PARA QUANDO SE QUER CHORAR COM POESIA:
"Nasci talvez, espiritualmente, num dia curto de inverno. Chegou cedo a noite ao meu ser."
"Sabendo como as coisas mais pequenas têm com facilidade a arte de me torturar, de propósito me esquivo ao toque das coisas mais pequenas. Quem, como eu, sofre porque uma nuvem passa diante do sol, como não há de sofrer no escuro do dia sempre encoberto da sua vida?"
"Nunca tive a arte de estar vivo ativamente. Errei sempre os gestos que ninguém erra; o que os outros nasceram para fazer, esforcei-me sempre para não deixar de fazer. Entre mim e a vida houve sempre vidros foscos.
Nunca soube se era demais a minha sensibilidade para a minha inteligência, ou a minha inteligência para a minha sensibilidade. Tardei sempre, não sei a qual, talvez a ambas, a uma ou outra, ou foi a terceira que tardou.”
"O homem não deve poder ver a sua própria cara. A Natureza deu-lhe o dom de não a poder ver, assim como de não poder fitar os seus próprios olhos. Só na água dos rios e dos lagos ele podia fitar seu rosto. E a postura, mesmo, que tinha de tomar, era simbólica. Tinha de se curvar, de se baixar para cometer a ignomínia de se ver.
O criador do espelho envenenou a alma humana."
Fernando Pessoa.
Nenhum comentário:
Postar um comentário