

BERLIM
Hoje entendi melhor Berlim.
Se você vem prá cá e quer dicas sobre a cidade, vai sempre achar respostas pouco precisas. tudo é legal, são muitos lugares, não perca isso, não perca aquilo. Porque Berlim vai acontecendo enquanto se está vivendo ela.
Você emerge de uma estação de metrô e dá de cara com uma praça futurista delimitada por prédios disformes e coberta por um teto de vidro. Na frente, fragmentos do muro de Berlim. Aí continua andando por ruas desertas olhando predios da Berlim Oriental que não foram mexidos e dão até uma angústia porque são herméticos, austeros e denunciam um socialismo feroz. De repente surge uma praça repleta de alegria. Por ali passava a maratona de Berlim, um tremendo sucesso na Europa e a cidade estava em festa. E vai-se andando e acha-se o memorial das vítimas do holocausto. Um labirinto impressionante. Mais um pouco mais ruas desertas e...praças, shows de rock, crianças, muitas, centenas, com seus pais o que derretia meu coração.
Então surge o Portão de Brandemburgo. Dalí se avista uma coluna onde se encontravam os anjos de "Asas do Desejo."
Logo aparece uma praça linda e a gente deita e dorme um pouco no chão. Não saberia explicar como fui parar em todos esses lugares... tá certo que o Tin é quem fica com o mapa e raciocina os caminhos. Para mim não há lógica, é ir andando e descobrindo.
Em Berlim não se compra nada.
Nem aspirina, porque não existem farmácias.
NADA abre no domingo.
E eu, que comi mules demais ontem e precisei muito de uma aspirina pensava que os alemães me diriam: que aspirina que nada, vai andando, olhando, aguentando. Na vida não há espaço para frescuras. Dor de cabeça, ora essa!
Eu fui, resignada.
E tive centenas de boas surpresas visuais, sensoriais, emocionais.
Fomos muito, muito felizes nesse dia.