sábado, 19 de setembro de 2009

Não, eu não queria pegar sua bolacha, senhora. Estava só mostrando que tiraria minha bolsa para dar espaço para a, ah deixa prá lá.

Não é aqui? Três vagões adiante? Desculpe. Sorry. Excuse me. Sorry. Ui. Aqui? ( o trem andando a duzentos por hora e nos projetando para frente, fomos dando carreirões com as malas e as mochilas, sendo arremessados, para ser mais exata, passamos assim, ventando, por muitas pessoas que por pouco não foram acidentadas, digo, foi a custa de muito esforço que não caí no colo daquelas senhoras e seus piqueniques no trem. Chegamos enfim à cabine. Mas como vamos sentar? O gordo que comprou o bilhete ao lado está ocupando duas cadeiras e fechando a passagem da pobre pessoa que será esmagada na janela. Acho que vou ter um ataque de riso.

Desejo às vezes que a minha mala se desmaterialize. Que se teletransporte para a minha casa. Malas são coisas ultrapassadas, pesadas, ingratas.

Quatro alemães se levantaram para nos ajudar a enfiar as malas na cabine do trem depois que descobrimos que, Ufa! o companheiro de 220 quilos não seria nosso vizinho. Ok, a cabine era nossa antes de ser deles porque compramos os bilhetes antecipados. Mas, ainda assim, foram todos muitos gentis. A gentileza é um ativo da humanidade. Confio que sim.

Um comentário:

  1. Ana, vc e fantstica. Adorei a frase a gentileza é um ativo da humanidade. Confio nisto tb, mas as vezes não acredito. Um bj grande e espero vë-los em breve. Dani

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