PARTIDA
Ver alguém partir nunca foi meu forte. Puxei para a minha mãe que quando jovenzinha ia à estação de trem só para ter o gosto de acenar para os desconhecidos e chorar sua partida.
Eu fui muito mal acostumada. Desde que me lembro por gente tive o privilégio de levantar os olhos e encontrar olhos conhecidos, confiáveis, aconchegantes.
Na Ponto foram sete anos nessa redoma. Bem na minha nuca tinha a Cice com seus olhos de jaboticaba, na minha frente Toty, Raul, Fernandinho, Flávio, Van. Olhos pequenos, outros azuis, outros grandes e outros dóceis. Uns agitados, outros parados. Lembro quando o Marcinho sentava na minha frente e me dava um sorriso toda vez que cruzávamos sem querer o olhar. O Elias tinha olhar que sorria e marejava fácil, a Dedê que punha o dedo na boca e mexia os olhos enquanto pensava. Tinha o olhar da Paty, observador e esperançoso. Do Cris, quase ingênuo. Da Lu Cotrim, que se mantém sempre sorridente, mesmo quando ele está nervosa.
Então, meu amores, levantar os olhos e não encontrar essas janelas de almas piscantes é como viver no estrangeiro.
Ainda bem que sempre aparece na minha vida uma gaúcha para me salvar. Encontrar uma gaúcha no estrangeiro vale ouro.