
EM CANNES
Já são dias longe de casa. Não me lembro de passar tanto tempo assim andarilha, sem horário nem compromisso. Acordo, decido onde tomo um café, olho um pouco o mar, vejo um carrossel com crianças e escuto a fala musical dos franceses. De repente caio no Palais e aí ando rápido, procuro notícias, encontro pessoas, trabalho.
E saio de novo para um almoço, uma taça de vinho e para entrar em lojinhas e treinar falar francês perfeito para um dia alguém não desconfiar que eu não sou daqui. A vontade de ganhar leão se mistura com o desejo louco de ver minhas filhas.
O livro Têt-a-Têt é meu grande companheiro. E a idéia de uma vida libertária e bem vivida abre muito nossos horizontes. Este libertário a que me refiro significa sem amarras e tem relação com espaço e tempo. Hoje estava sentada em um bar de um hotel em frente ao mar, na Croissette. Estava tocando Natking Cole, e depois Frank Sinatra e até Bee Gees, eram nove e meia da noite, mas ainda dia, pedi um vin do pays e um peixe que veio tão simples e perfeito que roubou toda a minha concentração.
Viagem é isso. Os sentidos e os segundos.
Nica, tô indo pra aí... levo na mala nossos filhotes e o mundo pode acabar. Que tal?
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