ZÉ
Veio aqui passar o dia. Ele e os filhos. Eu e as filhas.
Conversamos pouco porque eram quatro pequenos inquietos, mas isso foi o de menos. Almoçamos com toda a criançada, sentamos em um banco debaixo de um solzinho, falamos amenidades
Andando pensativa fiz uma conta rápida: faz vinte anos que somos amigos. Ele me interrompeu:
Ana Paula, olha aqui a chave, fica com você.
...
Zé, cadê a chave?
Eu te dei.
Prá mim?
Sim, prá você.
Comigo ela não tá.
Procura bem.
Não tá. Olha aqui só tenho estes dois bolsos.
Mas eu te dei.
Tem certeza?
Absoluta.
Comigo não tá.
...
Procura, procura, procura.
...
Vambora, Zé. Deixa prá lá. Sumiu. Depois eu troco a fechadura.
Puxa Ana Paula, mas eu fico intrigado. Como uma coisa pode desaparecer assim?
Acho que uma das crianças jogou.
É uma pena. Mas olha, é comum trocar a fechadura antes de mudar.
É, vou fazer isso.
...
Duas horas depois a chave aponta saindo pela perna da minha bermuda.
Ele morre de rir.
Nenhum comentário:
Postar um comentário