quinta-feira, 12 de julho de 2007


EU AMO GENTE. EU AMO HISTÓRIAS.

Contar história é um dom. Há os que são bons de prosa, de retórica, de semântica. Há os que têm risada que dá liga nas palavras, os que fazem caretas, os que representam. E há uns que abrem a boca e vão soltando frases e formando cenas fabulescas. Hoje no almoço foi assim. Juca, com aquele sotaquezinho vai entrando devagar no assunto:

Quando pequena eu era muito gordinha. Mamãe não me deixava comer. Um dia roubei uma lata de leite condensado e fugi para cozinha. Queria fazer doce de leite na panela de pressão. Pois a panela explodiu e espalhou doce de leite por toda a cozinha. Uma explosão muito feia e barulhenta. Foi doce de leie nos azulejos, nos cachorros, no cabelo da minha prima. Então, antes que mamãe chegasse começamos a lamber. Minha prima lambia a parede e eu lambia os cabelos dela.

Quanta graça e verdade! Senti aquele frio na barriga que acontece quando a arte me comove.

Um comentário:

  1. Semore escrevi textos sobre os outros. Sempre sonhei o dia em que serviria de tema para alguém.
    Agradeço baixinho que você foi a primeira.
    Te adoro muito
    Julia

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