Mário para Bandeira:
Depois inda vem outra pergunta na carta gostosa de você: "E será mesmo que eu te quero bem?" Quer, Manu... Você me quer muito bem. Você comenta que a nossa amizade é carteada... Isso não quer dizer nada, Manu! Isso é que é o mais puro mais elevado mais masculino feitio e manifestação de amizade. Você me quer um bem danado no que aliás tem certeza que é correspondido ponto por ponto. Repare no carinho infinito, atenção paterna com que você quer que as minhas coisas fiquem excelentes. Não é a gente falando um pro outro "eu sou amigo de você" que mostra amizade não. É num pensamento constante do amigo, é numa palpitação pelo amigo, é no "desejo de sentir o amigo" quando se está longe. E você se for capaz afirme que não sente isso por mim. Sente, Manu.
E já que entrei nesta explicação de amizade, por 1' e última vez me deixe falar mais uma coisa de que não me envergonho nem peço retribuição. Eu considero você meu maior amigo, o Amigo, o que eu queria ter a meu lado na hora da minha morte que como você sabe deve ser uma hora em que a gente não tem tempo pra esperdiçar. Eu sei que você havia de descobrir num gesto numa palavra num olhar aquele conforto que faz a gente largar esta gostosura de vida na Terra certo de que inda permanecerá. Eu sei disso porque dentro de suas cartas de vez em quando a amizade espia e vem um bafo quente dela que me faz enormemente confortado e feliz.
E pra você ver o que é amizade fui à merda com esta carta porém obriguei você a ir junto comigo.
Ciao. Estou melhorando.
Mário,
Bandeira responde:
A sua carta me deixou estupefacto. Eu não sabia que era assim! Puxa, agora sou eu que tenho medo da responsabilidade. Estas coisas que você me escreveu são tão sérias e tão enormemente comoventes na boca de um homem que é melhor não comentar. Tive de refletir sobre os meus próprios sentimentos que não eram e ainda não estão muito claros. Mas \,ocê ajudou a análise e me tirou do caminho errado porque, te digo com toda a franqueza, eu já estava muito inclinado a pensar que não lhe queria verdadeiramente bem, mas apenas uma profunda e gostosíssima admiração.
Você esteve na minha casa aqui e não cometeu a menor indiscrição: não olhou pra nada. Eu quando fui à sua, escrafunchei tudo. Você tem uma natureza retalhada de mil direções afetivas e certas coisas que eu não saberia dizer agora quais são me aporrinham, mas você disse uma coisa baita na sua carta que é aquela atenção paterna com que eu quero que as suas coisas fiquem excelentes.
0 que você diz da hora da morte acho que é verdade... Com as mulheres eu sou capaz de ser a todo o instante como poderei ser com os homens só na hora da morte ou então de gravidade tão grande quanto a hora da morte. Mas essa força a que voce se refere existe em mim -veio da doença - e eu tenho plena consciência dela. A minha meiguice é uma coisa formidável, Mário, e às vezes me sufoca.
Mário, você deve ter a consciência que eu não podia responder direito aos seus versos e a sua carta. Elas vieram de muito de cima e depois eu estou absolutamente incapaz de coordenar o que sinto e penso.
Um grande e comovido abraço do
M.
Bicho, eu também quero que tudo seja perfeito pra você. Mesmo quando vamos a merda juntas. Bom falar assim, não? bju
ResponderExcluirPassando para dizer que amei os textos do seu blog. Mas eu não consegui achar aquele aplicativo para seguir seu blog. Como faço para seguir?
ResponderExcluiramplexo.
http://identifiquemse.blogspot.com/