sexta-feira, 27 de julho de 2007


É MENINA!

Um passinho pra frente minha gente, que atrás vem gente. Vem mais uma florzinha: a Manuela.
Estamos em festa!
SALIVA

Eu amo a Sofia Coppola. E acredito que o Esmir é a Sofia Coppola do Brasil.
O curta "Saliva" é lírico, minimalista, sensível e quando termina a gente pensa: pena que é curta.
"Alguma coisa assim", o outro curta do diretor é outro grande filme. Sempre com a audácia no anti-climax e da economia de textos e gestos. Sempre abordando o universo interno, as sensacões, os sentimentos.
A fotografia dos dois é exepcional, dirigidas pelo mestre Tintin.

Então, eu queria ser a Sofia Coppola do Brasil, eu queria ter feito curtas sobre a dor de crescer e descobrir o mundo. Mas o Esmir fez antes, e fez muito bem.

terça-feira, 24 de julho de 2007


RATATOUILLE

Vi e amei.
Saí do cinema e fui comprar queijos gruyere, estepe, gorgonzola, queijo de cabra, torradinhas e alguns pastrames. Comprei algumas coisas por sentir o cheiro, outras pela embalagem, outras pela procedência. Comprei sabores doces para misturar com os salgados. Comprei texturas sólidas, outras pastosas de cores diferentes para brincar de alquimista. Quis levar frutas redondas, brilhantes, saborosas. Mas jaboticabas não comprei. Estavam custando 32 a caixinha e eu sou de uma terra onde jaboticaba não se compra, se ganha do vizinho. Ser chic tem limites.
É MENIN...

Todo mundo quer saber, mas eu só vou contar amanhã.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

LONDRES E A LÍNGUA DE GATO

Hoje comprei língua de gato.
Lembrei dos Fingers que tinha sempre na bolsa no tempo que estive em Londres.
Hoje comprei língua de gato e ouvi London, London:

I'm wandering round and round
Nowhere to go
I'm lonely in london, london is lovely so
I cross the streets without fear
Everybody keeps the way clear
I know I know no one here to say hello
MEDO

Então, as tragédias deixam mesmo a gente com medo.
Não dá para imaginar um ser humano que não fique se sentindo vulnerável diante da morte. Não há quem não tenha uma paúra, um pavor de alguma coisa.
Foi no banho que pensei nisso.
Olha, pensei que eu não tinha medo assim antes de ser mãe.
Pensei que meus pais um dia quase morreram em um vôo voltando da lua-de-mel. Pensei que se aquele pouso tivesse dado errado eu não existiria.
Lembrei que minha mãe entrou em estado de choque, chorou, berrou, ficou fora de si e levou até um bofetão do comandante, enquanto o avião seguia desgovernado e desenganado. Meu pai leu o jornal.
Tentei puxar pela memóra um medo do meu pai. Ele não tem medo dos grandes medos humanos. Acha que não há luta contra o que tem que ser. Há que se entregar e confiar.
Pensei em ligar para Assis e dizer: Alô, pai, você não sente medo?
Ele riria.
22

Sendo menino ou menina, Antonio ou Manuela, a numerologia indica o mesmo e exato número 22 para o bebê que eu espero. Número bom, difícil de dar, mestre.
É mágico ter na barriga um filho que tem um destino, uma alma, um cheiro, um jeito, uma cor, um olhar.
Assim como a Lolô transborda de ser ela e me comove.

Só sei que estou tão viva e amarrada à outras vidas que não quero nunca mais pousar no aeroporto de Congonhas.
O BOLO

Doce Nica

No final do dia, depois de já termos conversado ao telefone e do quarteto já ter estado junto, te respondo esse e-mail.

Respondo porque Bia, Pedro e Julia exultaram a presença da Lolô lá em casa. Falei ao telefone com eles e só o que eles me dizem é que Lolô esteve lá, levou presentes e tomou leite na caneca.
Falaram de tudo, aos seus modos, dos seus jeitos. Foram amigos nossos pequenos. São amigos os nossos filhos. E assim será.

Entendo com eles o quanto é maior que tudo dividir um bolo de cenoura à tarde.

um beijo
Cice

quarta-feira, 18 de julho de 2007

UM DRUMMOND

"Cansei de ser moderno
Agora eu quero ser eterno."

sexta-feira, 13 de julho de 2007

PARTIDA

Ver alguém partir nunca foi meu forte. Puxei para a minha mãe que quando jovenzinha ia à estação de trem só para ter o gosto de acenar para os desconhecidos e chorar sua partida.
Eu fui muito mal acostumada. Desde que me lembro por gente tive o privilégio de levantar os olhos e encontrar olhos conhecidos, confiáveis, aconchegantes.
Na Ponto foram sete anos nessa redoma. Bem na minha nuca tinha a Cice com seus olhos de jaboticaba, na minha frente Toty, Raul, Fernandinho, Flávio, Van. Olhos pequenos, outros azuis, outros grandes e outros dóceis. Uns agitados, outros parados. Lembro quando o Marcinho sentava na minha frente e me dava um sorriso toda vez que cruzávamos sem querer o olhar. O Elias tinha olhar que sorria e marejava fácil, a Dedê que punha o dedo na boca e mexia os olhos enquanto pensava. Tinha o olhar da Paty, observador e esperançoso. Do Cris, quase ingênuo. Da Lu Cotrim, que se mantém sempre sorridente, mesmo quando ele está nervosa.
Então, meu amores, levantar os olhos e não encontrar essas janelas de almas piscantes é como viver no estrangeiro.
Ainda bem que sempre aparece na minha vida uma gaúcha para me salvar. Encontrar uma gaúcha no estrangeiro vale ouro.


CLEIDE, ELÓ E AS PÊRAS

"Não se pode amar Eló por mais de três horas.
Senão se morre de amor."

A Toty já havia me dito que eu amaria essa peça, uma obra delicada e com imensa capacidade de preencher o tempo presente e o coração. Cleide, Eló e as pêras foi escrita por Gero Camilo, com ele atuando e uma moça chamada Paula, valente, trágica e linda dividindo com ele o palco.

O teatro era bem pequeno, com vinte e poucas pessoas. Ouvia-se a respiração e o coração dos atores. Os olhares deles cruzavam os nossos muitas vezes, mas eles eram sempre os amantes de Eló e Cleide.
E o mais fantástico é que nós todos amávamos Eló e Cleide.

Foi lindo.

quinta-feira, 12 de julho de 2007


EU AMO GENTE. EU AMO HISTÓRIAS.

Contar história é um dom. Há os que são bons de prosa, de retórica, de semântica. Há os que têm risada que dá liga nas palavras, os que fazem caretas, os que representam. E há uns que abrem a boca e vão soltando frases e formando cenas fabulescas. Hoje no almoço foi assim. Juca, com aquele sotaquezinho vai entrando devagar no assunto:

Quando pequena eu era muito gordinha. Mamãe não me deixava comer. Um dia roubei uma lata de leite condensado e fugi para cozinha. Queria fazer doce de leite na panela de pressão. Pois a panela explodiu e espalhou doce de leite por toda a cozinha. Uma explosão muito feia e barulhenta. Foi doce de leie nos azulejos, nos cachorros, no cabelo da minha prima. Então, antes que mamãe chegasse começamos a lamber. Minha prima lambia a parede e eu lambia os cabelos dela.

Quanta graça e verdade! Senti aquele frio na barriga que acontece quando a arte me comove.



LARANJEIRAS, SATISFEITO SORRIU

Lugar de filho é ao lado dos pais. E pais devem sempre encontrar a natureza na companhia dos filhos.
Mar, areia, céu e sol. Bicho, pés descalsos, poucos brinquedos. Folha seca vira pratinho, areia vira bolo de cenoura, as conchinhas são enfeites. Três dias valem por três meses.
PAssamos o feriado em Laranjeiras, na casa do querido Ary.
Nossa intenção era ir à Flip, mas acabamos trocando os livros pela paisagem. Acho que aprendemos mais assim.