twitter.com/singelices
o que estou fazendo agora.
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
SUPER HÍPER JEZEBEL
Tem esse livro de criança, escrito pelo Tony Ross que eu acho muito engraçado. A estória de uma menininha que faz tudo certo, tudo conforme as regras, não burla nada, nadíssima.
Neste feriado me dei conta de que sou casada com o super-híper-jezebel: "Ana, tem que agendar. Tem que pedir permissão. Tem que avisar. Não pode parar aqui. A Manu amassou a embalagem, temos que comprá-la. Ele está na minha frente, pode atendê-lo primeiro. Estes tênis são manufaturados por crianças. Este dvd é pirata. Não desça com carrinho de bebê a escada rolante, não é permitido."
Numa dessas teve um desentendimento: senta aqui na mesa, ele disse. Não, vamos ficar no balcão, eu respondi. Mas na mesa é melhor para a garçonete anotar os pedidos, ele inistiu. No balcão a Lolô se distrai, eu repliquei. Ele saiu pisando firme.
Lolô vira para mim e pergunta:
- E aí, o que que tá rolando?
Tem esse livro de criança, escrito pelo Tony Ross que eu acho muito engraçado. A estória de uma menininha que faz tudo certo, tudo conforme as regras, não burla nada, nadíssima.
Neste feriado me dei conta de que sou casada com o super-híper-jezebel: "Ana, tem que agendar. Tem que pedir permissão. Tem que avisar. Não pode parar aqui. A Manu amassou a embalagem, temos que comprá-la. Ele está na minha frente, pode atendê-lo primeiro. Estes tênis são manufaturados por crianças. Este dvd é pirata. Não desça com carrinho de bebê a escada rolante, não é permitido."
Numa dessas teve um desentendimento: senta aqui na mesa, ele disse. Não, vamos ficar no balcão, eu respondi. Mas na mesa é melhor para a garçonete anotar os pedidos, ele inistiu. No balcão a Lolô se distrai, eu repliquei. Ele saiu pisando firme.
Lolô vira para mim e pergunta:
- E aí, o que que tá rolando?

SEAN PENN
Basta uma cena só, a primeira em que ele canta o mocinho no metrô para se dizer: oscar. Sean Penn é um gay amoroso, generoso, convicto, sereno, lúcido, articulado, completo. Não há nada de nenhum outro personagem nesse Milk. Nem dele Sean Penn. Foi a melhor atuação que já vi na vida.
Selton, me esqueça.
***** Milk - A voz da igualdade.
Dá uma olhada.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

PARA MANU, UM POST DO PAPAI
Que não se enganem os desavisados:
Quem, sem querer, colhe um sorriso da Manu , imediatamente fica
viciado e se transforma num ser capaz de qualquer micagem para ver de
novo o narizinho dela levantar preparando um sorriso, a bocarra
escancarada com seus dentes inesperados e uma alegria de viver feroz,
explosiva, incontornável.
O Mundo tem jeito. Eu olho pra foto da minha gatinha com esse sorriso
e eu sei que o Mundo tem jeito.
Quando eu era pequeno só me falavam pra aprender com os mais velhos e
não com os mais novos...
Bjs
Tintin
terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Ai, ai, ai
No começo achei legal a Lolô querer se expressar através das roupas. Fantasiava-se todos os dias, no pé calçava umas havaianas e andava cheia de graça.
Agora ela decidiu elaborar seu figurino. Quer escolher tudo, dos pés à cabeça.
Às vezes me orgulho do jeitinho dela: - Quero meu vestido X e minha sapatilha. No cabelo quero trança baixinha. E a bolsa também vou precisar.
Mas às vezes ela inventa uns looks de doer! Olha aí: tênis de correr, meião vermelho, mochila de pano estilo hippie e um vestido lindo, que não merecia estes acessórios.
Vá tentar dizer pra ela que não ficou bom...
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009




SOBRE SER SÓCIA DE UM CLUBE
Eu tinha uns três anos, de maiô azul, indo ao Assis Tênis Clube com meu pai quando me dei conta do que era um clube. Quantas memórias tenho daquele lugar... coxinha do seu Toninho. Cheiro de cloro misturado com o cheiro dos eucaliptos. Corações Psicodélicos no auto-falante. Aaaatenção Ana Paula Marrrques, telefone, dito pela voz anasalada da Cida. Mergulhar até o fundo da piscina funda. Escorregar na média. Sentar na borda da funda para conversar. Ping-pong e pebolim. Esquecer minhas toalhas. Ir embora a noitinha e ver sempre umas lagartas passando. Meu pai, a noitinha, nadando sozinho. Ser pedida em namoro na escada do campo de futebol. Dar a resposta no campo de futebol, uma semana depois. Descascar. Tomar sol. Descascar. Nem ligar. Comer bala banda. Descobrir um truque para ligar do orelhão sem ficha. Dobrar a toalha antes de sentar para não molhar o banco do opala. Abrir os dedos dos pés para fazer exame médico (era só isso que se fazia no exame médico). Aderir a moda do biquini asa delta. Levar pente para piscina. Levar caldo na piscina funda. Desejar muito chegar um dia no Tênis dirigindo uma mobylette. Gelar dos pés a cabeça porque o menino que eu gostava aparecia. A brincadeira solitária de mergulhar e emergir na água, para experimentar o barulho e o silêncio. Chegar de manhã. Ir embora já de noite, com os olhos vermelhos e a pele enrugada. Nadar todos os dias. Nadar antes da escola, cinco e meia da manhã. Nadar no frio. Tomar banho pelando no inverno e pegar o Neutrox da Fefê emprestado. Ir para o Tênis de bicicleta e morrer de preguiça de voltar. Pedir carona. Achar que o Leandro da Motta e o Faustinho que eram felizes porque moravam do lado do Tênis. Me imaginar casada com o Toni ou com o Fabinho de Mello enquanto tomava sol. Achar incrível pôr minha bermuda da Company e minha camiseta da OP para ir embora. No pé sempre Melissa ou tênis iate furado no dedão. Ter uma alegria inexplicável quando era janeiro e tocava: "vem chegando o verão, o calor no coração..." da Marina Lima. Ter várias fitas K-7 gravadas com músicas que me lembravam aqueles dias.
Então, sendo assim, decidi que minhas filhas precisavam frequentar um clube imediatamente.
Lá fomos nós ao Clube Alto dos Pinheiros. Ô coisa boa. Clubes são iguais em todo lugar.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
ALEGRÍSSIMA
Hoje abri minha caixa de mensagens e havia lá uma grande surpresa: um e-mail da Ju CINTRA, escrito como se borda, com palavras delicadas, alinhavadas umas nas outras. Enquanto lia me lembrava da letra de mão da Ju Cintra. Me lembrava também que, muito precocemente ela escrevia livros e desenhava meninas de olhos grandes. Os traços eram firmes e cheios de personalidade. Me lembrei do cabelo de cachos dela, de quando a gente passava chá de camomila para clarear nossos pêlos. Às vezes ajudávamos com água oxigenada.
Vou copiar aqui alguns trechos do e-mail:
Oi Ana,
me deu um aperto no coração qdo li no seu blog...é uma pena que nossa amizade não tenha um "final feliz."..essa história foi e será sempre um fantasma para mim.
Mas também fiquei feliz pela lembrança daqueles tempos, algumas coisas que eu nem reconhecia
..que eu sempre leio seu blog, a Toty que me indicou, e já ri e chorei lendo...
...que a primeira vez que eu vi uma foto da Lorena senti um carinho enorme, e me emocionei de ver vc nela...
...que a Manu é muito fofa e me lembra do olhar carinhoso do seu pai...
...que os santos da casa da minha mãe estão todos lá, mas agora metade escondidos na biblioteca pq a Lia inventou de ser evangélica...
...Águas de março ainda são a trilha sonora em Assis...
...que a estátua de noiva grávida ainda continua lá...
....que eu fiquei muito doente aos 23 e descobriram que eu tenho uma doença rara genética, o que agora justifica minha hipocondrice, lembra que vc dizia que eu tomava remédio com quem come confete? Agora eu tomo e todos os dias...
...que eu continuo andando em bando, Rafael mais amigos, mais Rebeca,mais afilhada...meu carro está sempre cheio!
...que o Kleber, que era um toquinho de gente e agora é um homem lindo,
...que eu virei beata carola, de não sair de casa sem santa no pescoço, de ir na missa toda semana e fazer novenas sem fim, uma semana eu peço, na outra agradeço...
...que o Rafael já é um moço lindo, de 12 anos, que namora, que ama cavalos e é totalmente caipira, de andar de bota, fivelona ...vc pode até tirar a pessoa de Assis mas é difícil tirar Assis da pessoa...
...que eu engravidei da Rebeca contra a vontade de todos, inclusive do Alessandro, e ela foi feita de fertilização in vitro, no maior episódio de teimosia da minha parte, mas isso não é muita novidade: eu continuo teimosa.
...que eu descobri que sou a mãe que minha mãe não pode ser, pq trabalhava muito, e estou sempre presente, sempre...acho que até demais...
...que eu não bebo mais !!?!
...que a Marlene sempre pergunta de vc, na esperança de que a gente se fale e quando ela vem em casa eu mostro as fotos das meninas no singelices para ela ver...
Hoje abri minha caixa de mensagens e havia lá uma grande surpresa: um e-mail da Ju CINTRA, escrito como se borda, com palavras delicadas, alinhavadas umas nas outras. Enquanto lia me lembrava da letra de mão da Ju Cintra. Me lembrava também que, muito precocemente ela escrevia livros e desenhava meninas de olhos grandes. Os traços eram firmes e cheios de personalidade. Me lembrei do cabelo de cachos dela, de quando a gente passava chá de camomila para clarear nossos pêlos. Às vezes ajudávamos com água oxigenada.
Vou copiar aqui alguns trechos do e-mail:
Oi Ana,
me deu um aperto no coração qdo li no seu blog...é uma pena que nossa amizade não tenha um "final feliz."..essa história foi e será sempre um fantasma para mim.
Mas também fiquei feliz pela lembrança daqueles tempos, algumas coisas que eu nem reconhecia
..que eu sempre leio seu blog, a Toty que me indicou, e já ri e chorei lendo...
...que a primeira vez que eu vi uma foto da Lorena senti um carinho enorme, e me emocionei de ver vc nela...
...que a Manu é muito fofa e me lembra do olhar carinhoso do seu pai...
...que os santos da casa da minha mãe estão todos lá, mas agora metade escondidos na biblioteca pq a Lia inventou de ser evangélica...
...Águas de março ainda são a trilha sonora em Assis...
...que a estátua de noiva grávida ainda continua lá...
....que eu fiquei muito doente aos 23 e descobriram que eu tenho uma doença rara genética, o que agora justifica minha hipocondrice, lembra que vc dizia que eu tomava remédio com quem come confete? Agora eu tomo e todos os dias...
...que eu continuo andando em bando, Rafael mais amigos, mais Rebeca,mais afilhada...meu carro está sempre cheio!
...que o Kleber, que era um toquinho de gente e agora é um homem lindo,
...que eu virei beata carola, de não sair de casa sem santa no pescoço, de ir na missa toda semana e fazer novenas sem fim, uma semana eu peço, na outra agradeço...
...que o Rafael já é um moço lindo, de 12 anos, que namora, que ama cavalos e é totalmente caipira, de andar de bota, fivelona ...vc pode até tirar a pessoa de Assis mas é difícil tirar Assis da pessoa...
...que eu engravidei da Rebeca contra a vontade de todos, inclusive do Alessandro, e ela foi feita de fertilização in vitro, no maior episódio de teimosia da minha parte, mas isso não é muita novidade: eu continuo teimosa.
...que eu descobri que sou a mãe que minha mãe não pode ser, pq trabalhava muito, e estou sempre presente, sempre...acho que até demais...
...que eu não bebo mais !!?!
...que a Marlene sempre pergunta de vc, na esperança de que a gente se fale e quando ela vem em casa eu mostro as fotos das meninas no singelices para ela ver...
terça-feira, 17 de fevereiro de 2009
DE DENTRO, DE FORA
SENT
Você precisa se ver de fora, daqui de onde eu te vejo, tão bonita, inteligente e incrivelmente talentosa. Mas, que é crítica e pensa e reflete, por isso o pânico, o medo, a lente de aumento e uma dorzinha que se tem às vezes, só porque se existe. Tudo isso assola a gente, né?
RECEIVED
eu tb te vejo linda com um marido ótimo com duas filhas lindas com seu emprego que vc é o maximo com sua casa propria com suas duvidas se é isso mesmo que é o melhor para suas filhas. Ai anoca. agradeço pela terapia, pela analise, pelas minhas amigas, pela minha mãe, pelo meu remédio, pelo meu marido e pelas risadas da pequena, que fazem tudo paracer simples e no caminho certo.
SENT
Você precisa se ver de fora, daqui de onde eu te vejo, tão bonita, inteligente e incrivelmente talentosa. Mas, que é crítica e pensa e reflete, por isso o pânico, o medo, a lente de aumento e uma dorzinha que se tem às vezes, só porque se existe. Tudo isso assola a gente, né?
RECEIVED
eu tb te vejo linda com um marido ótimo com duas filhas lindas com seu emprego que vc é o maximo com sua casa propria com suas duvidas se é isso mesmo que é o melhor para suas filhas. Ai anoca. agradeço pela terapia, pela analise, pelas minhas amigas, pela minha mãe, pelo meu remédio, pelo meu marido e pelas risadas da pequena, que fazem tudo paracer simples e no caminho certo.
A PALAVRA QUE ATORMENTA
"Vocês precisam se posicionar, vocês precisam se posicionar, você precisa se posicionar, eu preciso me posicionar, vocês não se posicionam."
Minha posição eu dou.
Mas sempre tive aversão a fazer alguém engolir as minhas crenças assim, na base do discurso enfático.
Costumo achar que não é preciso falar muito para convencer alguém de alguma coisa.
Trabalho, clientes. Ai, que difícil.
"Vocês precisam se posicionar, vocês precisam se posicionar, você precisa se posicionar, eu preciso me posicionar, vocês não se posicionam."
Minha posição eu dou.
Mas sempre tive aversão a fazer alguém engolir as minhas crenças assim, na base do discurso enfático.
Costumo achar que não é preciso falar muito para convencer alguém de alguma coisa.
Trabalho, clientes. Ai, que difícil.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
DESKTOP
Na minha sala na agência me sinto meio que de passagem. Acabei ficando aqui, numa sala só minha, mas acredito mesmo que meu lugar é no meio da galera. Não gosto nada de ficar sozinha. Nunca gostei, nunca tive esta vontade.
Mas aqui estou. E como é de costume, não me mudo de volta prá lá, nem assumo de vez que vou ficar por aqui.
( Esse meu jeito me irrita profundamente).
Nessa minha sala não tenho enfeites, nem porta-retratos, nem umas flores, não tenho canetas, porta-canetas, livros. Estão comigo os jornais da semana, as revistas da semana, o livro "Adultérios" do Woody Allen, que peguei de referência para um trabalho. O dvd Coffe and Cigarets que peguei de referência para outro trabalho. Uma estrela de metal da Mercedes Benz colada com ventosa bem na minha mira. O roteiro de "Colegas" que precisava de patrocínio e uma foto avulsa, colocada em pé, apoiada no vidro. Uma foto da Manu ganhando um beijo meu.
Olho, olho, olho pra ela. Não canso nunca. A foto faz esta sala ser minha.
* Ando tão concentrada no significado dos espaços que comprei "A poética do espaço." Depois conto.
Na minha sala na agência me sinto meio que de passagem. Acabei ficando aqui, numa sala só minha, mas acredito mesmo que meu lugar é no meio da galera. Não gosto nada de ficar sozinha. Nunca gostei, nunca tive esta vontade.
Mas aqui estou. E como é de costume, não me mudo de volta prá lá, nem assumo de vez que vou ficar por aqui.
( Esse meu jeito me irrita profundamente).
Nessa minha sala não tenho enfeites, nem porta-retratos, nem umas flores, não tenho canetas, porta-canetas, livros. Estão comigo os jornais da semana, as revistas da semana, o livro "Adultérios" do Woody Allen, que peguei de referência para um trabalho. O dvd Coffe and Cigarets que peguei de referência para outro trabalho. Uma estrela de metal da Mercedes Benz colada com ventosa bem na minha mira. O roteiro de "Colegas" que precisava de patrocínio e uma foto avulsa, colocada em pé, apoiada no vidro. Uma foto da Manu ganhando um beijo meu.
Olho, olho, olho pra ela. Não canso nunca. A foto faz esta sala ser minha.
* Ando tão concentrada no significado dos espaços que comprei "A poética do espaço." Depois conto.
sábado, 14 de fevereiro de 2009
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
OS CINTRA
Eu nunca me esqueço da casa dos Cintra. Sonia, Israel, Otávio, Juliana, Lia e Kleber, uma família pernambucana. Casal de médicos bem sucedidos que mudou-se para Assis na década de setenta.
A Ju era minha grande amiga e a casa dela era um negócio do outro mundo prá mim.
Lá havia muitas janelas, jabuticabeiras, Águas de Março tocando, espaço, um charme nada provinciano, porque os móveis eram todos cheios de estilo, como seu eu tivesse frequentando as melhores pousadas de Trancoso em Assis nos anos oitenta. No jantar servia-se lazanha que era especialidade da cozinheira. Havia edredons cheirosos com os de hotel, toalhas felpudas como as do melhor hotel que já fui. E tinha uma piscina que vivia cheia de crianças. Tantas redes para deitar, rodeadas de plantas. Tantas mulheres de cerâmica vindas do nordeste. Uma, me parece era grávida ou noiva.
Mas o melhor era o tratamento cinco estrelas. Lá, as crianças convidadas a dormir ganhavam camas de hóspedes e o ar condicionado era liberado. Os talheres, tão lindos, mal ficavam nas mãos das crianças de tão pesados. As toalhas de mesa, os pratos, os copos, tudo era sei lá de onde. De Assis que não eram. Dava 15h00 e a Marlene chamava a gente para o café da tarde: sorvete com calda, pipoca, bolo, pão com requeijão, 2 litros de Pepsi. Ai.
Cada filho tinha sempre um amigo. O Otávio levava o Emerson, a Ju me levava, a Lia levava a Camila Bragarolli e o Kleber, toquinho de gente, estava sempre com o amigo Alvinho. Éramos sempre oito pra lá e pra cá.
Estudamos juntas dos três aos dezesseis anos.
Aí ela foi morar nos Estados Unidos e quando voltou eu já morava em São Paulo.
Eu briguei com ela porque começou a namorar o menino que eu amava.
Que bobagem! Hoje somos todos casados, cheios de filhos, inclusive o menino.
Eu nunca falo com ela...mas gosto tanto de me lembrar do tempo em que frequentei a casa dos Cintra!
Eu nunca me esqueço da casa dos Cintra. Sonia, Israel, Otávio, Juliana, Lia e Kleber, uma família pernambucana. Casal de médicos bem sucedidos que mudou-se para Assis na década de setenta.
A Ju era minha grande amiga e a casa dela era um negócio do outro mundo prá mim.
Lá havia muitas janelas, jabuticabeiras, Águas de Março tocando, espaço, um charme nada provinciano, porque os móveis eram todos cheios de estilo, como seu eu tivesse frequentando as melhores pousadas de Trancoso em Assis nos anos oitenta. No jantar servia-se lazanha que era especialidade da cozinheira. Havia edredons cheirosos com os de hotel, toalhas felpudas como as do melhor hotel que já fui. E tinha uma piscina que vivia cheia de crianças. Tantas redes para deitar, rodeadas de plantas. Tantas mulheres de cerâmica vindas do nordeste. Uma, me parece era grávida ou noiva.
Mas o melhor era o tratamento cinco estrelas. Lá, as crianças convidadas a dormir ganhavam camas de hóspedes e o ar condicionado era liberado. Os talheres, tão lindos, mal ficavam nas mãos das crianças de tão pesados. As toalhas de mesa, os pratos, os copos, tudo era sei lá de onde. De Assis que não eram. Dava 15h00 e a Marlene chamava a gente para o café da tarde: sorvete com calda, pipoca, bolo, pão com requeijão, 2 litros de Pepsi. Ai.
Cada filho tinha sempre um amigo. O Otávio levava o Emerson, a Ju me levava, a Lia levava a Camila Bragarolli e o Kleber, toquinho de gente, estava sempre com o amigo Alvinho. Éramos sempre oito pra lá e pra cá.
Estudamos juntas dos três aos dezesseis anos.
Aí ela foi morar nos Estados Unidos e quando voltou eu já morava em São Paulo.
Eu briguei com ela porque começou a namorar o menino que eu amava.
Que bobagem! Hoje somos todos casados, cheios de filhos, inclusive o menino.
Eu nunca falo com ela...mas gosto tanto de me lembrar do tempo em que frequentei a casa dos Cintra!
Mudar de ano, de série, de emprego, tudo o que significa um recomeço é de grande valia.
Mudar de casa por sua vez, enche a gente de esperança.
Vou fazer tudo direito. Não quero nada estragado, não entra nenhum furinho de lençol lá na casa nova. Não quero panela velha, nem almofada descosturada, nem sapato precisando trocar a sola do salto. Não quero toalha de banho de quando o Tin era solteiro, nem revistas Veja e Vejinha e Época. Não quero Bravos antigas, nem brinquedos faltando pedaços. As roupas, vou escolher as que vão, porque estamos recomeçando e vão me acompanhar as que eu amo e as que uso. Na dúvida, fica. Vou fazer um bazar. A despensa terá sempre aspargos, risos, massas, biscoitos, sucos.
Nada de fios de aparelhos eletrônicos aparecendo! Na casa nova dos meu sonhos não há fios, nem correspondências enchendo as mesas e as gavetas. Na casa nova dos meus sonhos tem flores frescas, frutas frescas, o dia é fresco.
Comprei panos de pratos novos. Todos com a barra xadrez. Antes de mudar os vestidos de festa vão lavar a seco, só entram roupas com cheiro de lavanderia lá naquela casa nova.
As meninas não vão tomar conta da sala como fazem hoje. Terão seus cantos, o quarto de brinquedos, a casa de bonecas.
Eu vou ser uma pessoa bem melhor quando entrar lá, vocês vão ver...
Fazia assim mesmo quando ia começar caderno novo. Mas logo logo o que eu sou de verdade transborda e a casa, assim como o caderno, imita a minha natureza.
Mesmo sabendo que tudo o que a gente nasceu e morrerá sendo ficam flagrantes na casa em que a gente vive, mantenho as esperanças de ter a casa que eu sonhei.
Mudar de casa por sua vez, enche a gente de esperança.
Vou fazer tudo direito. Não quero nada estragado, não entra nenhum furinho de lençol lá na casa nova. Não quero panela velha, nem almofada descosturada, nem sapato precisando trocar a sola do salto. Não quero toalha de banho de quando o Tin era solteiro, nem revistas Veja e Vejinha e Época. Não quero Bravos antigas, nem brinquedos faltando pedaços. As roupas, vou escolher as que vão, porque estamos recomeçando e vão me acompanhar as que eu amo e as que uso. Na dúvida, fica. Vou fazer um bazar. A despensa terá sempre aspargos, risos, massas, biscoitos, sucos.
Nada de fios de aparelhos eletrônicos aparecendo! Na casa nova dos meu sonhos não há fios, nem correspondências enchendo as mesas e as gavetas. Na casa nova dos meus sonhos tem flores frescas, frutas frescas, o dia é fresco.
Comprei panos de pratos novos. Todos com a barra xadrez. Antes de mudar os vestidos de festa vão lavar a seco, só entram roupas com cheiro de lavanderia lá naquela casa nova.
As meninas não vão tomar conta da sala como fazem hoje. Terão seus cantos, o quarto de brinquedos, a casa de bonecas.
Eu vou ser uma pessoa bem melhor quando entrar lá, vocês vão ver...
Fazia assim mesmo quando ia começar caderno novo. Mas logo logo o que eu sou de verdade transborda e a casa, assim como o caderno, imita a minha natureza.
Mesmo sabendo que tudo o que a gente nasceu e morrerá sendo ficam flagrantes na casa em que a gente vive, mantenho as esperanças de ter a casa que eu sonhei.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
Enviada em: quinta-feira, 29 de janeiro de 2009 06:58
Para: marcelo@pontodecriacao.com.br
Assunto: Hoje, amanhã
Marcelo,
Eu cheguei aqui em casa ontem e a família estava de malas prontas para a praia.
Então, aqueles dez dias, que viraram um semana, agora viraram o seguinte: vou a Ponto hoje porque tenho umas reuniões. Saio daí umas quatro da tarde para viajar. Amanhã não vou. Nos vemos no café da manhã na segunda.
Se houver alguma coisa importante para falarmos, por favor, peça à Simone que me chame até as quatro.
Senão, falamos na segunda.
beijo,
Ana
On 1/29/09 9:48 AM, "marcelo Heidrich"
wrote:
Ana, não entendi bem, mas boas férias, você sabe o que faz e confio nisto.
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