OS CINTRA
Eu nunca me esqueço da casa dos Cintra. Sonia, Israel, Otávio, Juliana, Lia e Kleber, uma família pernambucana. Casal de médicos bem sucedidos que mudou-se para Assis na década de setenta.
A Ju era minha grande amiga e a casa dela era um negócio do outro mundo prá mim.
Lá havia muitas janelas, jabuticabeiras, Águas de Março tocando, espaço, um charme nada provinciano, porque os móveis eram todos cheios de estilo, como seu eu tivesse frequentando as melhores pousadas de Trancoso em Assis nos anos oitenta. No jantar servia-se lazanha que era especialidade da cozinheira. Havia edredons cheirosos com os de hotel, toalhas felpudas como as do melhor hotel que já fui. E tinha uma piscina que vivia cheia de crianças. Tantas redes para deitar, rodeadas de plantas. Tantas mulheres de cerâmica vindas do nordeste. Uma, me parece era grávida ou noiva.
Mas o melhor era o tratamento cinco estrelas. Lá, as crianças convidadas a dormir ganhavam camas de hóspedes e o ar condicionado era liberado. Os talheres, tão lindos, mal ficavam nas mãos das crianças de tão pesados. As toalhas de mesa, os pratos, os copos, tudo era sei lá de onde. De Assis que não eram. Dava 15h00 e a Marlene chamava a gente para o café da tarde: sorvete com calda, pipoca, bolo, pão com requeijão, 2 litros de Pepsi. Ai.
Cada filho tinha sempre um amigo. O Otávio levava o Emerson, a Ju me levava, a Lia levava a Camila Bragarolli e o Kleber, toquinho de gente, estava sempre com o amigo Alvinho. Éramos sempre oito pra lá e pra cá.
Estudamos juntas dos três aos dezesseis anos.
Aí ela foi morar nos Estados Unidos e quando voltou eu já morava em São Paulo.
Eu briguei com ela porque começou a namorar o menino que eu amava.
Que bobagem! Hoje somos todos casados, cheios de filhos, inclusive o menino.
Eu nunca falo com ela...mas gosto tanto de me lembrar do tempo em que frequentei a casa dos Cintra!
Obrigada por me convidar pra entrar nessa casa também. beijo
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