O EFÊMERO
Começou ontem, mas ainda hoje eu tive vontade de escrever um post sobre o estado de graça. Achei que pudesse chamar assim, porque senti uma especial sensação de ocupar meu exato lugar no Universo. De não desejar nada além disso. De estar completamente ligada ao presente, de ter a vida que eu escolhi, de morar na cidade que eu escolhi, no bairro que eu escolhi, na casa que eu sinto que é minha, com as filhas que eu sempre esperei, com o marido que eu escolhi. E eu estava ouvindo Corcovado com a Ella Fitzgerald, o céu estava azul, a temperatura amena, minhas filhas dormiam, não havia nada agudo. Estava tudo sendo, tudo seguindo seu curso, tudo perfeito.
Mas de repente a dança das coisas.
A sensação sumiu.
Não deu tempo de escrever em estado de graça.
A casa agora está em silêncio. Meus pés estão gelados há horas e eu não faço nada para esquentá-los. Estou bem imperfeita achando que eu poderia ser melhor. Estou com sede e com dúvidas.
Eu sei porque a gente nunca se separa... Eu sei.
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