segunda-feira, 30 de junho de 2008

VENDO TEXTOS PRONTOS PARA SITCOMS

A Neide hoje:
- Ana Paula, precisava mandar arrumar essas roupas mas a minha tia costureira não está mais pegando costuras.
- Ah não? Por que?
- Porque ela morreu.
PROCURAR

"se procurar bem,
você acaba encontrando
não a explicação (duvidosa) da vida
mas a poesia (inexplicável) da vida"

(Carlos Drummond de Andrade)

sábado, 28 de junho de 2008



BENJAMIN

Nasceu no dia 28 de junho. Canceriano, dócil, com apetite voraz, com muito cabelo, por enquanto sem a sobrancelha que é marca registrada dos Leão, com boquinha carnuda, mãozinha comprida, pé grande, olho esperto.
Nasceu muito amado, muito esperado, muito desejado. Nasceu depois da meia-noite, nasceu sereno, nasceu moreno, nasceu e chorou. Abriu bem olhos, viu tudo ao redor porque queria muito olhar o mundo não é de hoje.
Seja muito bem-vindo Ben.



PARA A MANU

Perto de você sei tanto de mim. Sua mãozinha na minha, seu sorriso por trás da chupeta, o barulhinho que você faz enquanto mama, seu olhar olhando, olhando, olhando, tão isento de opinião.
Quando estou trabalhando penso muito em vocês. E, engraçado, acho que a Lolô é quem sofre mais por eu não estar. Não é porque ela é mais velha, é porque ela precisa mais das pessoas.
Você não.
Você é pura tranquilidade.
Todo dia quando vou te pôr na cama digo que sou muito feliz por ser a sua mamãe. Você escuta quando peço que Deus te proteja e me inspire para eu nunca estragar com condicionamentos essa sua paz de espírito?
Gosto de cada pedacinho seu.

Todo amor da

Mamãe

quinta-feira, 26 de junho de 2008

EU NÃO GOSTO QUE NINGUÉM PERCA UM AMOR


Já pequena decidi que pegaria a estrada da vida tendo um amor por companhia. Sabia que tinha essa tranquilidade de ver graça na rotina e não me enjoar da cara de alguém que escolhesse. Por isso poderia ter filhos e netos e comprar casa própria e fixar residencia. Não sou aventureira, gosto do amor Zelia e Jorge.

Ontem fiquei comovida com a morte da d Ruth. E me emocionei ao ver que diante da dor de perder uma grande companheira, a política, a presidência da república, os partidos e as diferenças ficam insignificantes.
Eu não gosto que ninguém perca um amor.
CORAGEM

A Fê postou uma reflexão boa a respeito da gente querer parecer perfeito e não ter coragem de assumir nossos sentimetos mais profanos. Imediatamente pipocaram comentários www.palomices.blogspot.com

Eu comentei lá e repito aqui:

- tenho medo de ser muito feliz porque não suportaria um dia não ser mais muito feliz
- tenho a impressão de que me acham melhor e mais resolvida do que eu sou
- furo com as pessoas, não ligo em aniversários, não retorno ligações, não ligo meu celular e não me perdôo por isso.
- tenho a impressão de que poderia fazer alguma coisa muito boa como escrever, mas que vou adiá-la por toda a minha vida
- não gosto de perder, mas disfarço bem
- não falo bem inglês e tenho que fingir que falo
- se acreditam em mim sou impecável, se não acreditam sou imprestável. Dependo muito desse estímulo.
- sei um pouco de tudo, mas não sei muito de nada
- sou péssima em geografia e não sei onde ficam muitos países
- às vezes faço coisas só para dizer que fiz

NO VERINHA

Os pequenininhos dançaram quadrilha no domingo passado. Entraram a cavalo mas se não entrassem não fazia mal. Importava que eles estivessem contentes.
As mães ficavam ali quase no palco, bem pertinho da caipiradinha.
O sanfoneiro tocava enquanto a Betinha conduzia as danças com jeito de moleca.
Teve a hora que ela disse para aqueles passarinhos voarem para o colo de suas mães.
Daí começava um gostoso forró que a gente dançava de rostinho colado. Dizia assim:
"Vou nos braços de mamãe
pra ela me acarinhar
apareça valentão
para me tirar de lá
nos braços dela eu vou morar..."
(Fragmento de "Os sertões")
Foi um singelice só.

domingo, 22 de junho de 2008

SEM PRESSA

Com a Manu não tenho vontade de antecipar nada.
Ela vai fazer seis meses, só mama no peito, só usa macacão tip top. Nenhum sapato, nenhum enfeite na cabeça, nenhum passeio muito elaborado. Muito estímulo também não. Sei que tudo tem seu tempo e apressar as coisas faz a criança ficar precoce.
Quero ela nenê pelo tempo que ela quiser.
ESCREVER

Na escrita pode-se tudo.Eu poderia unir agora mesmo minhas recordações com o tempo presente.
Tocaria a campainha do sobrado da rua Angela Bertoncini e levaria minhas filhas para brincar lá na casa onde cresci. Aquela casa cheia de escadas, degraus, árvores, alturas era feita de algodão. Nunca eu nem meus primos levamos tombos feios. Lá era tudo bem macio. Até os colos.
BATEU UM VENTO E EU ME LEMBREI

Tempo da delicadeza foi aquele.
A vovó Martha fazendo ovos quentes de manhã. E sempre deixando no parapeito da janela ao lado da minha cama, para eu comer antes de me deitar, três bolachas de água e sal e um copo de leite com açúcar. Me lembrei do tio Nis em cima da cadeira arrumando o relógio cuco. Me lembrei do cheiro de um perfume chamado Jontue que a Titá usava. Senti o peso do espelho que ficava sobre a penteadeira dela, lindo, de metal muito antigo. Fiquei viajando com a memória daquele sobrado. O quartão de canto arredondado que pertenceu aos meus avós e me causava fascínio e medo. O mistério dentro das gavetas trancadas à chave porque guardavam as jóias da família. Me lembrei do lustre da sala de jantar, do chão de tacos, do banheiro enorme, de sair pela porta da cozinha e olhar um pequeno muro branco que separava as escadas de um telhado. Me lembrei da sensação de entrar em baixo da escada onde havia um fogão à lenha abandonado. Me lembrei de brincar de fazer café sentada na terra do quintal. Terra vermelha. Até do prato de barro onde a gataiada comia eu me lembrei. Tenho cada cena e cada cheiro registrado. O muro deixava nossa mão branca. Em cima dele havia cacos de vidros coloridos. Ao lado da roseira havia uma escada de três degraus que ia para o quintal. No banheiro da casa de baixo tinha uma máquina de costura Singer. Na segunda gaveta do móvel da sala, embaixo de um pano de prato, ficava a carteira preta da vovó, sempre com dinheiro miúdo dentro que ela nunca regulou. A mesa onde almoçávamos era de madeira bem rústica e tinha duas gavetas onde minha avó guardavablocos de papéis de seda, envelopes, canetas e cartas chegadas do Líbano. No móvel da sala de jantar, na terceira gaveta do lado esquerdo havia muitas bolas de bilhar que batiam umas nas outras quando a gente abria a gaveta. Eram do bar do vovô Assad.
E o melhor de todo esse tempo era chegar ao sobrado, tocar a campainha e ver aparecer um rosto na janela. Vovó, Titá ou tio Nis. Qualquer um dos três abria um sorriso e jogava a chave pra gente. Eu subia as escadas me achando sempre muito bem-vinda.
Soprou um vento trazendo esse lindo filme, em memória Super8.
GARCIA MÁRQUEZ - Tirado do blog da Tati

"A vida não é a que a gente viveu, e sim a que a gente recorda, e como recorda para contá-la."

sábado, 21 de junho de 2008

FRAGMETOS DE UMA CONVERSA

Daqui eu ouço Juju fazendo ensinamentos para Neide Naura:
- Ansiedade passa para bicho, para criança, sabia? Não Neide, não é sobrenatural não. É da vida.
EU TENTEI

Não saiu um post sequer.
Tudo de mim foi dado ao trabalho e às meninas.
Fiquei vaziinha da silva.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

NÃO SE FAZEM MAIS FAZ-DE-CONTA COMO ANTIGAMENTE

- Mamãe, pode tirar o sapato da Branca
- Não Lolô.
- Por que?
- Tá frio, ela pode ficar dodói.
- Mamãe, ela é boneca.

terça-feira, 17 de junho de 2008

RUA EUGENIO

Pegue a rua Semaneiros. Vire à direita numa tal rua Eugenio.
Tudo parece feio e cinza. Muros pixados, asfalto remendado, calçada desnivelada, oficinas, muitas, de portas fechadas. Tudo judiado e acinzentado.
Eis que, no meio do terceiro quarteirão da tal rua, aparece um ipê lindo de morrer. Completamente florido, rosa, vivo, alegre, fazendo festa, arrancando suspiros. O ipê! Colado naquele cenário como flor de lotus no lodo.

sábado, 14 de junho de 2008




OUTRAS



PRA NÃO ESQUECER ESTE SÁBADO
FESTA JUNINA

De todas as festas que existem, a junina é minha preferida.
Gosto do barulho da sanfona, do cheiro do quentão, de todo mundo estar muito feliz por fazer parte daquela belezura, do correio elegante, das barracas de pescaria, das professoras das escolas venderem fichas para as barracas, dos alunos organizarem as barracas com a maior devoção. Gosto das prendas, tão mixuruquinhas, mas que na hora parecem valiosas e merecidas.
Gosto das roupas de xita, da fogueira, de comprar muitas fichas e nem saber o que fazer com todas elas. Gosto das pintinhas no rosto das crianças, de todo mundo se balançando com graça caipira, do Santo Antonio estampado nos balões. Gosto de ouvir Asa Branca nesse friozinho de junho, gosto de todas as músicas. As músicas!
As festas juninas acessam minhas melhores memórias.
ÊXTASE

Tinha que ser hoje. Tinha que ser depois do almoço. Eu não podia mais adiar.
As meninas estavam na sala e o barulho delas se ouvia ao longe.
O quarto silencioso era iluminado pelo sol de outono que entrava pela janela do banheiro. Lá fora os passarinhos cantavam.
A roupa de cama havia sido trocada e estava perfumada e macia.
Estávamos a sós: eu e meu sono que não me abandona há cinco meses.
Dormi por horas.

quinta-feira, 12 de junho de 2008


CENAS

Todo dia chega ela com seu jeito tímido e sorriso no rosto. Espera eu me sentar para me contar suas cenas.
Ontem foi uma jovem senhora insegura, antes foi bibliotecária, outro dia não tinha braço, não tinha escrúpulos, não tinha um amor, não amava, amava muito, odiava. Odiava seu pé, tinha os pés de Venus de Milus, bebia, ria, sofria.
Angela é uma grande atriz que empresta com muita generosidade todos os sentimentos do mundo para as suas personagens. Ela é tão delicada que não delimita nada com sua personalidade. Ela é mínima nos textos, no jeito de contar, no olhar. Ela escreve textos, apresenta para o Antunes e ele a convida para o CPT. Na outra semana apresenta outra cena e ele a convida para estudar filosofia e retórica aos sábados.
Movida a paixão.
Grande inspiração essa menina ao meu lado.
COMO VOCÊ CONTA SUA HISTÓRIA

Hoje o Contardo Calligaris falou uma coisa com a qual eu concordo: que conseguimos mudar a nossa vida para melhor a medida que vamos aprendendo a contar a nossa história de outras maneiras.
Eu tive essa certeza em um dia de sol, indo almoçar com a Cice. Estávamos andando aqui na rua Flórida e ela ia contando sobre sua infância e todo seu passado fazendo graça de cada passagem. Aí comecei a lembrar de tudo o que vivi, fazendo graça também. Modificando o jeito de contar a minha história mudei toda a estrada que vinha pela frente.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

VOCÊ VAI TRABALHAR?

- Mamãe, você vai trabalhar?
- Vou.
- Então avisa todas as minhas "babazes" que hoje não precisa lavar meu cabelo.

- Mamãe, você tá indo trabalhar?
- Tô filha.
- Peraí, vou pôr meu crocs porque eu vou com você.

- Mamãe, depois você vai trabalhar?
- Vou.
- Então pára o carro.
- Por que?
- Para eu avisar para a Neixi ficar me esperando.

domingo, 8 de junho de 2008

LOLA NO DOMINGO

- Mamãe, eu quero ter uma conversa com você. Olha aqui pra mim.
Instantes de silêncio. Ela me encarando.
- Você não pode mais falar brava comigo, entendeu?

- Quem vai fazer o meu papá, o papai?
- Não, a mamãe.
- Deixa que o papai faz.
- Ele não sabe fazer arroz.
- Não sabe, papai?
- Não - ele disse.
- Quem te ensinou fazer papá, mamãe?
- A vovó Martha.
- Ela não ensinou o papai?
- Não, ele morava em São Paulo e ela e eu em Assis.
- E eu, hein? Onde moravo então? Com a Neixi aqui?

LOLÔ AMPLIANDO SEU VOCABULÁRIO DO JEITO MAIS ENGRAÇADO

- Mamãe, eu tô com mania do Tom bater e mim.

- Ai, eu não vou fazer inalação.
- Por que?
- Porque eu sou muito vaidosa.

Do nada, na cama:
- Bem-vinda, mamãe. Bem-vindo papai.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

10 TOCS QUE EU TENHO

Comer trident de dois em dois
Desenhar a mesma flor sempre que pego um lápis
Não abrir correspondência e achar isso um absurdo
Tomar a média somente se ela estiver na cor exata da minha escala pantone
Dar uma olhada na última página do livro que vou começar a ler
Passar álcool gel na mão
Começar a amamentar sempre pelo peito direito
Limpar nariz e orelha de filha
Ter que cair no sono antes do Tin para não perder o sono
Voltar a música três vezes

quinta-feira, 5 de junho de 2008

MUITO BOM PRA MIM É...

Toda vez que alguém me diz com o olho brilhando "tenho uma coisa muito boa para te contar" penso: ela está grávida.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

ZERO A ZERO

Quando a gente tem nenê em casa torce para o resultado do jogo ser zero a zero. Qualquer jogo. Até os do nosso próprio time.
E que, de preferência, o clássico se desenvolva com jogadas mornas e atuações pífias dos vinte e dois jogadores.
Porque esses rojões são de doer!



CADA DIA UMA ALEGRIA

terça-feira, 3 de junho de 2008

ASSUNTO DO CORAÇÃO

Já voltei ao trabalho, está tudo como antes no reino de Abrantes.
De manhã, trabalho em casa.
Depois do almoço vou para a agência.
Dá umas cinco da tarde, peço gentilmente licença na reunião que estou, vou à minúscula copa com a minha máquina de tirar leite, olho a foto da Manu no meu celular e encho a mamadeira da pequena.
E assim ela segue, mamando só no peito. E eu, não me pergunte como, consigo estar em seis, das sete mamadas que ela dá por dia. Acho essa oportunidade de trabalhar, produzir, ganhar dinheiro e amamentar ao mesmo tempo o maior de todos os luxos.
DE FAMÍLIA

No domingo fomos visitar o pequeno Pedro Dutra, filho dos queridos Anna e Rodrigo.
Não deu outra: eu e Lolô ficamos horas com a testa no vidro do berçário vendo os bebês recém-chegados. Em silêncio mesmo, maravilhadas com aquelas criaturas e seus olhinhos espantados.
Chegando em casa quis contar no seu caderno de vivências do Verinha que foi à maternidade.
Disse:
- Escreve assim: Felicidades, Pedro. Um beijo da Lorena Trotta.
E fez ao lado um desenho pra ele.
É O QUE EU SEMPRE DIGO

Ficar olhando para baixo é bem mais difícil do que pular.