quarta-feira, 26 de março de 2008


MINHA LITERATURA

Estou lendo "Da história da toupeira que quer descobrir quem fez cocô na sua cabeça"(foi o cachorro e ela deu a ele uma boa lição) e a "Galinha Xadrez" que decide fazer um bolo de milho mas os amigos não ajudam. Tenho lido também, religiosamente, e esta é aminha história preferida, "Chapeuzinho Amarelo" do Chico Buarque - sobre a menina com medo do medo do medo de um dia encontrar um lobo, até que um dia ela encontra o lobo, e o medo do medo some, fica só um pouco de medo, que também some e fica só ela e o lobo. Uma lição de vida.
Por último Sebastiana Quebra Galho anda na minha cabeceira. Como tirar cheiro de mofo, mancha de tinta, chicle do cabelo... como fazer para o bolo crescer, o sabão render, a roupa branquear.
Estou bem mulherzinha, bem mãezinha...

segunda-feira, 17 de março de 2008


JANELA DA ALMA

O Tin tem na janela da sua alma um vidro chamado lentes: as dos óculos e as das câmeras. Ele olha a vida através delas, enquadrando tudo, emoldurando tudo... e quando emolduradas as coisas ficam poéticas. Acho que essa poesia visual é que faz ele tão feliz.

quinta-feira, 13 de março de 2008

NANINHA

Lolô sozinha em seu quarto, deitada no berço, tentando dormir.
De repente começa gritar:
- ALGUÉM ME AJUDA! MEU MACACO CAIU NO CHÃO.
...
- ALGUÉM ME AJUDA, MAS NÃO PODE SER A NEIDE.
...
- TÔ COM DOR NAS COSTAS. QUE DOR.. QUE DOR...NA...PERNA
...
- VOU FAZER COCÔ NO MEU BERÇO, TÔ AVISANDO.
LIBERDADE PRA MIM É ISSO

Ontem encontrei um amigo.
- E aí, como tá lá?
- Não tá legal. Mas é que eu tive um sonho. Sonhei que estava no Ceará, numa praia linda, e tinha o céu, o mar, a imensa natureza. No sonho mesmo eu pensei: estou bem perto do eterno.
- Ainda bem que eu vim aqui e ouvi isso.
- É, se um dia eu quiser abandonar essa vida que estou levando, posso viver assim, em contato com o que sempre existiu e sempre existirá: a natureza, que não custa nada.

quarta-feira, 12 de março de 2008

LOLOLÊS

A Lolô fala pelos cotovelos. Muitas vezes usa um dialeto próprio e fica tiririca da vida se as pessoas não entendem.
Vamos lá:
Unissome: uniforme
tirar pêlo na Ilha Bólis: depilar na Emilia Borges
Sol ao poendi: ao sol poente, da música da Chapeuzinho
Rakiwi: Raquil, mãe da sua amiguinha Olivia
Neixi: Neide
Venersário do Aú: aniversário do Raul
VVD: dvd
Cemena: cinema
Papi, vomiti, equilibri, fazi: ...

MUDAR

Estamos a alguns meses de mudar de casa, motivo de euforia para a família toda.
O apartamento novo é nosso, novinho. Estamos portanto diante de uma tela em branco. Ele pode ser como a gente escolher. O piso, as cores, as linhas, as plantas, as flores. Com cara de casa da avó, confortável, charmoso, com um perfuminho de anos cinquenta, moderninho, singelo. Para decidir como será nossa casa é preciso conhecer quem somos e encontrar um caminho que aconchegue nós quatro. Para arquiteta peço uma casa que conte a nossa história, cheia de cantinhos para guardar memórias, livros, dvds, discos e afetos.

Estou me divertindo muito com isso. Primeiro fiz uma colagem do que gostamos. Selecionei desde flores, passando por uma casinha de bonecas para as meninas até chegar a uma Charles Eames forrada de um tecido lindo e uma ou outra obra de arte. Depois selecionei meus objetos e cantinhos preferidos da casa onde moramos hoje.
Devagarinho está se formando um lugar encantado.
Vou postar aqui essas brincadeiras. Espera só eu encontar um tempo.

terça-feira, 11 de março de 2008

SUPER NANY

Neide não conhece nenhuma estória. Nem a da Chapeuzinho Vermelho.
Quando lê no livro conta com a entonação de uma samambaia. Lolô mal reconhece que aquela estória é aquela, mas fica vidrada mesmo assim, embora prefira as coisas que Neide conta com mais desenvoltura: que um dia terá um filho com o Hiroch chamado Richard, que sua cachorra Duda usa luvas de crochê, que sua avó ensinou que pode ser pobre mas tem que ser asseada.
Suas brincadeiras e sua lida com a pedagogia infantil são de fazer o Steiner rolar na tumba:
- O que você tá fazendo, Lolô?
- Brincando de vivo-morto, mamãe.
- Como brinca disso?
- Quando a Neixi fala vivo eu abro o olho, quando ela fala morto eu deito assim óh.
Pois não pense que Lolô não gosta da Neide. Ela adora. Aos sábados sente saudade, e abraça a Neide e beija a Neide e hoje me pediu para que eu levasse a Neide na escola dela amanhã.
E a Manu? Não pode ouvir a voz da Neide que cai na risada.
Então tá, né?
A GENTE PEDE E TEM!

Marcelô me ligou.
Continua na rua Lisboa onde ele e a Elen em breve vão virar três.
Grávidos!

segunda-feira, 10 de março de 2008

TEMPO, TEMPO, TEMPO, TEMPO

Um bebê de dois meses leva em média vinte minutos para mamar. O intervalo entre as mamadas dura em torno de três horas, sendo que fazer o bebê arrotar e trocar sua fralda pode consumir quarenta minutos dessas três horas.
Tenho pois duas horas e vinte livres. Nesse tempo é possível fazer muitas coisas ou não fazer nada, das duas formas você pisca e é hora de dar de mamá de novo
Faço sempre muitas coisas.
Prefiro assim. Não fazer nada nos intervalos me faz pensar. Pensando fico antecipando o que será daqui a três meses, daqui a um ano, daqui a dez. Pensando faço planos de previdência, calculo que tenho visto pouco os amigos e a família (sendo que os vejo sempre que possível), imagino como seria não ir ao Verinha e ver a Lolô e o Tom gargalhando em cima daquele carrinho de quatro rodas empurrado pelos amiguinhos, imagino quantas gargalhadas banguelas da Manu eu perderei por dia quando voltar ao trabalho, vejo tudo o que tenho, quantos livros, quantos cds, centenas de dvds. Mas nunca vou ter tempo de ver e ler e ouvir tudo isso! E isso me deixa agoniada.
Passei dias com vontade de ouvir uma música do Paulinho da Viola. O que é mais importante: ouvir uma música a pedido do coração ou ler o jornal por puro ritual?
O que fazer com o tempo?
Me peguei pensando nisso dentro do táxi, quando aproveitei o intervalo entre as mamadas para ir dar um abraço na Fê, que estava se despedindo da sua amada dona Gema.
Um belo dia o tempo acaba.
Ai, dói.

CAFÉ

Não é exatamente do gosto do café que eu gosto. É do fato dele significar uma pausa, um encontro, uma visita, um bate-papo e um alento. Café é amigo dos livros, do amanhecer, amisíssimo dos amigos e do ócio.
Quem gosta mesmo de café tem rituais ótimos para tomá-lo. X gotas de adoçante, puro, com muito açúcar, requentado jamais, com um pouco de leite, forte, fraco, carioca, curto, sempre, às vezes, uma vez ao dia, muitas vezes por hora.
Me lembro da primeira vez que tomei café. Foi num pires, feito um gato. A tia Adib que me deu.
Na casa da vó Martha o café era feito em coador de pano, o açucareiro era lindo de morrer e ficava sempre em uma assadeira com água para espantar formigas. Pingava-se uma vez ou outra água de rosa no café e então ele exalava um perfume inesquecível de coisa síria. Na minha casa em Assis o café era fraco e já adoçado, acompanhado sempre de um pão da Pão Quente com manteiga Prudente, uma gostosura.
Hoje café me lembra Cice, Fê Machado, Ary, Gi, Rodrigo, Flavião, Carol, minha sogrinha, Lu Cotrim, Ju Nappo, Dani Padilha, Marcelô, Fabito, Judith e, claro, meu maridinho.
O Tin herdou da Otília o gosto pelo café. Toma sempre, adora os expressos, não dispensa um antes do cinema e sofre de abstinência quando fica sem.
"Vou passar um cafezinho fresquinho" é tão carinhoso de se dizer. Aqui em casa passamos muitos todos os dias.
E sentamos na cozinha no meio da tarde para beliscar uma coisinha e tomar o café da hora.
Isso me faz tão feliz.

DOMINGOS

ABRAÇOS E BEIJINHOS E CARINHOS SEM TER FIM

sábado, 8 de março de 2008

...

Às vezes a gente acha que sabe de tudo.
Às vezes acha que não sabe nada, que tá boiando no mundo.
Você é assim?
EQUILIBRISTA

Lolô em pé no braço do sofá:
- Mamãe, eu equilibri?
- Equilibrei que fala.
-O palhaço equilibrei?

quinta-feira, 6 de março de 2008


BOM DIA

quarta-feira, 5 de março de 2008



2 MESES

A gente apresenta um filho ao mundo querendo tanto que ele goste. É a mesma sensacão de convidar um grande amigo para uma festa. Como a gente torce para ele encontrar pessoas legais, e curtir a música, o astral o tempo que a noite durar.
A Manu é aquela convidada que fica mostrando com os olhinhos que está se divertindo a beça. E, me parece, nasceu com a mente tranquila e o coração sereno. Uma yogi, eu diria.
Hoje ela faz dois meses e a festa que é a vida ficou muito, muito mais legal com ela.
PROCURA-SE

Quero encontrar meu amigo Marcelô. Marcelo Koch Vaz. Já tentei telefonar, mas ele não atende, não sei não se mudou o telefone. Tentei mandar e-mail, mas voltou, e assim passaram-se dois anos.
A última vez que o vi foi na aula de francês que ele me dava na rua Lisboa.
Marcelô é alto e doce. Se o vir passando pela rua vai perceber que ele jamais se confundiria com um pedestre qualquer. Porque é elegante e tem qualquer coisa sacra no andar e no olhar. Diz ele que nasceu com vocação religiosa. Diz ele outras coisas também. Aliás, coisas muito elucidativas. Ele é filósofo, il est prof. Il parle français come les parisiens. Ele é cheio de contradições. É antroposófico mas às vezes entra na academia, faz musculação, e toma aquelas vitaminas malucas. Ele não tem tv, mas ouve programas de futebol no rádio. Come um pf num boteco que tem no bairro, mas faz sua própria granola. Ele ficou bêbado uns anos atrás tomando keep-cooler, mas logo em seguida desafiava seu fígado tomando uns porres inesquecíveis.
Marcelô mudou para a França? Teve filhos? Foi dar aula em São Carlos?
Se alguém souber dele, me liga.
Não adianta dar um google. Já tentei.
Por sorte vamos achá-lo em algum sebo, em alguma biblioteca ou no bloco de carnaval fora de época das Perdizes. Marcelô é imprevisível.
PARA JU AFFONSO

Ju,

Sua mensagem me deu tanta alegria.
Não te esqueço nunca, minha amiga.
Não me lembro da gente rindo do apelido de Jubirobinha que eu te dei, mas me lembro da gente no Gulets, de laço de tule no cabelo e blusas lindas de crochê feitas pela sua mãe. Me lembro da gente admirando as pulseiras mil da Marisinha Sussel e querendo ter o cabelo da Lucia Meyer. Me lembro da gente passando trote com voz fanhosa, da minha garupa cativa na sua mobilete, dos bailinhos na sua casa, das missas do padre Guazeli, de você nadando peito e eu borboleta, do creme de milho com peito de frango que sua mãe fazia. Me lembro que você chamava meu dedo do pé, aquele que fica ao lado do dedinho, de bolota. E que você gostava do Mauro Silva e eu do Toni
Me lembro do quanto ríamos com a tia Adib te obrigando a subir no telhado pois, esclerosada, teimava que eu morava em um sobrado.
Me lembro dos seus pais dançando "Vai passar" do Chico Buarque na sala da sua casa.
Me lembro sempre ao seu lado, sempre me divertindo. Minha memória da nossa infância é fresca . Parece que no filme da nossa vida tinha sempre um ventinho batendo no rosto. Tinha sempre eu querendo o seu bem e sentindo que você queria o meu.

Saudade que dói.

Ana

segunda-feira, 3 de março de 2008

ZZZZZZ

Lolô chega da escola, almoça e vai direto para o pinico, livrinho debaixo do braço. Lá, puxa muita conversa para se distrair enquanto faz cocô.
- Lu, acho que eu não vou dormir hoje a tarde.
- Por que não?
- Porque eu não tô nem chorando, então é porque eu não tô com sono.
YOGA

Hoje estou especialmente feliz.
É que voltei a saudar o sol na aula de yoga. E consegui juntar os pedaços de "eu" que estavam distribuídos entre os amores que tenho em casa e botá-los com a coluna ereta lá na prática.
Vi os amigos sorrindo de verdade porque me viram.
Tomei meu bom e velho café-da-manhã.
Que alegria simples eu me dei esta manhã!