FUTUCANDO BEM
Foi assim: voltávamos de Assis, guarda pára o carro, carro cheio de gente, dou o documento, licenciamento vencido, guarda duro na queda, carro apreendido. Amigos, marido, filha e cachorro na beira da estrada, fazia frio e era de noite.
O Jupiter na Casa 2 mandou avisar que proteção tem limite.
Voltamos para São Paulo de táxi. Lá no fundo fiquei satisfeita porque não se dá mais jeitinho em tudo. Fiquei também muito sem jeito e meu nariz começou a coçar.
CONSTATAÇÃO: Voltei na estrada pensando: um recado, uma lição, um recado, uma lição. Achei: as coisas não são como a gente quer, são como são.
VOU CONFESSAR: Tenho um enorme defeito. Sou muito distraída.
UM DESEJO: (Queria que você lesse este post ouvindo a Ciranda da Bailarina, uma obra-prima do Chico Buarque, cantada docemente pela Adriana Calcanhoto, a Partinpim).
PARA QUEBRAR O GALHO: a letra
A CIRANDA DA BAILARINA
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Futucando vem todo mundo tem defeito e bailarina que eu não sou.
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