BEM RÁPIDO
Vem chegando maio e com ele junho. Não, ainda não mudei. Vontade de escrever um e-mail para a Ju Cintra, almoçar com a Cice, jantar com a Fê, ver a peça da Angela, tomar café com Ary, ir no bailinho dançar Eclypse of the heart, mandar um sms beeem longo para a Carol dizendo que também estou com saudade dela, conversar com a Toty na cozinha, escrever nomes de lingerie em francês para a Pri, escrever em francês e falar em francês e fazer aulas de francês e ter com Marcelô. Vontade de avisar o Mumu que sou assim mesmo, não vou mas penso nele adoidado. Vontade também de encontrar o Flavio, papear com a Van, conhecer Maria Flor, comentar que adoro a Chapeuzinho de feltro que a Manu ganhou. Vontade de ligar para a Lu Cotrim e ir visitar uma Waldorf e ver minha madrinha e levar as meninas no zoológico Quinzinho e na OSESP e no Aquário. Vontade de ir para o Rio, de ficar aqui também, de frequentar o Reserva, ir nas pré-estréias, quem sabe encontrar Alê Gerlova e trombar com o Zé. Vontade de perguntar para a Julia o que, o que, quem, quem. Vontade de Assis sem ter que viajar até Assis. Vontade de marido sem pressa, de amigos sem pressa, de sítio, de praia, de minha casa. Vem chegando terça e com ela quarta.
segunda-feira, 27 de abril de 2009
quinta-feira, 23 de abril de 2009
quarta-feira, 15 de abril de 2009
A DESPEDIDEIRA
página 51
"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés no ciclo das águas e dos ventos."
"Porque ele anunciou tudo neste poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher havendo. Só isso: a murchidão do que, antes florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo que a nossa rotina deixara crescer e pesar."
E assim caí de amores pelo "O fio das missangas", um livro de contos do Mia Couto recomendado incansavelmente pela Fefê.
página 51
"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés no ciclo das águas e dos ventos."
"Porque ele anunciou tudo neste poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher havendo. Só isso: a murchidão do que, antes florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo que a nossa rotina deixara crescer e pesar."
E assim caí de amores pelo "O fio das missangas", um livro de contos do Mia Couto recomendado incansavelmente pela Fefê.
terça-feira, 14 de abril de 2009
OS CARANGUEIJOS E OUTRAS SABEDORIAS
Ontem perdi a hora no café-da manhã absorta pelos assuntos que não conheço: "os carangueijos guaiamuns invadiram as areias do Bonete. Era lua cheia. A maré estava alta. Foi a maior ressaca dos últimos trinta anos. O mar vinha furioso, as ondas eram imensas. Os guaiamuns iam botar os ovos. Eles são azuis. Estavam enfeitiçados pela energia do mar. A ressaca tem vários motivos: um é que havia 28 anos que a terra não se encontrava nesta posicão, a posição original de quando o mundo se formou. E teve também a ressurreição de Cristo, e a lua. De noite andamos na areia entre o guaiamuns. A lanterna às vezes falhava mas tinha a luz da lua. Os carangueijos são enormes e levantam uma pata. Os machos isso, as fêmeas aquilo. A lua isso, o mar aquilo. A terra assim, o céu assado."
Peguei meu carro e fui trabalhar pensativa.
Ontem perdi a hora no café-da manhã absorta pelos assuntos que não conheço: "os carangueijos guaiamuns invadiram as areias do Bonete. Era lua cheia. A maré estava alta. Foi a maior ressaca dos últimos trinta anos. O mar vinha furioso, as ondas eram imensas. Os guaiamuns iam botar os ovos. Eles são azuis. Estavam enfeitiçados pela energia do mar. A ressaca tem vários motivos: um é que havia 28 anos que a terra não se encontrava nesta posicão, a posição original de quando o mundo se formou. E teve também a ressurreição de Cristo, e a lua. De noite andamos na areia entre o guaiamuns. A lanterna às vezes falhava mas tinha a luz da lua. Os carangueijos são enormes e levantam uma pata. Os machos isso, as fêmeas aquilo. A lua isso, o mar aquilo. A terra assim, o céu assado."
Peguei meu carro e fui trabalhar pensativa.
domingo, 12 de abril de 2009
JARDIM
Já conheci muito lugar nessa vida. Mas nenhum me dá um quentinho no peito como me faz o jardim da casa da minha mãe em Assis.
Quando sentamos lá tem sempre uma brisa, um riso, uma memória, uma criança correndo.
O jardim é o coração da nossa casa. Suas plantas, seu canteiro, seu céu, todos testemunharam a nossa vida. É bom ver minhas filhas tão à vontade naquele quadraro sem teto. E meus pais e tios ali, sempre.
Já conheci muito lugar nessa vida. Mas nenhum me dá um quentinho no peito como me faz o jardim da casa da minha mãe em Assis.
Quando sentamos lá tem sempre uma brisa, um riso, uma memória, uma criança correndo.
O jardim é o coração da nossa casa. Suas plantas, seu canteiro, seu céu, todos testemunharam a nossa vida. É bom ver minhas filhas tão à vontade naquele quadraro sem teto. E meus pais e tios ali, sempre.
CERTEZA
Duas filhas dormindo no banco de trás.
Eu pergunto:
- Quer ouvir poesia?
- Humhum
De mãos dadas
(Carlos Drummond de Andrade)
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."
Ele sorria ouvindo os versos. Muitos. 34 poemas. A estrada looonga a nossa fente. Minha cidade ficando para trás.
Tive tanta certeza.
"Mãos Dadas", por Carlos Drummond de Andrade
Duas filhas dormindo no banco de trás.
Eu pergunto:
- Quer ouvir poesia?
- Humhum
De mãos dadas
(Carlos Drummond de Andrade)
"Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente."
Ele sorria ouvindo os versos. Muitos. 34 poemas. A estrada looonga a nossa fente. Minha cidade ficando para trás.
Tive tanta certeza.
"Mãos Dadas", por Carlos Drummond de Andrade
quinta-feira, 9 de abril de 2009
quarta-feira, 8 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
FRAGMENTOS DE UMA CARTA DO MARIO DE ANDRADE AO CARLOS DRUMMOND
"De primeiro você me comovia, o jeito de você me esfolava o jeito meu, somos fundamentalmente diferentes na maneira de ser.
No princípio, eu quis mudar você que nem eu. Porque, já falei, você me esfolava e eu queria ser amigo de você. Mas você foi discreto, me engambelou, me engambelou, continuou na mesma, deu tempo ao tempo. Foi bom porque hoje você já não me esfola mais, não me contunde, eu já não quero mais mudar você."
(...) "Isto é, de ser, não, porque a base de nós dois é a mesma timidez, mistura dos efeitos da época com o nosso no-meio-do-caminho-tinha-uma-pedra provinciano. O que temos de diferente foi o meio de praticar a nossa timidez diante da vida."
"De primeiro você me comovia, o jeito de você me esfolava o jeito meu, somos fundamentalmente diferentes na maneira de ser.
No princípio, eu quis mudar você que nem eu. Porque, já falei, você me esfolava e eu queria ser amigo de você. Mas você foi discreto, me engambelou, me engambelou, continuou na mesma, deu tempo ao tempo. Foi bom porque hoje você já não me esfola mais, não me contunde, eu já não quero mais mudar você."
(...) "Isto é, de ser, não, porque a base de nós dois é a mesma timidez, mistura dos efeitos da época com o nosso no-meio-do-caminho-tinha-uma-pedra provinciano. O que temos de diferente foi o meio de praticar a nossa timidez diante da vida."
domingo, 5 de abril de 2009
NÓS E NOSSOS CARROS
Adoro muito passar em poça d'água de carro. Encolho as pernas quando tiro fina. Fecho o olho quando espirro e então perco a direção. Perco a direção também quando vejo primaveras ou ipês escandalosos. Às vezes faço o retorno e não lembro mais para que lado estou indo. Encostei no carro da vizinha manobrando na garagem e dei uma raspadinha. Desci, passei a mão, molhei o dedo de saliva e limpei o raladinho. Mesmo assim interfonei para o Lourenço: avisa a moça do Tucson que eu dei uma raladinha no carro dela, se quiser polir eu pago. Ela agradeceu a gentileza. Mandou avisar que deu 170 reais. No fim da tarde é gostoso de dirigir porque a luz da cidade é bonita. Pegar estrada ao amanhecer me faz bem. Muita coisa me faz bem e eu levo muito tempo para perceber. Dirigir me faz bem. Deixo o carro com manobrista porque quando estou chegando no lugar meu cérebro registra que estou chegando e não suporta procurar vagas e dar voltas. Mas odeio pagar os manobristas e não acho nada legal eles ficarem me prendendo, mostrando os raladinhos do meu carro. Já vi, já vi. Fui eu, respondo sem olhar. O relógio do meu carro é 50 minutos atrasado. Vivo fazendo conta: adiciono uma hora, tiro dez minutos. De vez em quando ponho um set de músicas do momento no meu i-pod. Mas na maioria das vezes gosto de ouvir música manjada, na Eldorado mesmo. Dirigindo o meu carro, na volta do trabalho, enquanto ando na marginal, penso na minha família todo santo dia. Meu pai, minha mãe, Titá, tio Nis, meu irmão, tia Cristina... quando não tem CET ligo para um deles e jogo conversa fora. É que no alô eu já descanso. Sempre que passo em frente ao antigo banco Santos canto em pensamento: só banco Santos, só Banco Santo, lalalalaia ( só danço samba, só danço samba). Não consigo me livrar disso, que é uma mania do Tin. Em frente do Astúrias penso em sexo e reparo nos carros dando seta sorrateiros. Ri muito outro dia na Natingui quando um cara fez uma placa e colocou numa rotatória sem nexo: "o sujeito que inventou essa obra é uma anta!" Hehehe.
Adoro muito passar em poça d'água de carro. Encolho as pernas quando tiro fina. Fecho o olho quando espirro e então perco a direção. Perco a direção também quando vejo primaveras ou ipês escandalosos. Às vezes faço o retorno e não lembro mais para que lado estou indo. Encostei no carro da vizinha manobrando na garagem e dei uma raspadinha. Desci, passei a mão, molhei o dedo de saliva e limpei o raladinho. Mesmo assim interfonei para o Lourenço: avisa a moça do Tucson que eu dei uma raladinha no carro dela, se quiser polir eu pago. Ela agradeceu a gentileza. Mandou avisar que deu 170 reais. No fim da tarde é gostoso de dirigir porque a luz da cidade é bonita. Pegar estrada ao amanhecer me faz bem. Muita coisa me faz bem e eu levo muito tempo para perceber. Dirigir me faz bem. Deixo o carro com manobrista porque quando estou chegando no lugar meu cérebro registra que estou chegando e não suporta procurar vagas e dar voltas. Mas odeio pagar os manobristas e não acho nada legal eles ficarem me prendendo, mostrando os raladinhos do meu carro. Já vi, já vi. Fui eu, respondo sem olhar. O relógio do meu carro é 50 minutos atrasado. Vivo fazendo conta: adiciono uma hora, tiro dez minutos. De vez em quando ponho um set de músicas do momento no meu i-pod. Mas na maioria das vezes gosto de ouvir música manjada, na Eldorado mesmo. Dirigindo o meu carro, na volta do trabalho, enquanto ando na marginal, penso na minha família todo santo dia. Meu pai, minha mãe, Titá, tio Nis, meu irmão, tia Cristina... quando não tem CET ligo para um deles e jogo conversa fora. É que no alô eu já descanso. Sempre que passo em frente ao antigo banco Santos canto em pensamento: só banco Santos, só Banco Santo, lalalalaia ( só danço samba, só danço samba). Não consigo me livrar disso, que é uma mania do Tin. Em frente do Astúrias penso em sexo e reparo nos carros dando seta sorrateiros. Ri muito outro dia na Natingui quando um cara fez uma placa e colocou numa rotatória sem nexo: "o sujeito que inventou essa obra é uma anta!" Hehehe.
A FESTA VIROU LIVRO
> Coração,
>
> Agora é o que eu acho que é final.
> Preciso de um olhar de editora.
> Tem muitos mails fofos e eu não achei todos mas acho que é um
> bélissimo pouporri!
>
> Queria que vc escrevesse uma frase final...é afins?
> depois ali de tudo?
>
> Vc acha que acaba com aquele mail do rô? e só?
>
> eu não colocaria fotinhos não..deixaria assim...textinhos...singelos e
> amorosos...
>
> te espero
>
> beijocas
>
>
> On Apr 4, 2009, at 2:38 PM, ana.paula@pontodecriacao.com.br wrote:
>
>>>
>> Rá,
>>
>> Eu até chorei lendo a história inteira.
>> O parango-livro singelo!
>> Como a Gi é amada, né?
>> Vou te mandar fotos dela e nossas.
>> A capa ficou linda.
>> IIuuuuuppppiiiiiiii! A festa está dando muito certo. A festa mais
>> certa de todo o mundo. Absolutamente impecável.
>>
>> beijos, beijos
>>
>> Ana
>>
> Coração,
>
> Agora é o que eu acho que é final.
> Preciso de um olhar de editora.
> Tem muitos mails fofos e eu não achei todos mas acho que é um
> bélissimo pouporri!
>
> Queria que vc escrevesse uma frase final...é afins?
> depois ali de tudo?
>
> Vc acha que acaba com aquele mail do rô? e só?
>
> eu não colocaria fotinhos não..deixaria assim...textinhos...singelos e
> amorosos...
>
> te espero
>
> beijocas
>
>
> On Apr 4, 2009, at 2:38 PM, ana.paula@pontodecriacao.com.br wrote:
>
>>>
>> Rá,
>>
>> Eu até chorei lendo a história inteira.
>> O parango-livro singelo!
>> Como a Gi é amada, né?
>> Vou te mandar fotos dela e nossas.
>> A capa ficou linda.
>> IIuuuuuppppiiiiiiii! A festa está dando muito certo. A festa mais
>> certa de todo o mundo. Absolutamente impecável.
>>
>> beijos, beijos
>>
>> Ana
>>
FESTA SURPRESA
Fazia anos, muitos anos mesmo que eu não participava de uma festa surpresa. Façam festas surpresas. Planejar uma festa para alguém que se quer bem é bom para a saúde. São dias dividindo coletivamente um projeto, emanando carinho, ocupando a cabeça com um plano singelo, cuidando de detalhes quase terapêuticos.
A festa de 34 anos da Gi foi assim, uma delicadeza.
Fazia anos, muitos anos mesmo que eu não participava de uma festa surpresa. Façam festas surpresas. Planejar uma festa para alguém que se quer bem é bom para a saúde. São dias dividindo coletivamente um projeto, emanando carinho, ocupando a cabeça com um plano singelo, cuidando de detalhes quase terapêuticos.
A festa de 34 anos da Gi foi assim, uma delicadeza.
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