NOTÍCIAS DA VOVÓ
Querida Ana
Ontem, quinta, foi deslumbrante ficar com a pequena a tarde toda aqui em casa."Colo, vó Ti" é música de derreter o coração. Eu no telefone e ela entrando no escritório "papéu", "papéu", pedindo mais sulfite para riscar. Segurou a esferográfica com quatro dedinhos versus o polegar, como quem delicadamente enterra no papel a lâmina de uma adaga de luxo. Depois, segurou a hidrográfica verde com o polegar, o indicador e o médio, quase lá em cima, a modo de pincel. E ia desenhando mamãi, papai, mamãi, papai.
Ela ficou um tempo dando um trato nos cachinhos com uma escova diante do espelho. Dava uma voltinha e falava "linda". Arranjei uma boneca Mamãi Ana Paula, outra Tóti. Ela penteava a mamãi com a escova e falava "mamãi linda". Até penteou um pouquinho a Tóti e falou Tóti linda. Mas foi lindo mesmo ela querer levar a Mamãi...
Ela não ligou muito para a bonequinha Lolô nem para uma peruana étnica com um filhinho que eu fiquei tentando fazer passar por Gigi e Tom: essa não colou mesmo. Mas a pior escolha foi a do papai: a única boneca menino (fora um bruxo) era horrorosa e ela falava "medo papai". Vou ver se arranjo um boneco mais razoável. Acho que ela é muito pequeninha para ter ou falar "medo". Aí fomos ver juntas o Cocoricó e uma galinha falou "Tenho medo que o Júlio descubra que eu roubei o coco", mas ela nem estava ouvindo isso. Será que dava pra esperar mais um pouco para uma pequeninha assim lidar com essa abstração?
Beijos da avó babona
Otilia
sexta-feira, 27 de abril de 2007
quinta-feira, 26 de abril de 2007
MAIS UMA DA SÉRIE: ISSO É SÓ O COMEÇO
Deixei meu carro na agência, corri até a marginal, peguei um táxi no meio do caos do trânsito, voei pra casa louca para ser amada pela minha pequenina. Queria que ela me quisesse, me pedisse colo, me dissesse Mamãe linda. Queria mimá-la um pouquinho, fazer ela dormir no meu colo, segurar sua mãozinha, dizer que está tudo bem porque eu estou aqui...
Mas Lolô me esnobou, não me deu bola e quis o colo da Nãna, sua amada babá. Saí do quarto sem rumo.
Fui para cozinha e tomei uma sopa bem quentinha para me esquentar por dentro.
Foi aí que senti na pele mãe-querendo-filha-e-filha-não-ligando-para-a-mãe pela primeira vez.
Ai, dói.
PEQUENOS DESCOMPASSOS DOMÉSTICOS
Tudo bem, eu não sou nenhuma dondoca que faz compra no Santa Luzia. Aliás hoje em dia, mal tenho tempo de ir ao mercado.
Por isso deixo um dinheiro para as meninas comprarem as coisinhas da Lolô.
Pois bem, hoje fui dar uma olhada na despensa e na geladeira quando minha cabeça deu um nó: pão de forma O Dia, requeijão O Dia, água de coco de fabricante desconhecido e leite Nilza. Deixo 10, elas me voltam 3.
Tá, mas então porque mesmo eu trabalho tanto?
Tudo bem, eu não sou nenhuma dondoca que faz compra no Santa Luzia. Aliás hoje em dia, mal tenho tempo de ir ao mercado.
Por isso deixo um dinheiro para as meninas comprarem as coisinhas da Lolô.
Pois bem, hoje fui dar uma olhada na despensa e na geladeira quando minha cabeça deu um nó: pão de forma O Dia, requeijão O Dia, água de coco de fabricante desconhecido e leite Nilza. Deixo 10, elas me voltam 3.
Tá, mas então porque mesmo eu trabalho tanto?
quarta-feira, 25 de abril de 2007
MÚSICA PARA O CORAÇÃO
Hoje recebi este e-mail da minha mãe:
Oi Ana,
Estou com saudade de vocês.
Da LOLÔ, então, você nem imagina. Visualiso sempre a Pituquinha andando pela nossa casa e dizendo com a voz mais doce do mundo:
_Vovô PEDO ! Quedê vovô PEDO? Vovó Aia! Quedê vovó Aia?
Isso é muito gostoso de se ver e ouvir.
Hoje recebi este e-mail da minha mãe:
Oi Ana,
Estou com saudade de vocês.
Da LOLÔ, então, você nem imagina. Visualiso sempre a Pituquinha andando pela nossa casa e dizendo com a voz mais doce do mundo:
_Vovô PEDO ! Quedê vovô PEDO? Vovó Aia! Quedê vovó Aia?
Isso é muito gostoso de se ver e ouvir.


DIFERENÇAS
Era assim: eu pequena não fazia mal a uma mosca.
Não chorava muito, não brigava jamais com os amiguinhos na escola. Meus pais se preocupavam com meu comportamento pata-choca. Era tímida, falava baixinho, não reclamava com os mais velhos, a ponto de sustentar uma senhora sentada numa cadeira de madeira maciça em cima do meu pézinho trinta em silêncio, porque tinha vergonha de dizer a ela que estava doendo.
Diz minha sogra que Tintin era igual. Menininho da paz. Concentrado em fazer porco-espinho de massinha e palito, viciado em soldadinhos, quietinho, bonzinho.
Mas a Lolô é completamente diferente. É brava, dá bronca e bate nos amiguinhos. Espalha rodinhas, fica brava com o cachorro, pega a bolsa e diz que vai embora, e a gente pede para ela ficar e a pequena responde decidida e impiedosa: Naum! Uouô vai emboa.
E eu: Fica, por favor.
E ela: Uouô não té.
E ela beija quem ela quer, fala com quem ela quer e de preferência vai contra o que você quer. "Dá um beijo na mamãe?" Ela corre e dá o beijo no papai.
Lolô não é uma bebezona. É uma pessoinha questionadora, que olha no fundo dos olhos.
Eu e o Tin estamos caídos por ela. Estamos vulneráveis, apaixonados e achando o meio termo entre dar amor e dar limites.
Moral da história: eu era assim, ela é assado e ser mãe é aceitar as diferenças.
domingo, 22 de abril de 2007

"SORTE É ISTO. MERECER E TER."
Despedir dá febre.
(...) no viver tudo cabe.
Viver...o senhor já sabe. Viver é etcétera.
O senhor sabe o que o silêncio é? É a gente mesmo, demais.
Perto de muita água, tudo é feliz.
Ando amando Guimarães Rosa. "O Grande Sertão Veredas" passou a semana estampado no meu peito.
É que comprei umas literaturas de vestir no Ronaldo Fraga.
segunda-feira, 16 de abril de 2007
SINGELICES MATINAIS
Eu queria que as pessoas que eu amo se sentissem amadas por mim. É verdade que o amor está nas entrelinhas, na estrada que vai-se formando conforme vamos pisando. Mas sei que quando declaramos nosso carinho, fica tudo muito mais aconchegante.
Assim como um jardineiro tem o dom de cuidar das flores, a candurice de cuidar da amizade como se fosse uma orquídea é dom.
A Giovana faz isso como ninguém.
Liga dizendo que o jantar da noite anterior foi uma delícia.
E que a semana vai ser mais gostosa porque passamos um lindo domingo juntas.
Toca o celular segunda de manhã e a criatura diz que a aula de yoga não foi a mesma porque você faltou. Que ficou um buraco na frente da sala. Que você fez falta.
9113-1716 no visor do celular, você fala alô e ela faz uma festa.
"A alegria de viver as coisas mais simples."
Eu queria que as pessoas que eu amo se sentissem amadas por mim. É verdade que o amor está nas entrelinhas, na estrada que vai-se formando conforme vamos pisando. Mas sei que quando declaramos nosso carinho, fica tudo muito mais aconchegante.
Assim como um jardineiro tem o dom de cuidar das flores, a candurice de cuidar da amizade como se fosse uma orquídea é dom.
A Giovana faz isso como ninguém.
Liga dizendo que o jantar da noite anterior foi uma delícia.
E que a semana vai ser mais gostosa porque passamos um lindo domingo juntas.
Toca o celular segunda de manhã e a criatura diz que a aula de yoga não foi a mesma porque você faltou. Que ficou um buraco na frente da sala. Que você fez falta.
9113-1716 no visor do celular, você fala alô e ela faz uma festa.
"A alegria de viver as coisas mais simples."


ADEUS CABELO
Então, lá se foram meus cachos, meus caracóis e minha segurança.
Cortei meu cabelo bem curto.
Quando cheguei em casa, a Lolô me achou a mesma de sempre.
É que a gente tem a ilusão que mudando alguma coisa fora, muda-se dentro.
Ilusão.
Bom , mesmo assim: vida nova!
Ps: Aproveitando o sábado de mudanças cortei também a franja da Lolô. Bem curtinha, bem brejeirinha.
segunda-feira, 9 de abril de 2007

O CHEIRO DO RALO
Este post teria outro título. Mas imaginei que Selton Mello poderia dar uma busca no Google sobre os últimos comentários a respeito do seu filme-filho e cairia aqui, quem sabe.
O cheiro do ralo não sai do meu nariz.
Selton Mello criou Lourenço de cabo a rabo. No andar, no erre pronunciado diferente, na economia de gestos e na consistência.
O filme é bom. Muito bom. O Heitor Dhalia fez um bom trabalho, muitos atores são ótimos.
Mas as mulheres não gostam. Porque o Cheiro do Ralo é um homem. Entenda: não é para os homens. É um homem sem máscara.
Todos os homens que passaram na minha frente estão contidos na personagem do Lourenço.
Ele é vasto, multifacetado e crudelíssimo. É doce e gentil (com a bunda). E adorável com o falso companheiro de guerra do pai. E cúmplice da professora do vídeo. E sensual, sincero, verdadeiro. E sem-vergonha, mau caráter, doente, egoísta, neurótico, sedutor, vaidoso, hostil, cínico, só, consciente, patético, infantil, lúcido, amargo.
Mas não há o que se julgar. Lourenço é movido por instintos muito primitivos.
(Eu gosto de espiar a verdade mais crua).
Sinceramente, eu adorei "O cheiro do ralo."
Selton Mello, queria te dizer que você é o melhor ator do Brasil.
Me liga.
UMA PÁSCOA COM OUTRO RECHEIO
Foi lá no corredor da minha casa em Assis, vendo a Lolô correr gritando o nome dos meus pais, que senti uma inexplicável felicidade. Alegria de ser filha deles e ao lado deles gostar de estar. Alegria porque a Lolô é a continuação deles e porque quando se tem uma família, dá vontade de eternidade.
E quando nasce um filho, a gente ama mais nossos pais.
A gente ama mais.
A gente agradece por tudo.
Foi lá no corredor da minha casa em Assis, vendo a Lolô correr gritando o nome dos meus pais, que senti uma inexplicável felicidade. Alegria de ser filha deles e ao lado deles gostar de estar. Alegria porque a Lolô é a continuação deles e porque quando se tem uma família, dá vontade de eternidade.
E quando nasce um filho, a gente ama mais nossos pais.
A gente ama mais.
A gente agradece por tudo.
FUTUCANDO BEM
Foi assim: voltávamos de Assis, guarda pára o carro, carro cheio de gente, dou o documento, licenciamento vencido, guarda duro na queda, carro apreendido. Amigos, marido, filha e cachorro na beira da estrada, fazia frio e era de noite.
O Jupiter na Casa 2 mandou avisar que proteção tem limite.
Voltamos para São Paulo de táxi. Lá no fundo fiquei satisfeita porque não se dá mais jeitinho em tudo. Fiquei também muito sem jeito e meu nariz começou a coçar.
CONSTATAÇÃO: Voltei na estrada pensando: um recado, uma lição, um recado, uma lição. Achei: as coisas não são como a gente quer, são como são.
VOU CONFESSAR: Tenho um enorme defeito. Sou muito distraída.
UM DESEJO: (Queria que você lesse este post ouvindo a Ciranda da Bailarina, uma obra-prima do Chico Buarque, cantada docemente pela Adriana Calcanhoto, a Partinpim).
PARA QUEBRAR O GALHO: a letra
A CIRANDA DA BAILARINA
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Futucando vem todo mundo tem defeito e bailarina que eu não sou.
Foi assim: voltávamos de Assis, guarda pára o carro, carro cheio de gente, dou o documento, licenciamento vencido, guarda duro na queda, carro apreendido. Amigos, marido, filha e cachorro na beira da estrada, fazia frio e era de noite.
O Jupiter na Casa 2 mandou avisar que proteção tem limite.
Voltamos para São Paulo de táxi. Lá no fundo fiquei satisfeita porque não se dá mais jeitinho em tudo. Fiquei também muito sem jeito e meu nariz começou a coçar.
CONSTATAÇÃO: Voltei na estrada pensando: um recado, uma lição, um recado, uma lição. Achei: as coisas não são como a gente quer, são como são.
VOU CONFESSAR: Tenho um enorme defeito. Sou muito distraída.
UM DESEJO: (Queria que você lesse este post ouvindo a Ciranda da Bailarina, uma obra-prima do Chico Buarque, cantada docemente pela Adriana Calcanhoto, a Partinpim).
PARA QUEBRAR O GALHO: a letra
A CIRANDA DA BAILARINA
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida
Ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
Ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente
Medo de vertigem
Quem não tem
Futucando vem todo mundo tem defeito e bailarina que eu não sou.
terça-feira, 3 de abril de 2007
segunda-feira, 2 de abril de 2007
FRESTA
Tem quem queira perder de vista a cidade.
Ou ver logo ali as esquinas das linhas arquitetônicas.
Basta que o olhar escape lá pra longe à tardinha.
Basta um ventinho. Uma brisa. Uma fresca.
Basta uma distância de tudo, porque depois desce-se o elevador para ir ter com o tudo.
Falo de uma boa janela.
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