quarta-feira, 27 de setembro de 2006


HOJE É ANIVERSÁRIO DA MINHA MÃE

Hoje, 27 de setembro minha mãe completa 69 anos. Às vezes dá uma peninha de ficar tão longe dela. Mas minha mãe é feliz em Assis. Dá gosto de ver. Tem uma turma de amigas que são danadas. Viajam pra lá e pra cá e fazem festa, amigo secreto, tarde na casa se uma, jantar na casa de outra, até peça de teatro e noite do pijama já aconteceu.
Outro dia, numa dessas viagens a Campos do Jordão ela pisou em falso e caiu de uma escada feita para se descer uma ribanceira. Quem viu disse que foi um milagre ela ter saído intacta desta queda.
Ela é forte e ficou bem. Mas pela nossa cabeça passa um filme. O filme da minha vida com ela. Eu pequena e ela puxando os dedos dos meus pés para saber quantos namorados eu tinha. E eu subia no pé de goiaba e tentava achar umas grandes, que nós crianças chamávamos de bitela, para levar para a minha mãe, porque de goiaba vermelha ela gosta muito. Lembrei do seu fusca azul. Do bege. Do meu pai dizendo: "ela usa o fusca para bater... para bater no muro, no portão." Leite de Rosas. Bobs. A gente fazendo brigadeiro para ela poder raspar a panela. E eu tendo que levar para casa um pedaço de bolo de qualquer aniversário que fosse, porque a Laila ama bolo de aniversário. Lembro que ganhei um concurso de redação na escola, o tema era a minha mãe. Eu escrevi que ela fazia um Toddy como ninguém, porque para as outras coisas de cozinha ela não tinha muita habilidade. A professora achou graça e colocou no mural da segunda série. Lembrei da caderneta onde, até hoje, ela anota todos os cheques que deu e subtrai do total que tem na conta. Da gaveta onde ela guarda presentes que ganhou mas não usou e normalmente repassa para uma conhecida que faz aniversário. E ela gosta mesmo de contar da sua juventude. Dos bailes. Do namoro com o Toninho Ribeiro. De quando sua cinturinha era de pilão. Minha mãe nunca me escondeu nada. Um dia me pegou pela mão e foi no meu tio advogado: queria se divorciar do meu pai. Claro que não levou a idéia em frente. Lembrei da foto dela em cima de um camelo no Egito. Ri sozinha. Imaginar minha mãe subindo naquele camelo é de dobrar de rir. Pensei na sua risada, bem alta e alegre. E no seu mau humor. Ela e a Titá minha tia caçula querida e sua irmã inseparável. Lembrei que estive na barriga dela, que nasci dela. Que sou um pouco ela. Lembrei que é muito bom ter a minha mãe. Tive vontade de ajoelhar e agradecer que nada de ruim aconteceu naquela viagem para Campos.

3 comentários:

  1. Acho que vou pegar o telefone e ligar pra minha mãe agora!
    Que vontade de ter ela aqui!

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  2. Nao mostra isso pra sua mae. Pode ser muito perigoso.
    Que lindo Duds.

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  3. tô lendo e chorando, me acabo no seu blog !

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