
sábado, 3 de novembro de 2007
HORS CONCOURS
Ganhei muitos chamegos nesse meu dia. Telefonemas, abraços, presentes, lembranças, declarações. Livros, muitos, cartas. Roupas, acessórios coloridos, pachimina do velho mundo, dobradura feita à mão com papel de arroz enfeitada com fios dourados, dinheiro do meu padrinho, como quando eu era criança. Mas teve um que tocou meu coração.
Um caderno de receitas escritas à mão:
"Carne Moída com Quiabo da Alina." " Macarrão para os dias de preguiça." Arroz de polvo para o Tintin." "Bolão de fubá da Pazita." "Não me toques da vó Tina." Um caderno completo, delicioso, carinhoso, formoso.
Abaixo das receitas os comentários: Uma delícia!!
Tudo com aquela letra da Toty que eu conheço há vinte anos.
Cotação: 5 estrelas na singelice.
Ganhei muitos chamegos nesse meu dia. Telefonemas, abraços, presentes, lembranças, declarações. Livros, muitos, cartas. Roupas, acessórios coloridos, pachimina do velho mundo, dobradura feita à mão com papel de arroz enfeitada com fios dourados, dinheiro do meu padrinho, como quando eu era criança. Mas teve um que tocou meu coração.
Um caderno de receitas escritas à mão:
"Carne Moída com Quiabo da Alina." " Macarrão para os dias de preguiça." Arroz de polvo para o Tintin." "Bolão de fubá da Pazita." "Não me toques da vó Tina." Um caderno completo, delicioso, carinhoso, formoso.
Abaixo das receitas os comentários: Uma delícia!!
Tudo com aquela letra da Toty que eu conheço há vinte anos.
Cotação: 5 estrelas na singelice.
REFLEXÕES DE ANIVERSÁRIO
No dia do meu aniversário a questão da existência sempre me vinha à tona.
Havia festas e gente mas eu não me incluia na minha própria comemoração. E não sabia muito receber nem dar amor. Nem respeitava muito a minha natureza, que sempre foi branda, sem exaltações.
Estava conversando com a Pazita sobre isso e outras aflições humanas. Concluimos que uma delas, e talvez a maior, é não se sentir parte das coisas. Ela falou e eu entendi, porque alguma vez na vida já me senti fora de contexto, estranha, sem ligação com o que estava ao meu redor. Já quis ser diferente do que eu era, para ser mais igual aos outros.
A segunda aflição maior é a culpa. Nasce-se culpada e achando que o que pode haver de bom na vida não está reservado para você. Também entendi que este sentimento é muito comum. Lidar com as coisas que nos colocam para baixo vai ficando tão familiar, que, olha o perigo, nos deixa acostumadas a viver assim, sem merecer.
Pois já faz uns anos que essas dores passaram. Há outras, porque sem elas não existimos, mas essas não.
Ando sempre com uma gostosa sensação de plenitude. Minha casa, minhas filhas, meu marido, minha família, meu trabalho, meus amigos, minha yoga, tudo está perfeitamente bem.
O melhor lugar do mundo é aqui e agora.
No dia do meu aniversário a questão da existência sempre me vinha à tona.
Havia festas e gente mas eu não me incluia na minha própria comemoração. E não sabia muito receber nem dar amor. Nem respeitava muito a minha natureza, que sempre foi branda, sem exaltações.
Estava conversando com a Pazita sobre isso e outras aflições humanas. Concluimos que uma delas, e talvez a maior, é não se sentir parte das coisas. Ela falou e eu entendi, porque alguma vez na vida já me senti fora de contexto, estranha, sem ligação com o que estava ao meu redor. Já quis ser diferente do que eu era, para ser mais igual aos outros.
A segunda aflição maior é a culpa. Nasce-se culpada e achando que o que pode haver de bom na vida não está reservado para você. Também entendi que este sentimento é muito comum. Lidar com as coisas que nos colocam para baixo vai ficando tão familiar, que, olha o perigo, nos deixa acostumadas a viver assim, sem merecer.
Pois já faz uns anos que essas dores passaram. Há outras, porque sem elas não existimos, mas essas não.
Ando sempre com uma gostosa sensação de plenitude. Minha casa, minhas filhas, meu marido, minha família, meu trabalho, meus amigos, minha yoga, tudo está perfeitamente bem.
O melhor lugar do mundo é aqui e agora.
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