TCHAU, CHUPETA
Manu amava muito sua chupeta. Se qualquer coisa desse errado, qualquer mesmo, vinha correndo pedir a chupeta.
Sua chupeta a deixava tranquila, segura, aconchegada.
Sua chupeta tampava suas angústias e completava sua satisfação. Ela fazia o meu papel, do Tin, do colo, da cumplicidade.
No domingo, quando fomos pegar a estrada ela falou: mamãe, abre o vidro. Vou jogar minha chupeta. Eu não vou mais chupar chupeta.
Lolô tentou impedir: não, Manu! Não mamãe, não deixa. Não Manu!
Eu disse: Lolô, sua irmã está sendo corajosa. Ela tomou uma decisão e nós vamos apoiá-la . Abri o vidro imediatamente.
Ela arremessou a chupeta na noite escura.
Sorriu.
Riu.
Deu gritinhos de alegria.
Trinta quilômetros depois se pôs a chorar. Queria a chupeta. Soluçou, berrou. Durante 40 minutos.
A Lolô com o ouvido tampado repetia: não falei? não falei?
Manu chorava triste. Pensava na chupeta como se pensa em um amor que foi embora. Olhava desesperada pela janela. Se debatia. Ficava brava comigo como se a culpa fosse minha dela ter tomado aquela decisão de abandonar alguém para sempre.
Ainda bem que conheço a respiração udjai. Que é profunda e lenta. Respirei, respirei. Isso é só o começo, pensei.
Calma, filha. É ruim agora, mas depois vai passar.
Naquela noite ela dormiu exausta de chorar. A levei para cama sem banho, sem escovar os dentes, sem pijama.
No dia seguinte ela acordou em paz.
E não falou mais na chupeta, seu primeiro amor perdido.
As crianças ensinam a gente.
Brava Manú!!
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