

DIFERENÇAS
Era assim: eu pequena não fazia mal a uma mosca.
Não chorava muito, não brigava jamais com os amiguinhos na escola. Meus pais se preocupavam com meu comportamento pata-choca. Era tímida, falava baixinho, não reclamava com os mais velhos, a ponto de sustentar uma senhora sentada numa cadeira de madeira maciça em cima do meu pézinho trinta em silêncio, porque tinha vergonha de dizer a ela que estava doendo.
Diz minha sogra que Tintin era igual. Menininho da paz. Concentrado em fazer porco-espinho de massinha e palito, viciado em soldadinhos, quietinho, bonzinho.
Mas a Lolô é completamente diferente. É brava, dá bronca e bate nos amiguinhos. Espalha rodinhas, fica brava com o cachorro, pega a bolsa e diz que vai embora, e a gente pede para ela ficar e a pequena responde decidida e impiedosa: Naum! Uouô vai emboa.
E eu: Fica, por favor.
E ela: Uouô não té.
E ela beija quem ela quer, fala com quem ela quer e de preferência vai contra o que você quer. "Dá um beijo na mamãe?" Ela corre e dá o beijo no papai.
Lolô não é uma bebezona. É uma pessoinha questionadora, que olha no fundo dos olhos.
Eu e o Tin estamos caídos por ela. Estamos vulneráveis, apaixonados e achando o meio termo entre dar amor e dar limites.
Moral da história: eu era assim, ela é assado e ser mãe é aceitar as diferenças.
Nas diferenças a gente vai se completando e a vida fica mais gostosa. Cheia do que contar e do que viver.
ResponderExcluir:)somos1
ResponderExcluirA Lolô nunca quis me dar um beijinho. Amo-a por isso. Eu também sou diferente. Adoro quem nnao me dá trela.
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