A DESPEDIDEIRA
página 51
"Há mulheres que querem que o seu homem seja o Sol. O meu quero-o nuvem. Há mulheres que falam na voz do seu homem. O meu que seja calado e eu, nele, guarde meus silêncios. Para que ele seja minha voz quando Deus me pedir contas.
No resto quero que tenha medo e me deixe ser mulher, mesmo que nem sempre sua. Que ele seja homem em breves doses. Que exista em marés no ciclo das águas e dos ventos."
"Porque ele anunciou tudo neste poente. Que a paixão dele desbrilhara. Sem mais nada, nem outra mulher havendo. Só isso: a murchidão do que, antes florescia. Eu insisti, louca de tristeza. Não havia mesmo outra mulher? Não havia. O único intruso era o tempo que a nossa rotina deixara crescer e pesar."
E assim caí de amores pelo "O fio das missangas", um livro de contos do Mia Couto recomendado incansavelmente pela Fefê.
lindo demais.
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