quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O DÉCIMO PRIMEIRO COMENTÁRIO


Flavio
To
Vanessa Guedes
cc


Subject

Re: o décimo primeiro comentário

Seguinte, babe, acho que até já te disse:  um dia, por um acaso qualquer, encontrei Ana num almoço no Reds com Cecília e quetais. Lá falei que estava contigo, que estávamos juntos já há tempos e ela me disse com simplicidade que, de fato, já estávamos casados e que o casamento é uma coisa boa. Sabe que tenho grande apreço por ela e o que ela diz tem importância para mim. Tempos depois, quando já vivíamos eu e você sobre o mesmo teto, disse à Ana pelo msn que o comentário dela tinha reforçado minha decisão de, enfim, casarmos. Ela sentiu-se co-autora e, de certa forma, um madrinha  desta deliciosa história de amor.

E seguimos felizes para sempre
Na fé, na amizade, no carinho, no respeito, na admiracão e no tesão.


Beijo

Beijo

Beijo

F.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

A PRIMEIRA PRECE

Saindo da bilheteria:
Filha, não deu tempo de pegar a sessão. Já começou o filme.
- Não, eu quero entrar.
- Não tem mais nenhuma cadeira vazia.
Com nó na garganta:
- Mas mamãe, eu quero entrar.
- Voltamos outro dia, hoje não dá. A gente tentou, mas não conseguiu.
- Mas não era pra não conseguir. Eu torci.
E mostrou os dedinhos cruzados desde que saiu de casa.
DE LOLÔ PARA MANU

- Nuna, no ano que vem você vai prá escola com a Lolô! Quando você "fazer" galo sua professora vai colocar gelo, viu pequena?
A Tati Abreu é uuma pessoa inspiradora.
Fotógrafa e mãe. Agora, fotógrafa de mãe e filhos e amores e outras poesias visuais.

http://www.estudiobarbarella.blogspot.com/



domingo, 27 de setembro de 2009




MUITO, MAS MUITO MEDO DO LOBO MAU COMER OS PORQUINHOS
CHEGUEI

E gostaria de escrever sobre: o resto da viagem, voltar prá casa, andar de avião e o que acontece quando a gente abre a porta de casa as seis e quarenta da manhã e duas princesas, um marido, um cachorro e a mamãe estão de olhos inchados e sorriso escancarado esperando a gente...

terça-feira, 22 de setembro de 2009

I'M LONELY IN LONDON AND LONDON IS LOVELY SO...

Queria tanto contar de Londres, mas estou caindo de sono.
Vou para a cama porque amanhã às sete, toc, toc, toc. - Good Morning Mrs Marques. I have your breakfast. May I open your windows? Look at that, what a beautiful day. Enjoy, Mrs Marques. Thank you.

E eu não paro de cantar: "It's good at least to live and I agree, while my eyes..."

Liguei para Rebecca an Veronica Elderfield, minha querida amiga australiana que mora aqui há quinze anos. Amanhã vamos jantar, não posso esperar!

DELAY: Fui a uma reunião em um campo de golf onde ingleses e inglesas altos e loiros falavam sem parar...inthelastuiás (in the last two years)...tão elegantes. Dali a pouco vinha uma chinesa e quebrava todo o glamour.

Fui correndo comprar maltesers, uns chocolates que eu amava. Comprei, comi um, dois, três. Olhei o saquinho, mudaram a fórmula? Não, fui eu que mudei.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

LONDON

Da outra vez que vim aqui fiquei looonge do centro, em um quarto na casa de uma inglesa suburbana que vivia de hospedar estudantes.
Agora volto para trabalhar. Desço na estação de metrô com as malas e peço informação para uma indiana dona de uma lojinha. Ela diz: Wow! The Landmark London Hotel? It's wonderful! Will you stay there? Wow!
...
Cheguei e entendi. É muito luxo para o meu tênis e minha mochila.

domingo, 20 de setembro de 2009

Fotos da Alemanha: http://www.facebook.com/photo.php?pid=402474&id=1656889808


BERLIM

Hoje entendi melhor Berlim.
Se você vem prá cá e quer dicas sobre a cidade, vai sempre achar respostas pouco precisas. tudo é legal, são muitos lugares, não perca isso, não perca aquilo. Porque Berlim vai acontecendo enquanto se está vivendo ela.
Você emerge de uma estação de metrô e dá de cara com uma praça futurista delimitada por prédios disformes e coberta por um teto de vidro. Na frente, fragmentos do muro de Berlim. Aí continua andando por ruas desertas olhando predios da Berlim Oriental que não foram mexidos e dão até uma angústia porque são herméticos, austeros e denunciam um socialismo feroz. De repente surge uma praça repleta de alegria. Por ali passava a maratona de Berlim, um tremendo sucesso na Europa e a cidade estava em festa. E vai-se andando e acha-se o memorial das vítimas do holocausto. Um labirinto impressionante. Mais um pouco mais ruas desertas e...praças, shows de rock, crianças, muitas, centenas, com seus pais o que derretia meu coração.
Então surge o Portão de Brandemburgo. Dalí se avista uma coluna onde se encontravam os anjos de "Asas do Desejo."
Logo aparece uma praça linda e a gente deita e dorme um pouco no chão. Não saberia explicar como fui parar em todos esses lugares... tá certo que o Tin é quem fica com o mapa e raciocina os caminhos. Para mim não há lógica, é ir andando e descobrindo.
Em Berlim não se compra nada.
Nem aspirina, porque não existem farmácias.
NADA abre no domingo.
E eu, que comi mules demais ontem e precisei muito de uma aspirina pensava que os alemães me diriam: que aspirina que nada, vai andando, olhando, aguentando. Na vida não há espaço para frescuras. Dor de cabeça, ora essa!
Eu fui, resignada.
E tive centenas de boas surpresas visuais, sensoriais, emocionais.
Fomos muito, muito felizes nesse dia.
8 LINHAS QUE ME FIZERAM RIR E CHORAR - Minha mutter in law contando das meninas

No fim, cada menina ganhou uma bola vermelha e fomos para casa debaixo de uma garoa fininha...
Manu foi dormir logo, Lolô escolheu a camisola azul, de princesa e fez uma horinha na sala. Ficou uns minutinhos no sofá com uma carinha parecendo a mãe dela naquela foto da lixa, que está na parede, absorta em seus pensamentos, pensando no infinito talvez como disse o Bachelard que crianças pensam em espaços como porões, mas ela consegue pensar em campo aberto mesmo, ou talvez relembrando cada palavra da mãe e do pai: no carro disse que o pai vinha antes e ia preparar a viagem para o Rio, na saída do galpão, subindo para a rua virou e disse minha mãe disse que eu sou mais linda que todas as meninas da alemanha. E a Manu, passando pelas fotos dos espetáculos do galpão, na saída, apontou uma moça de cabelos escuros e falou mamãe. Vocês são assim para elas: os caras.

sábado, 19 de setembro de 2009

Não, eu não queria pegar sua bolacha, senhora. Estava só mostrando que tiraria minha bolsa para dar espaço para a, ah deixa prá lá.

Não é aqui? Três vagões adiante? Desculpe. Sorry. Excuse me. Sorry. Ui. Aqui? ( o trem andando a duzentos por hora e nos projetando para frente, fomos dando carreirões com as malas e as mochilas, sendo arremessados, para ser mais exata, passamos assim, ventando, por muitas pessoas que por pouco não foram acidentadas, digo, foi a custa de muito esforço que não caí no colo daquelas senhoras e seus piqueniques no trem. Chegamos enfim à cabine. Mas como vamos sentar? O gordo que comprou o bilhete ao lado está ocupando duas cadeiras e fechando a passagem da pobre pessoa que será esmagada na janela. Acho que vou ter um ataque de riso.

Desejo às vezes que a minha mala se desmaterialize. Que se teletransporte para a minha casa. Malas são coisas ultrapassadas, pesadas, ingratas.

Quatro alemães se levantaram para nos ajudar a enfiar as malas na cabine do trem depois que descobrimos que, Ufa! o companheiro de 220 quilos não seria nosso vizinho. Ok, a cabine era nossa antes de ser deles porque compramos os bilhetes antecipados. Mas, ainda assim, foram todos muitos gentis. A gentileza é um ativo da humanidade. Confio que sim.
FAZ UNS QUATRO DIAS QUE O DIA COMEÇOU

Acordamos em Frankfurt, atravessamos o país de trem, chegamos a Berlim em uma linda tarde de sol e céu azul.
Almoçamos um típico salsichão com salada de batata. Cervejas grandes e muitas para acompanhar. Andamos. Mudamos de hotel, passeamos sem rumo nenhum, só indo onde o vento levou.Tomamos mais um cerveja olhando a rua, pedimos muito, muitas vezes, insistentemente que algum alemão nos trouxesse uns queijos para acompanhar nossas cervejas. Eles relutaram, evitaram, tentaram vender um prato pronto mas enfim apareceram com gruyers, roqueforts, queijo de cabra, framboesas, pistaches, nozes, uvas. Um tiquinho de cada, bem do jeitinho que eu sonhei.
Pois então dormimos um pouco no hotel e acordamos e acabamos a noite no Café Paris, um incrível restaurante tradicionalíssimo, que existe desde a década de 60. Na primeira mesa que avistei estava sentado um senhor muito elegante acompanhado de dois seres que pareciam extraterrestres, eram carecas, muito maquiados, com roupas prateadas e minissais e sapatos de salto, e golas altíssimas por cima do paletó, prata. Não sei se eram homens, ou um casal, se eram novos ou velhos, sei que eram habitués do lugar, daqueles muito queridos pelo metre e pelos garçons. E tinham um olhar muito delicado.
O dia acabou as duas da manhã com a gente chegando ao hotel, mas parece que foi terça que eu entrei naquele trem e vim parar aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

VIAGENS SÃO A PROVA

Vamos?
Vamos?
Topa?
Topo.
Por aqui?
Acho bom.
Você gostou?
Amei e você?
Eu e o Tin nascemos um pro outro.
MUITO TARDE. MUITO SILÊNCIO. MUITA SAUDADE.
FANSTACH

Saímos correndo do Salão do Automóvel para ir ao Museu de Arte Moderna. Para chegar nele passamos pelo Museu da Comunicação, Mudeu da História, Museu do Cinema, Museu da Fotografia, Museu com Exposição da China, Museu com exposição de Bali, Museu de não sei o que.
Quando chgamos ao MAM estava fechado, o que foi bom porque gostamos mesmo é de andar pelas ruas, tomando um sol, vendo as pessoas alemãs e olhando seus sapatos, seus dentes, seus óculos e imaginando o que significam aquelas palavras que ficam saindo de suas bocas.
O Tin repete tudo o que ouve. Ele reproduz os sons. Ele pede coisas em alemão. Eu acho lindo o jeito dele se inserir nos lugares e se forçar a falar o trivial por uma questão de respeito.
ALEMANHA

Estamos em Frankfurt. Estou gostando da Alemanha. Ao contrário do que imaginei, tenho achado este povo alegre e em paz com a vida. Nada de medo de crise, nada de medo de imigrantes, no avião mesmo, eles não entregaram nem o papel da imigração, nós perguntamos o motivo e o comissário respondeu: this is a good country. Have fun.
Mas, por outro lado, MITTEN GOTTEN, que roupas são essas! Que falta de charme! Hoje fiquei reparando, não vi uma pessoa elegante, UMA. Nenhum lenço, um penteado, um sapato, um jeito de sobrepor uma blusa, uma bota. Nain. Não estão nem aí para roupas, mas são impecáveis, precisos e perfeitos nas engenharias. O salão de Frankfurt é impressionante...até para meninas.
Em compensação vi muitas pessoas contentes por aqui. Viajamos no trem com uma mãe de uns sessenta e muitos anos que veio sorrindo de Stuttgart até Frankfurt. Viajava com duas amigas. No meio do caminho ela levantou e avisou: my daugher is coming. A alemã alta e gorda entrou no vagão, abraçou a mãe fazendo festa, como se estivessem na Oktoberfest. Deram um beijinho na boca. A filha, me parece, reclamou de uma dor no braço, depois sentou e seguiram viagem de mãos dadas e sorrindo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

NUNA FALA

Tudo, a toda hora. De todas as frases, a que eu mais gosto é:
- Uouô, vem ati.
Elas se têm.
HOJE NO SOFÁ

Uma onda de amor me tomou, saia carinho pelas mãos, pelos olhos, pela voz. A voz! tão sufocada de afeto que até falhava sussurrando que mamãe adora muito ser a mamãe daquelas duas princesinhas.

EU SEI QUE VOU AMAR EM CADA DESPEDIDA DESESPERADAMENTE

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

“Acabou de sair”

Sua enorme inteligência compreensiva, aquele seu coração vazio de mim que precisa que eu seja admirável para poder me admirar. Minha grande altivez: prefiro ser achada na rua. Do que neste fictício palácio onde não me acharão porque - porque mando dizer que não estou, “ela acabou de sair”.

Clarice Lispector

terça-feira, 8 de setembro de 2009

“tínhamos deveras prometido que todos os nossos pensamentos seriam comuns e que nossas almas de ora em diante uma só… voltei meu olhar para o seu, amor querido, para nele ler meu pensamento; mergulhava nos seus olhos tão lindos e estranhamente doces….Tão difícil é se entender, meu anjo querido, e tão incomunicável é o pensamento, mesmo entre quem se ama!”

charles baudelaire
DORES PELAS DORES QUE AINDA VIRÃO

Não consigo esquecer esta triste frase.


NO PARQUE DA ÁGUA BRANCA

Toda mulher está, esteve ou estará grávida. Todo mundo carrega, carregou ou carregará os filhos em slings. Todas as crianças que brincam por ali mamaram no peito. Todas as moças estão ou costumam estar de saias longas. Todas as pessoas têm sacolas retornáveis e coletam lixo corretamente e estudam e amam e tomam chás e usam grampos e ouvem música e sabem como tirar o amargo da xicória. Meu lado hippie ama o Parque.
Neste sábado uma francesa na feira de orgânicos pediu:
- Vou levar essas carrots e quero corrtarr as verrduras parra darr para os cavalos.
Fiz igualzinho:
- Por favor, vou levar estas cenouras e quero que você corte as folhagens para eu dar para os cavalos.
No Parque da Água Branca penso que sou muito boa mãe.
As meninas um dia dirão: quando era pequena minha mãe sempre levava a gente lá para tomar café no sábado, na mesa bamba, equilibrando bandejas, pedindo suco de banana da terra com goiaba e repetindo: é assim que tem que ser a vida. Simples.

domingo, 6 de setembro de 2009





A CADA GARFADA UM LE PARKOUR
Não era bem isso que eu queria pedir, não era aqui que eu queria vir, não era essa música que queria ouvir...nem essa...nem essa..nem essa...não quero ir, não quero ficar, não quero dormir, não quero levantar. Às vezes é bom que exista TPM prá levar a culpa.

sábado, 5 de setembro de 2009

Cada filho chega ao coração da mãe por uma artéria, uma veia, uma rua...amo tanto a Manu de um amor feito da mesma matéria daquele que é da Lolô, mas emanado diferente...quero explicar esta sensação mas meus olhos estão fechando de sono. Vou, porque já é tarde e a casa silenciou. As bonecas sereias sentadas na poltrona e um chinelinho espalhado pela sala me...
A NUNA

Acordou chamando: mamãe, obo mau ati, obo mau ati.
Não filha, vem no colo da mamãe. Aqui não tem lobo mau.
...e no dia seguinte lá tava Nuna batendo na porta e soprando a casinha, sendo o próprio medo dela.
DA SÉRIE: A VIDA É JÁ

- Posso ir brincar na casa da Lolô?
- Não Oli, hoje já tá muito tarde.
- MAs eu NUNCA fui na casa da Lolô hoje.
eu não sei exatamente qual é o meu pior defeito. Não sei qual é minha melhor qualidade. Mas uma coisa eu sei: me devotar.
Isso é quase religioso em mim.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

FRAGMENTOS DE UM E-MAIL TRISTE

Queridas amigas e amigos gatófilos e simpatizantes

Nossa pequena Madá se foi, numa urgência compreensível de reencontrar Luna, a amiga querida, meio filha.
Sedutora Madá. A que sempre nos concedeu a honra de sermos tratadas como gatas. A que sempre estendeu essa especial deferência às pessoas que amamos.
Buraco negro discreto, voraz e poderoso. Foi um privilégio conviver com ela por tantos anos, a cada dia aprendendo mais, com ela, sobre a arte de viver o presente, ser feliz e ser livre.
...
Todas nós, mais Lia, sempre amiga, bebemos a ela uns pequenos goles de aguardente vinda de um assentamento da reforma agrária.
Se puderem, bebam também a ela.

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Ô minha sogra, quanta tristeza perder estas duas damas assim de uma vez.
Lolô tem desejos urgentes de presenteá-las com uma gatinha nova, de laço vermelho no pescoço. Mas antes há de se viver o luto. E beber aguardentes a Madá.
Estamos juntas.
Tinha me esquecido que quando se dá uma festa corre-se o risco de muitos convidados não virem.
Estou gostando tanto de festejar a vida. E ao celebrar alguma coisa especial com alguém os laços de amor e amizade aumentam.
Eu, por exemplo, amo ainda mais estes vinte amigos que vieram ter com a gente no último sábado.
NÃO É AUSPICIOSO...

... não se pode ir jogando assim, palavras ao vento. As palavras têm força.
Sou devota do Caminho das índias. Não perco um capítulo.